Após mais de quatro décadas o boteco referência da cidade encerra suas atividades e promete deixar muita saudade
Foram quase 45 anos de boteco. São 45 anos de muita cerveja, cachaça, tira-gostos diversos, futebol, política, conversa fiada e muitos, muitos amigos. Assim foi a história do Bomba?s Bar que começou lá na década de 1970 na rua do Carmo, com o nome de Jóia e depois ganhou a rua Luiz Cassiano e o nome atual, desde então aquele pedacinho incrustado no centro de Sabará nunca mais foi o mesmo.
Essa longa história chegou ao fim na última sexta-feira, 20. O fechamento oficial aconteceu, como não podia ser diferente, com muita festa. João Bomba, o proprietário do bar, e figura ilustre da cidade conta que cerca de 300 pessoas se reuniram na despedida. Os 120m do Bomba?s Bar foi pequeno para tanta gente, as pessoas ocuparam a rua e foi um verdadeiro carnaval, com direito a muita música boa. Foram mais de 10 engradados de cerveja e muitas caixas de latinhas. Além é claro, de deliciosos comidas, todas bem ao estilo de boteco. Tinha feijão tropeiro, bacalhau, carne de cabrito e carneiro, mas o que não faltou na despedida foi emoção. João conta que chorou muito e ele não foi o único, os clientes fiéis também derramaram lágrimas.
HISTÓRIAS
O bar sempre foi referência em Sabará, quem quisesse saber das últimas novidades, seja na vida cultural, social e política da cidade era só passar pelo boteco que a notícia chegava fresquinha, muitas vezes até antes de acontecer. Na política então, era batata!
João Bomba é capaz de derrubar qualquer instituto de pesquisa brasileiro, com suas apurações feitas durante a campanha eleitoral. Ele conta que primeiro as pessoas que freqüentavam o bar sempre dizia seus votos. Além disso, não ficava apenas no ?conforto? de trás do balcão para fazer um levantamento dos votos. Aos domingos ia para um determinado bairro e levava uma urna com cédulas com o nome dos candidatos, chegava então no boteco mais movimentado e colocava a urna, quem quisesse, podia votar. O método foi infalível!
Ele diz ainda que sempre foi conselheiro dos candidatos, ?uma vez apostei com um conhecido que estava candidatando a vereador que ele não teria mais de 200 votos, ele garantia que teria 2 mil. Teve pouco mais de 140. E me pagou cinco caixas de cerveja!?, lembra.
Por isso, o bar se tornou ponto obrigatório para qualquer político que passasse pela cidade. Além de ter entre freqüentadores do bar e amigos, vários ex-prefeitos e vereadores, é normal a visita de candidatos seja a deputado estadual, federal ou governador. Na última eleição o bar foi visitado pelo atual governador de Minas, Fernando Pimentel, além de alguns candidatos a deputado. Já passaram pelo Bomba Vitor Penido, Newton Cardoso, Eduardo Azeredo e até o vice-presidente José Alencar, entre outros que João não se recorda.
Mas além da cerveja gelada, da pinguinha e do tira-gosto, o melhor de qualquer boteco é o bate papo entre amigos e as varias histórias que são contadas no balcão. De tantas já contadas por ali, João relembra de um antigo porteiro da Belgo Mineira que se chamava Luiz. Negro, alto, forte e muito rigoroso, que botava medo em muita gente. Naquela época alguns funcionários mais atrevidos levavam material da empresa para a casa e a principal função de Luiz era impedir que isso acontecesse. Em um dessa investida, o porteiro impediu que um funcionário saísse com um saco grande de cimento. Para tentar disfarçar o sujeito afirmou que era fubá que havia ganhado e inclusive convidou Luiz para jantar em sua casa um delicioso angu. O porteiro não caiu naquela e com toda sua esperteza e altivez respondeu: ?se eu comer desse angu eu viro estátua!?.
As histórias não eram contadas apenas no balcão, João diz que por muitas vezes, casos eram escritos e deixados embaixo da porta do bar, quando alguém comentava do assunto já sabia com detalhes, assim podia comentar a vontade, depois de passar por aquele balcão a notícia rapidamente corria toda a cidade.
Muitos amantes do bar estão se perguntando o porquê do fechamento, João diz apenas que está muito cansado, pois foram muitos anos atrás do balcão e agora finalmente vai entrar para o time dos aposentados.
Mas se engana aqueles que acham que a história do Bomba?s Bar ficará apenas na memória de seus freqüentadores. Essas quatro décadas passadas no balcão estão virando livro e com certeza os capítulos serão recheados de casos e contos interessantíssimos que fazem parte de Sabará. João diz que está contando os casos para Luis Alves que será o autor do livro, mas deixou claro para o escritor que a linguagem deve ser mais informal, ?nada de colocar palavras bonitas, tem que ser um português mais rasgado, para todos entenderem?, afirma João.
Agora o que nos resta e esperar ansiosamente este livro, recheado de casos cheirando a torresmo e cachaça e que com certeza será uma delícia degustar cada palavra.
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