Quem passa em frente à Igreja Nossa Senhora do Ó, na histórica Sabará, não imagina a beleza de seu interior. Apresenta na sua ornamentação, elementos barrocos, talhas e pinturas, uma profusão de vermelho, azul e ouro, representativo da 1ª fase do barroco mineiro, além da bela imagem da padroeira e uma de Santa Bárbara no trono do camarim do altar-mór. O destaque vai para as paredes revestidas de painéis emoldurados e teto em caixotões. Nas paredes laterais encontram-se 14 painéis contendo pinturas figurativas alusivas ao nascimento e à infância de Jesus Cristo. É nítida também a influência chinesa em toda a sua construção e ornamentação, onde aparecem pagodes, mandarins, madonas de olhos amendoados e dragões.
“Estas características na decoração, fazem supor terem sido trabalhos de artesãos orientais, talvez vindos das colônias portuguesas na Ásia. Mas Silvio de Vasconcelos diz que “poderiam também ter sidos recolhidas da louça de Macau, bastante usual no Brasil de então”, explicou o historiador sabarense, José Bouzas.
A Igreja Nossa Senhora do Ó foi tombada pelo IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 13 de junho de 1938.
“A famosa Capela Sabarense do Ó, é um marco dentre as construções religiosas do Brasil, e como não poderia deixar de ser, a marca registrada de Sabará e de Minas, ressaltou Bouzas.
Construção da igreja
A igreja foi erguida por devotos de Nossa Senhora da Expectação do Parto, que solicitaram ao Senado da Câmara, em documento datado de 1717, “setenta braças de terra em quadra”, para patrimônio da mesma. Já existia no local, uma pequena capela em construção, mediante “esmolas dos devotos”, mas a doação para a obra definitiva só foi realizada em 1718. A edificação foi iniciativa do capitão–mor Lucas Ribeiro de Almeida, que contratou os ajudantes para a execução dos trabalhos, liderados por Manuel da Mota Torres, que a construiu “com sessenta palmos de comprido e trinta e dois de largo”.
Em 1720, provavelmente já concluído os trabalhos, o referido capitão mandou fazer um quadro com um ex-voto, em alusão a uma graça alcançada e também fez a festa consagrada à padroeira da capela.
De acordo com o historiador Bouzas, a igreja sofreu, em várias ocasiões, uma série de intervenções que desfiguraram o monumento. Entretanto, duas grandes restaurações, uma em 1944 pelo IPHAN e outra em 1955, sob a direção do professor Edson Mota, finalmente recuperaram a capela na sua forma original.
A denominação popular de Nossa Senhora do Ó, deve-se às sete Antífonas (versículos que se diz antes do Salmo), cantadas na novena, no período do Advento, na festa da padroeira, de 17 a 23 de dezembro. “Ó Sapientia – Sabedoria / Ó Adonai – Adonai / Ó Radix Jessé – Raiz de Jessé / Ó Clavis David – Chave de Davi / Ó Oriens – Estrela da Manhã / Ó Rex gentium – Rei das Nações / Ó Emmanuel – Emanuel”.
Curiosidades
José Bouzas contou que antigamente as mulheres devotas, que estavam grávidas na ocasião da festa, iam todos os dias varrer e limpar a igreja e participar da novena, rezando as orações e cantando as Antífonas. Mas não eram só as grávidas que participavam. Muitas mulheres que moravam na Barra - atual área central onde está a Paróquia do Rosário -, atravessavam toda a cidade para participar da festa.
A Igreja Nossa Senhora do Ó atrai muitas visitas de arquitetos, artistas e até turistas de diversas partes do mundo.
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