A medicina é algo maravilhoso. A pessoa que se dedica à profissionalização para curar o outro, prevenir doenças, descobrir diagnósticos e salvar vidas é, sem dúvida, alguém com um enorme coração e que se preocupa com a humanidade. Assim é Iliana Lastre Romero, médica da família que há cinco anos se dedica à população sabarense.
Doutora Iliana é cubana e chegou ao Brasil através do Programa Mais Médicos do Governo Federal. Chegando aqui fez um curso em Belo Horizonte de 21 dias, onde aprendeu um pouco mais sobre medicina em geral e ainda o nosso idioma, que a princípio era um grande desafio, em seguida veio para Sabará com os dois filhos e aqui fincou os pés.
São 28 anos de experiência na medicina, nesse período Iliana trabalhou 11 anos em Cuba, seis na Venezuela, dois na Bolívia e há cinco está no Brasil, especificamente em Sabará. Ela disse que sempre teve vontade de trabalhar em outros países e enxerga isso como uma missão. “Eu gosto disso. Conhecer a cultura, conhecer a necessidade de cada país. Para minha profissão, isso também é muito importante”, ressalta.
A medicina é algo que acompanha Iliana desde criança. “ Meu pai trabalhava em um hospital na área de Recursos Humanos, então sempre frequentava o local. Admirava os médicos, os enfermeiros, todo esse mundo da medicina me encantava”, conta. Assim que terminou o ensinou médio, passou pelo chamado “pré-médio”, um curso intensivo de nivelamento, cujo objetivo é fazer com que os alunos revejam as matérias básicas do ensino medio, e dá condições para o ensino universitário, dessa forma conseguiu entrar para a faculdade. Foram seis anos estudando medicina e mais três na especialidade de médico da família.
Desde que chegou em nossa cidade, Iliana encontrou alguns desafios, mas tem conseguido superar muito bem e hoje é reconhecida não só pelos profissionais, mas principalmente pelos pacientes, tanto da Unidade de Saúde do Campo Santo Antonio, onde está atualmente, quanto pelos pacientes da Centro de Saúde da Morada da Serra, onde trabalhou assim que chegou em Sabará. “Dou graças a Deus por ter sido bem acolhida pela população e por todos os colegas. Mesmo no início quando ainda tinha alguma dificuldade com o idioma. As pessoas foram muito pacientes comigo. ”, conta.
Nesses cinco anos muitas coisas a marcaram, mas um atendimento foi especial. “ Era meu primeiro dia no Morada da Serra, então ainda tinha muito problema com o idioma, pois não entendia muito bem. Uma paciente psiquiatra chegou e estava muito agitada, ninguém conseguia acalmá-la. Então eu conversei com ela, no meu idioma, sem medicamentos e consegui acalmá-la. Ela ficou muito tranquila. Isso foi muito recompensador. Hoje, ela é ainda minha paciente”, diz.
Iliana afirma que ama a profissão e sabe o quanto isso é importante para pessoas, principalmente em certas localidades. “Durante todo esse tempo já vi pessoas com muitas necessidades, principalmente na Bolívia e Venezuela, encontrei pessoas que nunca tinham visto um médico antes”, conta.
Aqui em Sabará ela atua como médica da família, sua especialidade. Seu trabalho é feito juntamente com uma equipe com enfermeira, técnica de enfermagem e ACS (Agentes Comunitários de Saúde). O trabalho é muito focado na prevenção, são realizadas visitas domiciliares, atividades educativas e as consultas tradicionais. Doutora Iliana explica que nas atividades educativas se falam de todas as doenças crônicas e não crônicas, orientando e educando os pacientes de diferentes grupos.
A médica explica que a prevenção é fundamental, por isso não só nas atividades educativas, mas também nas consultas, sempre conversa muito com o paciente. “O brasileiro come muito. Então, eu falo que cada pessoa é o que come. Se você come muito e come errado. Você vira hipertenso, diabético e obeso. São os principais riscos que existem aqui no Brasil”, diz.
Em comparação com os locais que já trabalhou ela diz que aqui não existem tantas doenças transmissíveis, como na Venezuela e na Bolívia, mas são muitas as doenças crônicas, por isso é importante a orientação e a mudança de alguns hábitos.
Em relação à sua terra natal, Dra. Iliana afirma a maior diferença da saúde entre os dois países, Cuba e Brasil, é que lá não existe médico particular. Todo tratamento de saúde é estatal. “Lá os recursos são realmente investido em saúde. As pessoas não precisam ficar tanto tempo na fila a espera de uma cirurgia. Gosto do Brasil, mas tenho que reconhecer que a saúde e a segurança em meu país são muito boas”, destaca.
Ela define a medicina como uma verdadeira paixão e aponta as características que um bom médico deve ter em sua opinião. “Um bom profissional de medicina deve ser humano, simples e humilde são características fundamentais para quem quer lograr o bem estar de um paciente. Você pode saber muito de medicina, mas se não é humano não dá certo”, afirma.
Para concluir, Iliana diz que escolheu a profissão por gostar de pessoas. “Médico tem que gostar das pessoas. Tem que olhar o paciente como um ser humano e não como uma mercadoria. Eu gosto de ser médica. Gosto de ajudar, prevenir e curar as pessoas. Amo o que eu faço”, finaliza.
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