Apresentada em um espaço no bairro Nossa Senhora do Ó a peça Bumba Meu Boi foi um sucesso. O espetáculo foi apresentado no domingo, 3 de setembro, pelas participantes Programa Ativo. Há pouco mais de um ano o projeto integra a vida dessas mulheres que através de dois encontros semanais têm descoberto habilidades e talentos que foram deixados de lado no de correr da vida.
O Programa ATIVO (Ações, Talentos, Integração, Vivências, Otimismo) existe desde 2007 e foi desenvolvido pela pedagoga, educadora social e contadora de histórias Márcia Reis. Ela explica que o programa não tem nenhum vínculo político, partidário, religioso ou doutrinário, desenvolve uma linguagem aberta na qual os participantes, além de terem contato uns com os outros, de forma positiva, ainda encontram espaço para se expressarem com confiança e espontaneidade. Através de dinâmicas, jogos, brincadeiras, vivências, reflexões, roda de conversas temáticas e outras atividades lúdicas, os participantes relatam suas experiências, demonstram seus talentos, suas habilidades, capacidades e criatividades.
Após passar pelo Projeto Cidadão e por duas escolas de Belo Horizonte, trabalhando sempre com os pais dos alunos. O projeto foi inserido em um espaço próximo ao Largo do Ó. Destinado ao público adulto, este Programa tem como principal objetivo: a importância do Eu na valorização da vida. Especificamente, o programa pretende reconhecer e valorizar cada participante de forma a contribuir com sua autoestima, desenvolver a socialização, através de ética, valores e cidadania contidos nas atividades, e proporcionar aos participantes, mais confiança e otimismo, a fim de contribuir positivamente em suas relações interpessoais.
Márcia diz que o programa é aberto a homens e mulheres, mas normalmente muitos homens começam a participar, mas acabam deixando de lado quando percebem que têm que lidar com suas emoções.
Atualmente, nove mulheres com idades que variam entre 60 e mais de 80 anos, participam dos encontros que acontecem todas as terças e quintas na quadra, localizada atrás da Igreja do Ó.
E foram essas mulheres que interpretaram a história do “Bumba Meu Boi” uma das lendas mais conhecidas do nosso folclore. Além delas, participaram da peça integrantes do Grupo Só Conto.
Márcia conta que escolheu a lenda do Bumba Meu Boi para ser interpretada porque é uma festa que tem em todo Brasil e é riquíssima, pois reúne todos os elementos da nossa sociedade. “É uma mistura de fé, crença e religiosidade. Muito sincretismo. Além da lenda representar três elementos de nosso povo. O branco, o negro e o índio”, destaca Márcia. A pedagoga afirma que história ainda trabalha muito bem a parte psicológica, o que foi muito importante para as mulheres que interpretaram. A obra foi uma adaptação do livro de Toni Brandão.
“O Bumba Meu Boi ‘bombou’”, diz Márcia. Ela fala que o público foi muito maior do que o esperado ultrapassou 150 pessoas. A planteia, composta em sua maioria por amigos e familiares das novas atrizes, se divertiu muito com a peça e isso foi muito recompensador para o grupo.
Márcia conta que o mais importante da apresentação foi que isso contribuiu para elevar a autoestima de muitas que participam do programa e até para a realização do sonho de outras que nunca imaginavam que ainda poderiam participar de um espetáculo teatral. “Uma das integrantes de 65 anos, fez um dos personagens principais. Ela disse que sempre gostou de teatro, mas nunca teve oportunidade por questões financeiras e nunca imaginou que a essa altura da vida teria essa oportunidade, então foi a realização de um sonho”, disse.
Dessa forma o Programa Ativo tem atingido sua meta que é buscar esses meios e compartilhá-los, proporcionando uma vida com mais qualidade, já que suas atividades acabam resultando em mudanças significativas no modo de pensar e agir, e, especialmente, na autoestima dos participantes que fazem dos encontros um meio de ampliarem seus conhecimentos através da troca de experiências.
Quem quiser participar do programa, basta comparecer à quadra atrás da Igreja do Ó. Rua Alice Borges Correa, 338 – B. Nossa Senhora do Ó. As terças e quintas entre 7h30 e 9h30, as participantes pagam uma taxa de R$ 50 por mês para a manutenção do programa.
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