Na manhã do domingo, dia 8, o Teatro Municipal foi palco de uma atração diferente; objetos recicláveis viraram instrumentos musicais, e os meninos e meninas do Grupo das Samaritanas (projeto Casa da Criança) fizeram um show de perseverança. Além da melodia, poesias também encantavam os presentes. As apresentações fizeram parte das atividades realizadas nas oficinas de Percussão e Poesia, ministradas no projeto social “Casa da Criança Professor Siqueira” e “Roça Grande Melhor”, do Grupo das Samaritanas.
De acordo com Stela Fontanive, assistente social e vice-presidente do Grupo, o objetivo do evento foi fazer um encerramento das oficinas do ano. Ao todo, 23 crianças participaram da ação no Teatro.
“Foi importante para mostrarmos para a comunidade o trabalho que executamos nos projetos. É importante dizer também que, além de trabalhar a poesia e a música, essa atividade de percussão conscientiza as crianças sobre a preocupação com o meio ambiente já que os instrumentos utilizados pelo professor são feitos em sua maioria por materiais recicláveis; garrafa pet com arroz, canos, cabos de vassoura, etc”, disse Stela.
O Grupo das Samaritanas é uma organização não governamental, sem fins lucrativos e desde 1978 atua na defesa dos direitos da criança e do adolescente. O trabalho é desenvolvido em consonância com a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, Constituição Federal Brasileira e Estatuto da Criança e do Adolescente. A Organização possui duas frentes de trabalho denominadas unidades operacionais; a primeira “Casa da Criança Professor Siqueira”, sede fundada em 1978, a segunda “Projeto Roça Grande Melhor” iniciado em 2004. Ao todo, nos dois locais, 150 crianças e adolescentes são atendidos.
Além das oficinas de percussão e poesia, as duas unidades oferecem aula de capoeira e esportes. Como atividades complementares aos estudos, os estudantes ainda recebem auxilio no dever de casa, ajuda nos trabalhos escolares e pesquisas. “O bairro é carente de espaço, usamos o que temos aqui para auxiliar nossos meninos da melhor maneira possível. Cedemos ainda nossas instalações para a comunidade realizar atividades como reuniões de associação de bairro e ensaios de quadrilha junina, entre outras coisas”, ressalta Stela.
DIFICULDADES
Como em toda cidade, em Sabará também não é fácil manter projetos sociais, ainda mais quando a “ação” não traz um benefício direto para aqueles que dirigem o município. No grupo das Samaritanas e suas unidades atendidas não é diferente. As dificuldades vão desde o pagamento de uma conta de água, luz e telefone, até alimentação e continuidade das atividades oferecidas.
“Nós temos enfrentado muitas dificuldades para fidelizar parcerias e com isso dar continuidade em algumas atividades, como a oficina de percussão, por exemplo. Tínhamos uma parceria com uma ONG alemã que nos garantia cerca de 90 % da nossa receita, chegamos a ter 600 crianças nas duas unidades. Com o fim dessa parceira, ficou mais difícil nossa situação. Temos conseguido apoios limitados, empresas que financiam uma determinada oficina e depois se encerra, não dando continuidade nos projetos”, explica Alexandre Corradi, advogado, pedagogo e presidente do Grupo.
Alexandre, Stela e dona Evane Fantini (diretora financeira) são os únicos voluntários da Organização, os outros 14 funcionários que trabalham nas duas unidades são contratados, dentre esses, cinco são cedidos pela Prefeitura. “É importante ressaltar que estamos à disposição para quem desejar conhecer as atividades, nossas crianças ou os projetos; ou queiram nos ajudar de alguma forma, seja com doações ou trazendo atividades que possam ser executadas dentro das unidades sociais. Recebemos uma subvenção anual que é repassada por lei municipal e isso que tem nos ajudado no momento”, disse Corradi.
Alexandre e Stela são diretores da Organização há cinco anos, mas sempre foram colaboradores do local mesmo antes de assumir a diretoria. “Acreditamos muito neste trabalho. Investir nas crianças é o mesmo que apostar na construção de um mundo melhor; acreditamos nisso”, conclui Stela Fontanive.
APADRINHAMENTO
A Organização trabalha ainda com o programa de apadrinhamento. Para apadrinhar uma das crianças/adolescentes é preciso preencher um cadastro disponível no site do Grupo, onde são coletados dados pessoais do voluntário assim como a assinatura de um termo de compromisso. O padrinho colabora com uma doação mensal de 60 reais, durante 12 meses. Esse voluntário vai recebendo durante esse período de doação, cartas e dados com retorno da evolução do afilhado. O padrinho também pode conhecer o afilhado e a realidade social em que vive.
“Nas datas comemorativas como natal e dia das crianças, o padrinho pode visitar o afilhado. A única coisa que exigimos é que esses encontros sejam feitos dentro das instituições, para resguardar a segurança da criança”, explica Adriana Dias Norberto, pedagoga e gerente da Casa da Criança.
Ainda segundo Adriana, além do bairro Paciência, a Casa da Criança atende pessoas dos bairros Adelmolandia, Cabral, Córrego da Ilha, entre outros. Já a unidade de Roça Grande atende também os Rosários I, II e III.
“Abrimos matriculas em dezembro, a prioridade é para quem já está inscrito. Atualmente as vagas são restritas devido à atual condição financeira do local, no inicio do ano chegamos a ter uma fila de espera de mais de 40 pessoas. A maior dificuldade é pagar a mão de obra do pessoal, pois algumas das poucas verbas que entram já vêm em formas de projetos e a mão de obra acaba sendo o mais caro para a casa, já que para este gasto dificilmente se consegue doações. Por conta disso, fica difícil abrir vagas para atender toda a demanda da comunidade”, conclui Adriana.
As duas unidades do Grupo das Samaritanas funcionam de segunda a sexta-feira e atende pessoas de 4 a 17 anos de idade. A Casa da Criança funciona no bairro Paciência, na Av. Albert Scharlé, 1441; já o Projeto Roça Grande Melhor, está localizado na Av. Dr. Henrique de Melo, 446, bairro Roça Grande. Informações sobre como apadrinhar uma das crianças ou realizar doações podem ser obtidas na página www.samaritanassabara.org; ou nos telefones 3674-6756 e 3674-4739.
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