Preparar uma simples salada está custando caro em Sabará. Uma pesquisa de preços realizada pelo Jornal Folha de Sabará nesta sexta-feira, 6 de novembro, em uma grande rede de supermercados da cidade, encontrou valores que surpreendem até quem já está acostumado a fazer contas no supermercado. O quilo do tomate chegou a R$ 18,98, o pimentão vermelho e amarelo a R$ 24,98, o limão a R$ 10,98 e a cebola a R$ 9,98.
Para se ter uma ideia, quem comprar um quilo de cada um desses quatro produtos terá de desembolsar R$ 64,92, sem contar alface ou qualquer outro ingrediente. O que antes entrava no carrinho quase sem chamar a atenção agora exige pesquisa e escolhas.
Mas o que mais impressiona é a comparação com algumas carnes. Em ofertas anunciadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, um quilo de pernil suíno, filé de frango ou linguiça custa menos do que o tomate encontrado em Sabará.
O contraste fica evidente quando os preços dos hortifrutis são comparados aos de algumas carnes. Enquanto o pernil suíno sem osso pode ser encontrado por R$ 15,98 o quilo, a linguiça custa R$ 14,98 e o filezinho de peito de frango aparece em ofertas de R$ 14,98 e até R$ 12,99 o quilo.
Na prática, o tomate, vendido por R$ 18,98 no supermercado pesquisado pela Folha de Sabará, custa R$ 3 a mais que o pernil, R$ 4 a mais que a linguiça e até R$ 5,99 a mais que o filé de frango.
A diferença é ainda mais surpreendente no caso do pimentão vermelho e amarelo. Com o quilo a R$ 24,98, o produto chega a custar quase o dobro do filezinho de frango anunciado por R$ 12,99.
Os números revelam uma situação curiosa e preocupante: dependendo das ofertas, o consumidor consegue comprar um quilo de carne por menos do que pagaria pelos legumes usados para acompanhar a refeição.
As carnes foram pesquisadas em ofertas de outros estabelecimentos, com validade anunciada até 8 de novembro e sujeitas à disponibilidade de estoque. Ainda assim, a comparação revela como os preços dos hortifrutis podem surpreender o consumidor.
A explicação começa no campo. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as chuvas intensas e frequentes nas regiões produtoras do Sul e do Sudeste prejudicaram as colheitas e retardaram o amadurecimento do tomate, diminuindo a quantidade de frutos disponíveis para comercialização.
Em setembro, o tomate registrou alta de 48,9% na média ponderada dos preços dos mercados atacadistas acompanhados pela Conab, em comparação com agosto. A cebola também apresentou aumento de 29,31% no mesmo período, influenciado pelas dificuldades de colheita e pela menor disponibilidade do produto.
Os dados da CeasaMinas mostram que a situação merece atenção. No entreposto da Grande Belo Horizonte, a oferta de tomate caiu de 21.300 caixas de 20 quilos, em 30 de outubro, para 15.660 caixas nesta sexta-feira, 6 de novembro. Uma redução de aproximadamente 26,5% na comparação entre os dois dias.
Com a cebola, a queda foi ainda maior. O volume passou de 6.550 para 3.500 embalagens de 20 quilos, redução de aproximadamente 46,6%.
Quando menos mercadoria chega aos centros de abastecimento, os preços podem sofrer pressão. Transporte, perdas de produtos perecíveis e custos de comercialização também influenciam o valor cobrado nas lojas.
No caso do pimentão vermelho e amarelo, as diferenças de cultivo, o tempo necessário para amadurecimento e os custos de produção ajudam a explicar por que essas variedades costumam ser mais caras que o pimentão verde. Já o limão sofre oscilações relacionadas à sazonalidade e à disponibilidade da fruta. Esses fatores, porém, não explicam isoladamente os preços encontrados no estabelecimento pesquisado.
Diante desses preços, fica uma sugestão da Folha de Sabará: antes de fazer todas as compras nas grandes redes de supermercados e sacolões, vale pesquisar nas, mercearias, quitandas e pequenos comércios dos bairros.
Muitas vezes, o comerciante que está perto de casa consegue oferecer condições diferentes, negociar quantidades, conceder descontos e apresentar opções mais acessíveis. A proximidade com o cliente também facilita aquela conversa sobre o preço e a escolha dos produtos.
Isso não significa que todos os pequenos estabelecimentos vendam mais barato. O importante é comparar. Nem sempre a loja de nome conhecido oferece a melhor condição, assim como nem toda promoção representa economia.
Em Sabará, os pequenos comerciantes fazem parte da rotina dos bairros e movimentam a economia local. Dar uma oportunidade à quitanda da esquina, ao sacolão da comunidade ou à mercearia da vizinhança pode fazer diferença tanto no orçamento das famílias quanto na sobrevivência desses negócios.
A redução dos valores depende da recuperação das colheitas, das condições climáticas e da quantidade de produtos que chegará aos centros de abastecimento nas próximas semanas.
Como frutas, verduras e legumes são perecíveis, os preços podem variar rapidamente. Não há, por enquanto, uma data segura para que voltem a patamares mais acessíveis.
Enquanto isso, o consumidor precisa se virar: pesquisar, substituir ingredientes, aproveitar ofertas e, quando possível, negociar. Para famílias com orçamento apertado, cada real economizado nas compras faz diferença.
O levantamento realizado pela Folha de Sabará mostra uma situação que merece atenção: em determinadas ofertas, comprar um quilo de carne pode sair mais barato do que comprar o tomate para acompanhar a refeição.
E se até a salada virou motivo de preocupação, é sinal de que o custo da alimentação está exigindo um esforço cada vez maior de muitas famílias.
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