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Cultura POR LUIZ ALVES

Abílio Correia

Abílio Correia

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark

Outrora o nome Abílio Correia ligava-se fortemente ao da Belgo Mineira. Ele era um dos grandes acionista da siderúrgica. Comerciante poderoso, destacava-se, ainda, por ser pai de 14 filhos. Competente, o homem.

Um de seus rebentos me conta que o pai era também disciplinador de mão cheia. Nada de filho folgado. Que a garotada batalhasse. Tudo quanto possuía era fruto de brava labuta. Nada lhe caíra do céu. Fizessem o mesmo.

Certo dia, Abílio reuniu a filharada e lançou um desafio:

- Quem não almoçar hoje ganha cinco mirréis.

Todos topam e botam a grana no bolso. Na hora da janta, as barrigas roncam forte. A gurizada, prato fundo na mão, corre pra mesa. Abílio decreta:

- Quem quiser jantar vai ter que pagar cinco mirréis.

A garotada devolveu a grana, e o Abílio comprou mais algumas ações.

Apenas piada. Ele não era pão-duro assim. Mas o fato é que, na hora das refeições, o Abílio mostrava a que veio. Se um filho murmurasse não gostar de abóbora, chuchu ou mandioca, produtos sempre presentes na dieta familiar, o Abílio mandava que lhe enchessem o prato com os detestados alimentos. E fim de papo. Foi aí um dos 14 anunciou ao resto da meninada:

- Guardem segredo, mas vou dar um golpe no pai. Com ele não funciona essa de choradeira. Vale a inteligência. Vou passar a perna no velho.

Hora do rango. Da cozinha escapa divinal cheirinho de carne cozida. O perfume, raríssimo na casa, ultrapassa os limites do fogão, impregna toda a casa e sai às ruas, anunciando à vizinhança que o homem metera a mão no bolso. A boia, naquele dia, seria especial. Os 14, água na boca, sonham com um pedacinho do fino manjar, pois sabem que outras panelas chegariam, ameaçadoras, repletas de alimentos nem tão sedutores assim. A mãe começa a servir a garotada, e o filho espertinho dá mostras do jogo que arquitetara.

- Mãe, detesto carne. Ainda mais cozida. Não como isso nem a pau!

Sabem a estória do intruso sapo na festa no céu? Ao ser expulso, o sabidinho pediu que o jogassem no fogo, e não na água. Ah, é? Jogaram-no na água, pra que deixasse de ser besta. Dera certo a malandragem do sapo!

Coaxando intimamente sua fina esperteza, o filho sorri, antegozando um prato transbordante de carne. Só que o Abílio também conhecia a estória.

- Mulher, encha a cuia do moleque de chuchu, abóbora e mandioca. E complete com taioba. Já que o pilantra despreza nosso esforço em colocar na mesa a carne - coisa tão fina e cara - que seja feita sua santa vontade.

O coitadinho engoliu a gororoba, reconheceu o fracasso do plano e começou a pensar outra maneira de ludibriar o velho. Empreitada dificílima.

Luiz Alves

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Kleber Christian LourençoHá 2 anos atrásSabaraHistória sensacional
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