Após três anos da resolução que proíbe a recusa da celebração de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, casais optam por legalizar a relação amorosa
No dia 14 de maio completou três anos da resolução nº 175 que dispõe sobre a celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas do mesmo sexo. A partir desta data os cartórios de todo o Brasil não puderam mais recusar a celebração de casamentos civis de casais do mesmo sexo ou deixar de converter em casamento a união estável homoafetiva.
O reconhecimento de casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil como entidade familiar, por analogia à união estável, já havia se tornado possível em maio de 2011, quando foi declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A aprovação deu liberdade para os casais homoafetivos realizarem seus desejos de viver o amor sendo reconhecidos pela lei.
Dados do IBGE apontam que só em 2014, ano seguinte da aprovação da resolução 175, foram registrados 4.854 casamentos entre cônjuges do mesmo sexo no Brasil, um aumento de 31,2% em relação a 2013.
Em Sabará, no cartório do bairro Ana Lúcia, pelo menos nos últimos dois anos, foi realizado apenas um casamento deste formato. O segundo acontecerá no próximo dia 15 de junho e será entre as autônomas Bárbara Caroline Souza Costa, 25, e Ana Carolina Sousa Társia, 24.
As duas estão juntas há um ano e oito meses e afirmam que a desejo de casar é simplesmente baseado no amor que sentem uma pela outra.
Elas afirmam que a lei é boa para resguardar seus direitos, aumentar a segurança e também o respeito. “Antes as pessoas viviam em uma relação homoafetiva e construíam uma vida juntas, se separassem tinham muitos problemas ou caso algum morresse, os bens acabavam ficando com a família. Agora estamos protegidas pela lei.”, diz Ana Carolina.
Embora, acreditem na lei e achem que ela veio para ajudar, o casal ressalta que mesmo se não fosse aprovado, elas viveriam juntas da mesma forma. “O que nos fez decidir casar foi o fato de querermos estar juntas, compartilhar nossas vivências, nossos sentimentos, a lei não tem tanta influência. O que é dito lá fora não interfere, a gente vive o que é nosso”, afirma Bárbara.
O casal se conheceu em um site de relacionamento, conversaram pouco pela internet e logo marcaram o encontro. A partir deste dia o namoro aconteceu rápido. Embora, tenham pouco tempo de união, elas garantem que o relacionamento foi intenso, já passaram por muitas situações difíceis e algumas “idas e vindas”.
Em relação à homossexualidade, elas dizem que passaram por algumas dificuldades e que a princípio foi difícil a relação com a família.
Ana Carolina diz que teve problemas em casa, seu pai aceita sua homossexualidade, mas prefere não tocar no assunto. Já sua mãe a compreendeu e inclusive a ajudou a se aceitar. “Eu digo que minha mãe me ajudou a sair do ‘armário’. Ela conversou comigo e depois disso eu me aceitei. Depois disso, ficou tudo mais fácil”, conta.
Já para Bárbara foi mais difícil. Filha de pais evangélicos, quando assumiu, ouviu muitas coisas dos pais que acabaram levando à depressão. Atualmente, os pais são separados, a mãe já a compreende e tem uma boa relação com a filha, mas o pai ainda não conversa com ela.
Passadas as dificuldades com a família, o casal está muito feliz com o momento que está vivendo. A princípio, vão morar na casa da mãe de Ana Carolina, mas em breve esperam encontrar um cantinho só delas. Em relação a filhos, por enquanto apenas uma de quatro patas. Para o dia especial não estão programando uma grande festa, mas a Lua de Mel está garantida.
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