Luiz Alves
É cômodo culpar antepassados pela perda de parte de nosso patrimônio. Mais triste, porém, é fechar os olhos ao perigo de deixarmos, diante de nossos narizes, pulverizar tesouros que nos restam.
Os tapetes de Corpus Christi encantam sabarenses e turistas que visitam a Villa Real. Certa de que os moradores da rua mais bela e importante de nossa história cultural cansaram-se do projeto, a Municipalidade assumiu sua confecção. Os moradores da Pedro II contestam. Dizem que apenas precisam de novas estratégias. Mas a Prefeitura interveio e os tapetes foram feitos. Vale dizer que os mandatários mudam e continuidade, convenhamos, não é o forte dos políticos. O que vem por aí? Tragédia anunciada?
A “Abertura do Sepulcro” agoniza. Estudos foram feitos sobre os significados que envolvem essa preciosa criação de antigos e cultos sabarenses.
Ela é expressão única do povo de Sabará e define nossa autêntica e velha religiosidade. Mas os ricos significados da cerimônia foram-se perdendo no caminhar do tempo e a vaidade de alguns está impedindo que os fiéis voltem a entender o evento em seu real sentido.
E como não se ama o que se desconhece - e não se preserva o que não se ama - a “Abertura do Sepulcro” caminha para o lixo de nossa história. Transformada (pelo desconhecimento) em coisa sem pé nem cabeça, a cerimônia deste ano soou como algo próximo de melancólico fim.
A “Fogueira das Vaidades” está devorando tapetes e sepulcros. Urge aos realmente comprometidos com Sabará e sua cultura apagar o incêndio. A não ser que queiramos correr o risco de, no futuro, julgarem-nos como incendiários de nossas próprias tradições.