
Na última crônica, quando contei um ?causo? denominado Gaticídio, houve um descuido. Devemos ter responsabilidade no que fazemos, falamos, ou escrevemos. E parece que andei me esquecendo desse reto ensinamento. Para não perder a piada, fiquei na iminência de perder amigos e influenciar negativamente. As piadas servem para a gargalhada do momento. As amizades devem ser duradouras. Se possível, eternas. Influenciar negativamente? Nem pensar.
Realmente, pisei na bola. O amigo Amaral apenas me contou um antigo ?causo?. E eu, seguindo a máxima de ?apurar o fato e depois inventar à vontade?, fantasiei o resto. O arrependimento do Amaral se fez há muito tempo. O meu pesar agora se mostra.
Violência é violência. Não há desculpas para abrandá-la. A intolerância, em qualquer situação, nunca pode ser justificada. Ao inventar o ?causo?, apenas pensei na risada das pessoas. Mas a piada poderia sugerir a alguns que a maldade contra os animais não fosse, sempre, miserável covardia. E passível dos rigores da lei.
Amigos tentaram me consolar. Os que me conhecem - disseram - jamais irão imaginar que eu incentivo atos violentos contra bichos, ou plantas, ou seres humanos. O que escrevi - continuaram - foi apenas uma boa piada. Agradeço-lhes a tentativa de consolo, mas insisto: faltou-me cuidado. Foi uma piada sim, mas as piadas podem ser de mau gosto.
Suportemos os pobres gatinhos em suas pequenas e raras inconveniências. Pena que não possam ajudar a gente a sumir com os ratos de duas patas que nos roem a vida descaradamente, ou permitem que outros o façam. Essas ratazanas, sim, mereceriam boa dose de um ?chumbinho? que as afastasse da vida pública. Mas nós, a cada eleição, as brindamos com a irresponsável tolerância de nosso voto.
A defesa da natureza é ação das mais necessárias e nobres. É o que se espera das pessoas de bem. Os animais são companheiros na caminhada pela vida. Nada nos dá o direito de selecionar, entre gatos e canários, os que podem ou não viver. Quem assim age certamente será o mesmo que segregará seres humanos, selecionando-os pela cor da pele, posição social, crenças religiosas e opções de vida.
Ficam minhas desculpas. Humildes desculpas. Agradeço aos que me puxaram as orelhas. Errarei ainda muito. Mas as minhas orelhas aqui estão. São duas e servem para serem puxadas. Sem piedade.
Luiz Alves