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90 anos de vida, 72 de música

90 anos de vida, 72 de música

14/03/2016 15h59
Por: Glaucia Melo Clark
90 anos de vida, 72 de música

Funica comemora suas nove décadas como sempre viveu, com a família, amigos, canções e muita alegria

Na sexta-feira, 4 de março, o Teatro Municipal de Sabará recebeu uma grande festa para comemorar os 90 anos de Antônio Apolônio Evangelista, ou simplesmente, Funica, apelido que lhe acompanha desde a infância.

A festa foi uma realização da Prefeitura de Sabará através da Secretaria Municipal de Cultura. O músico e compositor, Alexandre Piló, abriu a noite de homenagens com uma música instrumental, tocada lindamente em seu violão. Em seguida foi a vez de o Trio Bola Preta apresentar choros e boleros, estilos preferidos de Seu Apolônio. E como não poderia faltar a Orquestra e o Coral da Sociedade Santa Cecília também se apresentaram. As músicas de serestas fecharam as apresentações, amigos de Funica subiram ao palco e o grande homenageado também, entre eles, o clarinetista Alphonsos Melo, sabarense que toca na Banda de Música da cidade de João Pessoa e tem Funica como uma grande inspiração.

No auge de seus 90 anos, este ilustre senhor diz que dedicou mais de 70 anos à música, mas nunca estudou o ofício. Teve um professor que lhe ensinou apenas o princípio musical, o restante ficou por conta da prática, experiência, talento e um ouvido excepcional.

Apolônio toca clarinete e saxofone, diz que aprendeu muito ouvindo. “Tudo era fácil, pegava a música ouvia, uma ou duas vezes e já a tocava. Hoje, por causa da idade, o ouvido já não está tão bom”, conta sorrindo. Apesar de afirmar que o ouvido não está a mesma coisa quem o ver tocando sabe que isso é pura modéstia.

Em seus 72 anos de música, mais de 60 foram dedicados à Banda Santa Cecília, talvez o integrante que tenha ficado mais tempo na Sociedade. Mas há dois anos ele deixou a Santa Cecília. “Banda de música é pesado, com a idade e o cansaço foi ficando difícil”, diz.

Isso não quer dizer que o sax ou a clarinete se calaram, Funica continua tocando. Todas as semanas, seus instrumentos são ouvidos no Terço dos Homens, além disso, participa de serestas e corais. O talentoso músico também compõe, em todo esse tempo já foram várias composições, entre chorinhos e boleros.

Apesar de sua vida ser permeada pela música, Funica nunca pôde se dar ao luxo de viver de sua paixão. Para criar sua família de cinco filhos trabalhou duro como mestre de obras durante toda vida e o clarinete e o sax ficaram apenas como hobby, apesar de já ter sido remunerado algumas vezes em apresentações.

Atualmente, com cinco filhos, nove netos e cinco bisnetos, Funica lamenta que ninguém foi para o lado musical, pelo menos até hoje, a esperança são os bisnetos. “Meu filho nunca pegou nos meus instrumentos. As meninas são todas professoras, foram para educação, mas têm afinação”.

Parabenizamos Funica por essa data tão especial e desejamos que ele continue, ainda por um bom tempo, caminhando, cantando e seguindo a canção.

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