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Uma mãe que leva a vida guiada pela fé

Uma mãe que leva a vida guiada pela fé

08/05/2015 14h41
Por: Glaucia Melo Clark
Uma mãe que leva a vida guiada pela fé

Maria Rosa Gonçalves de Carvalho, ou simplesmente, Dona Inhá, se orgulha de seus 88 anos bem vividos e de nessa altura da vida ter chegado apenas com algumas dores nas pernas.

A senhora que nasceu em Ipoema e se criou trabalhando na roça, ajudando os pais, casou jovem, apenas com 17 anos, morou um tempo em Caeté e depois do quinto filho veio para Sabará, criar a família. Quando chegou aqui também plantou muito, com o marido, José Soares de Carvalho, tinha plantação de milho, feijão, amendoim e mandioca na região do Papa Farinha, dessa forma, criou os filhos.

Essa mãe amorosa que gerou dez filhos, criou 18 e infelizmente teve que conviver com a perda de quatro filhos, é um exemplo de mulher que sempre batalhou muito e apesar do sofrimento conseguiu superar tudo com a fé inabalável que tem em Deus. Ela conta que essas perdas foram as maiores de sua vida, mas como diz a canção e o nome Maria não é à toa, “quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida” *.

Apesar de não se lembrar muito bem da idade dos filhos que se foram, a dor ficou marcada para sempre. O primeiro que partiu tinha vinte e poucos anos e morreu em acidente de trabalho, pouco tempo depois foi o mais jovem deles com apenas 16 anos, ele foi levado com uma doença no coração. Dona Inhá diz que mesmo depois de mais velho ela ainda o carregava no colo, pois ele não tinha força para andar “coitado eu carregava nas minhas cadeiras e ele ia arrastando as pernas no chão”. Ela recorda que todos que o conheciam eram loucos por ele, “morreu muito novo, era muito educado com todos, foi uma tristeza só, quando ele se foi, mas está nos braços de Deus, melhor do que vê-lo aqui penando. Ver um filho sofrendo é muito triste”, diz.

O outro filho foi levado por uma doença respiratória. Já a filha mais velha, Maria da Anunciação, também partiu cedo, mas deixou oito filhos, todos foram criado por Dona Inhá. O mais novo tinha apenas um mês de vida e o mais velho 14 anos, “eles não queriam me deixar com os meninos, mas eu fiz questão de criá-los”.

Para criar os netos, também não foi fácil, a essa altura alguns filhos já estavam mais velhos, então também ajudava, à medida que os netos cresciam também contribuíam. Dona Inhá fazia biscoito de polvilho para vender e seus netos saiam nas ruas para vendê-los, “era importante dá trabalho para eles, para aprenderem como que é a vida”, conta.

Quando perguntada sobre quantos filhos tem, ela até se confunde com os netos que foram criados por ela e ainda com aqueles que vivem em sua casa. O certo é que ela é uma super mãe/avó, que hoje tem seis filhos, 31 netos e 28 bisnetos e todos estão sempre por perto. Dona Inhá mora com dois filhos e um neto, Renato Alencar, que ainda era bebê quando a mãe morreu e foi criado pela avó. Ela diz que hoje está tranquila, pois ele já está com 32 anos e perto de se casar. Hoje quem cuida dessa senhorinha esperta é o neto, “mas ele é muito enjoado, não deixa eu fazer nada. Ele não quer que eu levante cedo, não quer que eu cuide das plantas. Fica todo preocupado, mas eu falo com ele que não aguento ficar na cama, que já acostumei e não tem jeito”, conta entre risos.

Realmente, Renato, não pode se meter, pois as plantas são a grande paixão de Dona Inhá. Ela conta que as seis da manhã já está de pé para cuidar das flores e da horta, “meu prazer é chegar de manhã e desejar bom dia às minhas plantas”, diz.

Além da horta, essa graça de senhora, tem outras obrigações logo cedo já está pronta para lavar suas roupas, que faz questão de dizer que são lavadas à mão, “não gosto de máquina, lavar com as mão é até bom para fazer um exercício”, fala.

Após criar 18 filhos, Dona Inhá faz questão de destacar que não teve problemas com nenhum, pois todos nunca lhe deram trabalho, pelo contrário, foram sempre bons, obedientes, estudiosos e trabalhadores.

Essa senhora leve e sorridente, chega aos 88 anos, com orgulho por ter criado seus filhos e netos, sem deixar faltar nada, com muita amor, fé, força e gana, misturando dor e alegria e fazendo de todos boas pessoas, “ não tenho nada do que me queixar, Graças a Deus”, agradece Dona Inhá.

*Trecho da música “ Maria, Maria” – Milton Nascimento

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