Um dia histórico e de festa, esse 22 de setembro de 2015. Em reunião que terminou no início da noite, o Tribunal Superior Eleitoral autorizou a criação da “Rede Sustentabilidade”, projeto político liderado pela ex senadora Marina Silva.
A tentativa de registro do partido já havia sido feita em 2013, mas naquela oportunidade Marina não conseguiu apresentar o número de assinaturas de apoio exigido pela legislação.
Das mais de 498 mil assinaturas apresentadas ao TSE, grande parte delas saiu de Sabará. Em 2013, quando foi feita a primeira tentativa de registro, aconteceu uma grande mobilização em nossa cidade, com a participação de lideranças políticas e simpatizantes de todas as idades, com direito a voto.
O carinho e respeito da população sabarense por Marina Silva ficou claro nas eleições de 2010 e 2014 quando ela obteve expressiva votação no município.
No último dia nove de setembro, lideranças nacionais, estaduais e municipais da REDE, convidadas pelo empresário sabarense Geraldo Ribeiro, se reuniram no Cravo Vermelho com vereadores, ex prefeitos, líderes de partidos e de entidades de classe de Sabará e região, para apresentar as propostas do partido.
Eles mostraram as diretrizes a serem seguidas por aqueles que dele fizerem parte e, deixaram impressionados os presentes com a responsabilidade e inovação que nortearão os destinos da REDE.
Para a idealizadora do movimento, Marina Silva, a legalização do partido é muito mais que uma vitória, é a realização de um sonho.
Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida Maria Osmarina Silva de Souza em oito de fevereiro de 1958, na cidade de Rio Branco, capital do Acre, é um historiadora, professora, psicopedagoga, ambientalista, e política.
Nos seus 30 anos de vida pública, ganhou reconhecimento dentro e fora do país pela defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável. Construiu sua reputação em mandatos de vereadora, deputada estadual e senadora – eleita sempre com votações recordes.
No período em que esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, entre janeiro de 2003 e maio de 2008, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser vista também como gestora competente.
Na pasta, uma de suas conquistas foi o Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, que contou com o esforço integrado de 14 ministérios. Graças ao projeto, o ritmo de desmatamento da Amazônia caiu 57% em apenas três anos, passando de 27 mil km² para 11 mil km² ao ano. Mais de 1.500 empresas ilegais foram desmanteladas, com a prisão de 700 pessoas. A apreensão de madeira somou um milhão de metros cúbicos. No final de 2007, o jornal britânico “The Guardian” incluiu a então ministra entre as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta.
Foi a proximidade com Chico Mendes, que levou Marina a se dedicar de corpo e alma às lutas sociais.
Em 1984, ela ajudou a fundar a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre. O líder seringueiro foi o primeiro coordenador da entidade e Marina, a vice coordenadora. A convivência entre os dois duraria mais quatro anos, até Chico Mendes ser assassinado. Filiada ao PT, Marina disputou seu primeiro cargo público em 1986, ao concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ficou entre os cinco mais votados, mas o partido não atingiu o quociente eleitoral mínimo exigido.
Os sucessos eleitorais de Marina começaram dois anos depois, ao se eleger vereadora, a mais votada de Rio Branco. Uma de suas primeiras manifestações foi devolver o dinheiro de gratificações, auxílio-moradia e outras mordomias que os demais vereadores recebiam sem questionamento. Com atos como esse, atraiu a ira dos adversários políticos ao mesmo tempo em que obtinha um reconhecimento popular que se manifestou na eleição seguinte, em 1990, quando se tornou deputada estadual, novamente com votação recorde. Em 1994, aos 36 anos, chegou a Brasília como a senadora mais jovem da história da República. Foi reeleita em 2002, com votação quase três vezes superior à anterior.
No Senado, foi a primeira voz a defender a importância de o governo assumir metas para redução das emissões de gases do efeito estufa. Também cobrou do Executivo federal e do Congresso a inclusão da meta brasileira, com os percentuais para a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2020, no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aprovado e sancionado pelo presidente antes da realização da Conferência de Clima (COP15), em dezembro de 2009, em Copenhague.
Em 19 de agosto de 2009, deixou o PT, manifestando seu desacordo com uma “concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida”.
Em 2010, filiada ao Partido Verde (PV), Marina Silva disputou a Presidência da República. O objetivo de sua candidatura era promover um acordo social no Brasil que integrasse avanços dos governos passados e apontasse para uma economia de baixo carbono.
Com apenas um minuto e 23 segundos na propaganda eleitoral gratuita na televisão, muito menos do que seus principais adversários, Marina sabia das dificuldades de sua candidatura. Para superar essa limitação, decidiu privilegiar a internet e as redes sociais, uma estratégia inédita no Brasil. A decisão foi fundamental para a divulgação de suas propostas e a conquista de 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. Foi o melhor desempenho de um terceiro colocado desde a redemocratização do país.
Com a frase: “Queremos resgatar as motivações originais deste projeto, agora participando da construção de uma nova política efetivamente democrática, ética, ecológica, participativa, inovadora e conectada com os desafios e oportunidades que o século 21 nos impõe”, Marina, junto com outras 15 lideranças, deixava o PV e lançava o Movimento por uma Nova Política, um espaço colaborativo, suprapartidário, que discutiria caminhos para a superação das carências de representatividade do sistema político brasileiro e a construção de um modelo no qual economia e preservação dos recursos naturais integrasse a mesma equação.
Surgia a Rede Sustentabilidade, lançada em 16 de fevereiro de 2013, durante evento que reuniu mil e 700 pessoas em Brasília. Nos meses seguintes, cerca de 10 mil pessoas saíram às ruas em todo o país para coletar as 492 mil assinaturas exigidas por lei para a oficialização do novo partido.
Como não conseguiu o número exigido pelo TSE para o registro do partido, Marina e lideranças discutiram possibilidades para que ela não ficasse de fora da disputa presidencial de 2014.
Em 28 de junho, convenções do PSB e dos outros partidos da Coligação Unidos pelo Brasil oficializaram a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e de Marina Silva como candidata a vice.
No dia 13 de agosto, a morte de Eduardo Campos, em acidente aéreo durante a campanha choca o país. Em 20 de agosto, a Executiva Nacional do PSB confirma Marina Silva como candidata à Presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil. “Vamos levar adiante nossa missão. Devemos isso a Eduardo e ao povo brasileiro”, afirmava a ex-senadora durante discurso para as lideranças do PSB.
Com chances reais de ganhar as eleições, Marina passa a sofrer um bombardeio de mentiras e ofensas em escala raramente vista na política brasileira. Apesar de ser alvo do marketing difamatório e de ter um tempo reduzido na propaganda eleitoral na TV (2min03), consegue 22.176.619 votos, 21,32% do total, e fica em terceiro lugar no primeiro turno.
Agora Marina tem o seu partido. A Rede Sustentabilidade surge como 34ª legenda do país, mas com tempo de TV e recursos do Fundo Partidário mínimos.
O acesso a esses benefícios foi modificado pelo Congresso por partidos da base governistas que temiam a movimentação política da ex-senadora. Para conseguir maior fatia, terá que eleger deputados federais, o que só ocorrerá em 2018.
A REDE já está habilitada a lançar candidatos nas eleições municipais de 2016. Os eventuais candidatos terão que estar filiados ao partido até o próximo dia 30, quando se encerra o prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para filiações partidárias válidas para a próxima eleição.
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