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MÃE E FILHA: mulheres de fé e coragem

MÃE E FILHA: mulheres de fé e coragem

11/03/2016 13h10
Por: Glaucia Melo Clark
MÃE E FILHA: mulheres de fé e coragem

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,

removendo pedras e plantando flores” Cora Coralina

Hoje, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia tão especial vamos contar um pouco da história de duas mulheres que merecem aplausos. Que assim como Cora Coralina, uma mulher inspiradora, estão escalando a montanha da vida removendo pedras e plantando flores. Tereza Cristina Correia Borges Umbelino, 54 anos, e Ana Carolina Borges Umbelino, 27, mãe e filha.

Cristina é professora aposentada e sempre trabalhou muito educando várias gerações de sabarenses. Há cerca de seis anos foi acometida por um grave câncer, aquela seria sua maior batalha na vida e com determinação, apoio de familiares e principalmente muita fé conseguiu vencer.

Ana Carolina, assim como a mãe é dedicada e determinada, o que não poderia ser diferente. A jovem musicista é habilitada em clarinete, dá aulas de música e foi a primeira mulher a assumir a presidência da Sociedade Musical Santa Cecília de Sabará, que tem 234 anos de história, sendo uma das bandas mais antigas de Minas Gerais.

Movida pela fé

Tereza Cristina chegou em Sabará aos 11 anos de idade, vinda de João Monlevade, sua cidade natal. Seu pai trabalhava na Belgo Mineira e foi transferido no início da década de 1970. Aqui, Cristina concluiu seus estudos, formou-se em letras e se tornou uma educadora exemplar.

Logo após se formar, começou a trabalhar como professora. Seu primeiro emprego foi na Escola Estadual Paula Rocha, onde deu aula para o antigo pré-primário, também deu aula em escolas de Nações Unidas e General Carneiro e ainda em escolas particulares da cidade, foram 32 anos dedicados à sala de aula.

Em 1983, Cristina se casou com Carlos Roberto Umbelino e teve dois filhos, Henrique e Ana Carolina. Nos últimos tempos a família cresceu, veio a netinha Manuela que está com um ano e oito meses. “É a nossa paixão. O que dá vontade de viver ainda mais”.

O marido que a acompanha por mais de 30 anos foi seu porto seguro no momento mais difícil de sua vida. Em 2010, Cristina descobriu um câncer, o tumor estava em um estágio avançado e a luta foi árdua. Ela conta que o marido a acompanhou em todas as seções de quimioterapia, que às vezes duravam oito horas. “Ele ficou comigo o tempo todo e não deixava ninguém fazer esse papel. Ele foi meu chão”, lembra com os olhos marejados.

Além do marido, Cristina contou com o apoio dos filhos, do genro, de sua mãe, irmãs e cunhadas. “Graças a Deus pude contar com o apoio, carinho, dedicação, de todos meus amigos e familiares, inclusive com a família do meu marido”, diz.

“Realmente sou uma mulher guerreira. Foi muito sofrimento. Passei por um período difícil, mas com fé e vontade de viver a gente vive”, conta. Cristina sempre foi religiosa e muito devota de Santo Antônio. Durante o tratamento uma irmã da professora fez uma viagem à Europa, quando visitou as cidades de Assis, Fátima e Pádua. Cristina fez questão de fazer pedidos para que a irmã levasse em sua viagem. “Escrevi três papeis com meu pedido e minha irmã colocou um em cada lugar.Para Santo Antônio de Pádua, que sempre fui muito devota, Nossa Senhora de Fátima que também me tornei ainda mais devota e ainda São Francisco de Assis”, conta.

E foi dessa forma, rezando com muita fé não só dela, mas também daqueles que rodeiam que Cristina foi curada. Além disso, foi preciso disciplina e dedicação ao tratamento que por muitas vezes chega a ser bem doloroso.

Foram dois anos e meio de tratamento, entre cirurgias, radioterapia e quimioterapia. O tratamento foi difícil, pois o tumor era grande e chegou a atingir a coluna, fraturando duas vértebras e ainda comprimiu um rim, obrigando Cristina a retirá-lo.

O diagnóstico da cura já foi dado há três anos, mas o controle é feito cada quatro meses. Ela diz que os médicos ficam surpreendidos, mas não falam em milagre. “Lembro um dia que eu estava muito mal, sentindo muita dor e ouvir o médico dizendo para meu marido: ‘ Agora é só rezar’, ou seja, eles já tinham feito de tudo”, conta emocionada.

Depois de tanta luta, Cristina está muito bem. Atualmente, dá aulas particulares em casa, continua a exercer sua profissão com muito orgulho e espalhando conhecimentos. Como bem dizia Cora Coralina, muito admirada por Cristina: “ O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”. E Tereza Cristina, com certeza terá muito o que colher!

Embalada

pela canção

A colheita de Cristina começa em casa. A filha Ana Carolina diz que toda experiência da mãe serviu pra ensiná-la, pois ela aprendeu a superar obstáculos colocados pela vida e a dedicar mais tempo para a família. Além de ter determinação e fé, em tudo que vai fazer.

Ana Carolina Borges Umbelino é musicista com bacharelado em clarinete licenciatura.

A música começou muito cedo em sua vida, nascida em uma família musical, onde o pai, Carlos Roberto Umbelino, sempre fez parte da Banda Santa Cecília, ainda muito novinha já acompanhava a banda nas procissões e festividades, depois passou a ajudar, a princípio carregava as pastas dos músicos e aos nove anos decidiu entrar para a Santa Cecília e nunca mais saiu.

Presente em dois terços de sua vida foi na Sociedade Musical Santa Cecília que Ana Carolina aprendeu seus primeiros acordes, lá ensinou e ainda ensina para vários alunos e há sete anos é a presidente. Atualmente, a Sociedade tem quatro projetos, conta com o coral adulto e infanto- juvenil, a orquestra de câmara e a tradicionalíssima banda.

A musicista conta que quando passou a atuar também na direção da Santa Cecília auxiliando seu pai que fazia parte da diretoria, a Sociedade estava apenas com a banda, a orquestra e o coral adulto haviam sido desativados há décadas, então começou uma luta para reativá-los. “Chamei meus amigos músicos para dar aulas de forma voluntária, para que juntos conseguíssemos dar mais vida à entidade”. Essa força de vontade e determinação, não só deu mais vida à entidade, como levou Ana à presidência, onde ainda permanece, já em seu quarto mandato.

Quando assumiu já havia conseguido através do apoio de todos da antiga diretoria e também dos amigos, voltar com o Coral Adulto e com a Orquestra de Câmara (composta por menos integrantes e menos instrumentos que uma Filarmônica) que tinham sido desativados na década de 1970, a conquista se deu através da Lei Rouanet.

Após assumir o cargo, foi criado o coral infanto-juvenil que hoje conta com 46 integrantes.

Ela disse que quando assumiu a presidência ficou com um pouco de receio, pois ainda era muito nova, tinha 18 para 19 anos, e foi muita responsabilidade assumir uma entidade tão antiga.

Ela diz que foi um trabalho árduo para manter, precisou da ajuda de muitos voluntários, se empenhou em projetos, mas o resultado pode ser visto na quantidade de músicos que fazem parte da entidade, hoje gira em torno de 120, entre os quatro grupos. Só na banda são 60 músicos.

Ela diz que apesar de tanto trabalho vale a pena fazê-lo de forma voluntária, pois conseguiu renovar a Sociedade Santa Cecília e oferecer o ensino musical para mais pessoas através dos grupos. Além disso, enxerga sua função como uma forma de agradecer à Santa Cecília por tudo que a entidade fez por ela. “O que me impulsiona é o desejo de continuar algo que me foi passado. É passar isso para frente”, diz.

Ana ainda dá aulas de clarinete em um projeto social, em Belo Horizonte e cursa o mestrado em Educação Musical. Além disso, faz parte do Trio Allegro, que é composto também por seu noivo Lucas Duarte Neves e o amigo Carlos Márcio, todos “filhos” da Santa Cecília. Os músicos apresentam em casamentos e cerimônias diversas. Ela conta que nos últimos tempos Trio Allegro tem ganhado novos integrantes, embora o nome permaneça como Trio, o grupo oferece vozes e outros músicos.

E é dessa forma que essa talentosa musicista pretende continuar sua vida, após ter herdado o talento musical do pai e a arte de ensinar da mãe, Ana Carolina semeará ótimas sementes.

Para encerrar, vamos relembrar mais uma vez Cora Coralina, dessa vez falando sobre a beleza e a força da música; “não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos”.

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