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Cultura DONA ZAZINHA

Uma vida dedicada à educação das crianças

Uma vida dedicada à educação das crianças

17/07/2015 10h46
Por: Glaucia Melo Clark
Uma vida dedicada à educação das crianças

As palavras declamadas por dona Isabel nos ajuda a contar um pouco de sua vida que se junta à história de Sabará. Isabel Moreira Januária Lourenço, a dona Zazinha, nasceu em 02 de julho de 1933, em Santo Antônio do Grama, distrito de Rio Casca, na Região da Zona da Mata Mineira; e veio para Sabará com seis anos de idade. Hoje viúva e aposentada, com três filhos já casados, ela lembra que em um passado pouco próximo sua casa não era tão vazia como agora.

A residência onde mora atualmente na Rua Mestra Ritinha, no centro da cidade, já abrigou por 43 anos umas das escolas infantis mais respeitadas de Sabará, o Instituto Educacional Mestra Ritinha que, por quatro décadas, foi à realização do sonho de dona Isabel. “Tudo começou com um entusiasmo, um sonho de menina. Lecionar e trabalhar com crianças veio como vocação. Mesmo sem ter um curso superior, mas com algumas especializações pedagógicas, eu já dava aula em um colégio aqui na cidade, e logo depois fundei uma escola infantil aqui no município”, explica.

A Escola Infantil Chapeuzinho Vermelho funcionou durante um ano em uma sala cedida pela sogra de Isabel, na Rua Kaquende. Naquela época, em 1959, com 18 crianças matriculadas, a professora ainda não sabia que seu sonho de educadora ajudaria no crescimento de tantas crianças. “No ano seguinte a criação da escola, me mudei para esta casa atual na Rua Mestra Ritinha e com a ajuda do meu marido fiz da minha moradia uma instituição de ensino”, diz.

Mais tarde o município já agradecia Zazinha pela sua dedicação. Entendendo que a professora havia se entregado para a cidade, Sabará então a adotou como sua filha. E em julho de 1972, Isabel Lourenço recebeu o título de Cidadã Honorária de Sabará.

A dedicação fervorosa ao Instituto, não somente à educação das crianças, mas ainda na administração da escola, também trouxe desgastes a vida da professora. Segundo ela, foram 43 anos de alegrias, mas também de muita luta. “Eu vivia tudo intensamente. A escola, apesar de particular, tinha alguns problemas financeiros. Muitas vezes o salário da minha própria aposentadoria era usado para pagar os profissionais que aqui trabalhavam. Eu fui ficando cansada”, explica.

Em 2002, com a saúde que não pertencia mais àquela jovem sonhadora, Isabel fechou a escola. A aposentada viu sua casa, que antes era dividida com mais de 150 crianças por período, se esvaziar. Os cômodos foram se tornando ambientes de uma casa comum, salas de aulas voltaram a ser sala de estar, quartos, copa. A cantina passou a ser cozinha. E todo aquele ambiente escolar onde corriam crianças corredor afora, passou ao que talvez seria uma moradia casual, uma casa aconchegante. Nas paredes, retratos de meninos e meninas que por aquelas salas passaram.

Um novo desafio foi lançado para a aposentada. Passar pela recuperação de uma paralisia facial e ainda sobreviver aos próximos anos sem todas aquelas crianças a sua volta. “Eu não sabia o que fazer e me sentia perdida. Precisava reviver; pensar em novas atividades”, disse.

Essas “novas atividades” não foram muito longe dos objetos: caneta e papel. Zazinha voltou sua dedicação para as letras e a união das palavras que se formam frases com sentidos únicos. A professora também se tornou poetisa. “Desde menina sempre gostei de escrever. Após o fim da escola acho que essa vocação apenas aflorou um pouco mais”, brinca Zazinha.

Atualmente são mais de 500 poemas escritos. Os temas são os mais variados possíveis, como nascimentos, festas populares, formaturas, mortes, entre outros. O que não faltam são incentivos para que Isabel conjugue os verbos e versos, e novos acrósticos vão surgindo. “Atualmente isso que me conforta. Escrevo para mim e para as pessoas. São palavras de incentivo, de entusiasmo, às vezes de conforto. Isso me satisfaz”, conclui.

Hoje, por onde passa dona Zazinha é reconhecida; e suas palavras e trabalho são lembrados por várias famílias. A casa onde mora e que há treze anos abrigou umas das melhores escolas infantis da cidade, sempre será reconhecida. E Sabará continuará agradecendo a dona Isabel pela sua dedicação as crianças do município.

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