Acostumada com a rotina nesses tempos de pandemia na UPA em que trabalha em Sabará, a técnica em patologia clínica, Alcione Ribeiro Ferreira, sentiu na pele a dor de perder um ente querido. No dia 10 de março, seu irmão Altair Alves Ferreira, 60 anos, perdeu a batalha para esse inimigo invisível. Altair teve o primeiro atendimento na Santa Casa de Sabará, mas pela gravidade do quadro clínico, foi transferido para o Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte. Segundo Alcione ele já saiu da Santa Casa intubado, ela acompanhou de perto a luta de seu querido irmão. Foram 22 dias de internação, com quadros de melhora e piora.
“Eu ainda vi meu irmão com vida no CTI. Mas como sou profissional de saúde, sabia que só um milagre podia salvá-lo. A situação era bem crítica. Infelizmente, meu irmão partiu. Deus o tirou do sofrimento”, disse Alcione, emocionada.
A rotina na UPA
Alcione contou à Folha de Sabará que trabalha no laboratório da UPA, mas devido ao aumento dos casos de Covid em Sabará, os técnicos passaram a atuar mais próximos dos pacientes da Covid, acompanhando de perto o movimento de quem trabalha na linha de frente. Segundo Alcione a UPA abriu mais uma ala para atendimento da Covid.


Ao perguntar como ela se sentia trabalhando agora tão perto dos pacientes de Covid, Alcione respondeu que encarou a situação como “provação de vida”, pois perdera, recentemente, seu irmão pela doença. “Sou profissional da saúde, tenho amor à profissão, tenho que superar e continuar”.
Durante todo esse período de pandemia, a técnica em patologia clínica, vivenciou cenas dramáticas na UPA. “Vi pacientes chegando em estado mais sério e ir a óbito. Mesmo com a agilidade no atendimento e tomando todas as providências que a situação pede”.
Alcione faz um pedido a toda população sabarense: “Se cuidem e parem para pensar no próximo, o próximo é alguém espelhado em você. É preciso que cada um procure ajudar, fazendo a sua parte. Levem a sério a situação mundial do momento. Quando a Covid se aproxima da sua família, assusta muito”.
O irmão de Alcione era diabético e ela pede, também, que as pessoas que possuem comorbidades como ele, se cuidem mais ainda para evitar complicações.
As famílias que perderam alguém para a Covid tem uma dor adicional: a falta da despedida. Os rituais fúnebres foram alterados devido aos protocolos sanitários. Em caixões lacrados os entes queridos são enterrados. É a solidão que o coronavírus trouxe.
A Folha de Sabará se solidariza com a dor de todos os sabarenses que perderam alguém pela Covid, e agradece aos profissionais de saúde que atuam no combate ao coronavírus e não medem esforços para salvar vidas.
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