Uma obra de arte que se perde é como um pedaço da história que se vai; história de uma cidade, de um artista, de uma cultura. É a memória de uma sociedade que pode ser esquecida. Alguns espaços são responsáveis pela preservação de tudo aquilo que o tempo pode destruir; como igrejas, museus, observatórios, bibliotecas, etc.
Ao longo de seus 304 anos de elevação à Vila, Sabará preserva inúmeras histórias. O próprio município respira cultura, seja no Teatro Municipal, praças e ladeiras do centro histórico, ou ainda nas inúmeras igrejas espalhadas pela cidade. Esses templos de orações carregam a arte daqueles que passaram pela cidade ainda na época de sua fundação; como algumas das principais obras do mestre do barroco mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, expostas na Igreja do Carmo.
Tamanha a importância dessas obras que quando algumas são roubadas ou simplesmente retiradas dos seus locais de origem, são imediatamente notadas pelos moradores. Assim tem acontecido com algumas imagens sacras pertencentes à Sabará.
O Santuário Arquidiocesano Santo Antônio de Roça Grande recebe centenas de fieis todas as semanas. Como o local foi alvo de assaltos em outubro do ano passado, a Arquidiocese de Belo Horizonte - responsável pelas igrejas de 31 cidades mineiras, incluindo Sabará; retirou quatro imagens do Santuário, e guardou na Cúria da Capital. As imagens de Nossa Senhora de Montserrat, Nossa Senhora de Belém, Santo Antônio e São Sebastião; ficavam expostas no altar da “igreja antiga” de Santo Antônio e na sacristia da Basílica Nova.
Durante todo o mês, vários devotos procuraram a Folha para que pudéssemos localizar onde estariam às imagens sacras. Segundo a comunidade, as obras foram retiradas em novembro do ano passado e nenhuma informação foi passada. Voluntários que trabalham na igreja disseram ainda que os locais onde as imagens ficavam nos santuários, estão vazios ou ocupados por outras peças. “Não podemos deixar nossas imagens irem embora dessa maneira, já que elas pertencem à comunidade. Queremos saber o motivo das retiradas e quando elas voltam”, disse uma das zeladoras do local.
Segundo o historiador sabarense, Zezinho Bouzas, as obras fazem parte da história e da trajetória de fé de Sabará. E como pertencem à comunidade, os moradores precisam de respostas sobre a localidade e quando essas peças retornam para o município. “Eu fiquei sabendo que os Bispos levaram as obras somente porque alguns amigos me contaram, ou seja, nada foi divulgado. A imagem de Nossa Senhora de Montserrat, por exemplo, talvez seja a mais antiga de Sabará e quem sabe até de Minas Gerais. Ela é feita de terracota e deve ter vindo com os primeiros bandeirantes. Particularmente fico preocupado com a retirada dessas peças que tem um valor histórico incalculável para o município. O povo precisa saber quando elas voltam”, disse.
O Padre José Marcilon da Silva assumiu a paróquia de Roça Grande em dezembro do ano passado quando o antigo pároco pediu para sair devido a falta de segurança no bairro. Segundo ele, quando assumiu a comunidade, as imagens já não estavam no município e como foi questionado pelos fiéis, procurou a Arquidiocese para saber o paradeiro das obras.
“Não me preocupei de imediato com as imagens, pois elas estão nas mãos dos seus responsáveis, que é a própria Arquidiocese. Fui até a Cúria para confirmar se as obras estavam lá e assim tranquilizar a comunidade. Dom João Justino juntamente com o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Azevedo, acharam por bem que as imagens fiquem guardadas em BH até que as nossas igrejas aqui do bairro, ou mesmo a casa paroquial, ofereçam mais segurança. Acho muito válida a manifestação dos moradores, mostra que eles estão vivos na igreja e isso é legal. É importante dizer que as imagens são da comunidade e elas voltarão; não posso dizer quando, pois é preciso trabalhar essa estrutura para recebê-las aqui, mas temos a certeza que elas retornarão ao bairro”, explicou.
A Arquidiocese
Em resposta à Folha, a assessoria de comunicação e imprensa da Arquidiocese de Belo Horizonte confirmou que as imagens foram levadas para a Cúria Metropolitana por motivos de segurança.
“As imagens estão em ambiente seguro e adequado na Mitra Arquidiocesana, sempre com o cuidado de preservá-las e protegê-las da melhor maneira seguindo orientações especializadas. As obras foram, provisoriamente, encaminhadas para a Mitra com o propósito de garantir maior segurança, diante da situação de violência no local, incluindo o assalto ao sacerdote, sofrido no interior do Santuário. As obras não serão restauradas, por não necessitarem de tal procedimento e retornarão ao Santuário brevemente, após avaliação técnica sobre o conjunto de condições da preservação, integridade e, sobretudo, os aspectos envolvendo a segurança”.
DIVERSÃO EM CENA Diversão em Cena estreia temporada 2026 em Sabará com a peça infantil “As Aventuras de Bininha”
Sabores Ancestrais Sabará ganha webséries sobre Ora-pro-Nóbis e Jabuticaba para valorizar a gastronomia local
CONCERTO Livro e concerto resgatam trajetória de abolicionista apagado da história de Sabará
Cultura Estreias e atrações em novos formatos são destaque na programação da Rede Minas
FliMinas 2026 Bernardo Lopes leva Sabará à FliMinas 2026 com debates sobre literatura, tecnologia e produção independente
Cultura Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais abre consulta ao público sobre ocupação de espaços culturais Mín. 14° Máx. 25°
Mín. 15° Máx. 26°
Tempo limpoMín. 14° Máx. 25°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA Ser ou não ser?
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
