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Cultura DONA PIU:

Uma vida dedicada

Uma vida dedicada

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark
Uma vida dedicada

No último dia 15 de janeiro uma figura ilustre de Sabará completou 72 anos; Maria da Conceição de Assis Gomes, a dona Piu, que nos últimos 50 anos já benzeu várias gerações da cidade.

O apelido veio de infância, ?desde criança meu pai me chamava de Piu, ele criava galinha e quando comecei a falar, imitava os pintinhos, só ficava falando: ?piu,piu ...?. Daí meu pai começou a me chamar de Piu?, conta.

Nascida e criada em Sabará, dona Piu conheceu a caridade bem cedo, sua grande vontade era ser irmã de caridade, mas o pai não deixou, ele dizia que não gostaria de ver a filha longe dele.

Como não pôde entrar para um convento, resolveu fazer caridade em casa e desde muito cedo. Antes dos dez anos, ela já era chamada por famílias de crianças recém nascidas que morriam para vesti-las, ?eu fazia as roupinhas e vestia os anjinhos para serem enterrados?, lembra.

Nessa mesma época, ela começou a distribuir mantimentos para pessoas que passavam na porta de sua casa e pediam. ?As pessoas chegavam aqui diziam que tinham quatro filhos para criar, mas não tinham alimentos. Eu ia à dispensa e arrumava o mantimento?. Dona Piu conta que seu pai fazia compra para três meses, em um mês acabava todo o mantimento, ?ele chamava minha atenção e reclamava do alimento acabar. Eu falava que se não pudesse doar eu iria para o convento, então ele liberava?, conta sorrindo.

O objetivo sempre foi ajudar ao próximo. Aos doze anos passou a entregar marmitas na Belgo, para ajudar mulheres que não tinham como levar o almoço para o marido. Aos treze, aprendeu a bordar, então fazia e doava roupinhas para crianças que precisavam, fazia também vestidinhos de anjo para coroação. Além disso, olhava crianças para as mães que precisavam trabalhar ou tinha outras ocupações.

As doações continuam até hoje, em poucas horas em sua casa, são várias as pessoas que chegam pedindo alguma doação, seja roupas, mantimentos e claro para serem benzidas. Pessoas saem de longe para receber a benção de dona Piu.

Ela conta que vem de uma família de benzedeiros, então traz esse dom consigo, mas esta história começou quando tinha apenas 12 anos. ?Um dia estava passando em frente ao Cravo Vermelho, aí encontrei com Chico Xavier então ele me disse, ?vi você dentro da barriga de sua mãe, sabia que seria uma estrelinha que iria iluminar muita gente, ser a mãe do povo?, ela conta que ficou um pouco assustada, mas a conversa não terminou por aí. ?Ele me disse também que dos 12 anos aos 21 eu iria estudar com a irmã dele imposição de mãos e que a partir dos 22 começaria a benzer?, assim ela fez.

Dona Piu ficou por quase 10 anos acompanhando dona Maria Cândida Xavier em seus passes, com ela aprendeu sobre a imposição de mãos e espiritualidade, depois desse ?curso? passou a benzer. Como ela faz questão de frisar no dia 19 de abril de 1965, aos 22 anos, assim como disse Chico Xavier, Dona Piu, católica convicta, passou a benzer e nunca mais parou.

Ela tem certeza que foi escolhida, porque o benzedor que não é escolhido para em pouco tempo. A benzedeira conta que para começar a benzer teve uma conversa com Deus para pedir muita paciência e persistência, pois sabia que iria passar por muitas dificuldades.

Foi dessa forma que passou a benzer várias gerações de sabarenses e pessoas vindas de diversas partes do estado e do país.

Além de ter vindo de uma família de benzedeiros, Dona Piu acredita que herdou o espírito da escrava Anastácia, que teria vivido no século XVII e era curandeira, ajudava os doentes, e com suas mãos, fazia verdadeiros milagres, além de impressionar a todos com sua estonteante beleza.

Admiradores de Dona Piu

Dona Piu diz que já chegou a benzer mais de 80 pessoas por semana, mas esse número diminuiu um pouco nos últimos tempos, por estar muito cansada, mas mesmo assim, nessa época do ano, quando muitas pessoas saem para viajar, o número ultrapassa 80. As vezes chega a benzer 30 em apenas um dia.

Nossa equipe passou cerca de três horas na casa de Dona Piu, nesse tempo, foram mais de 10 pessoas que passaram em sua casa, quando não era para benzer, era para pedir uma doação ou apenas ouvir um conselho da senhora, que além de benzedeira, é uma excelente conselheira, principalmente para casais. Dona Piu conta que são diversas as pessoas que vão até ela apenas para ouvir uma palavra ou um conselho.

O comerciante Elvio Lopes, ex-policial militar, é um deles. Ele é de Belo Horizonte e pelo menos a cada dois meses vai à casa de Dona Piu receber sua benção e ouvir um bom conselho. Elvio diz que a bebida quase o matou, por causa dela perdeu tudo que tinha, mas através de um amigo foi parar no A.A e também passou a frequentar a casa de Piu , onde começou a receber suas bênçãos e ouvir seus conselhos. Ele acredita que as orações da benzedeira e seus conselhos foi o que o salvou.

O técnico de informática, Leandro Félix, também veio da capital para benzer seu filho com Dona Piu. O garotinho de quatro anos estava com uma infecção na garganta e uma ferida no dedo. Ele disse que conheceu Dona Piu através de um amigo e por isso estava levando o filho pela primeira vez à senhora, confiante que os problemas da criança iriam passar.

Por causa de seu trabalho, dona Piu já recebeu várias homenagens. Em sua casa podemos encontrar com facilidade placas, quadros, certificados e diplomas, todos pelo reconhecimento dos feitos que esta humilde senhora realizou e ainda realiza para o povo.

Família

Dona Piu está casada há 50 anos, o mesmo tempo em que benze, teve seis filhos e em praticamente todos os partos teve dificuldades, sempre achou que fosse morrer no parto, mas felizmente sobreviveu a todos. Em um dos partos perdeu praticamente todo sangue do corpo e teve que fazer uma transfusão às pressas. Seus seis filhos lhe deram 11 netos.

Além disso, criou mais de dez crianças. Ela conta que como muitas mães não tinham condições de criar seus filhos deixavam em sua casa, mas como ela também não podia ficar com a criança, cuidava por um tempo até aparecer um casal que quisesse adotar, mas ela faz questão de frisar que tudo era feito acompanhado pelo Conselho Tutelar e pelo juiz da cidade.

Hoje, Dona Piu já não adota mais crianças, mas continua benzendo as novas gerações e fazendo doações de roupas, alimentos, palavras e tempo para todos aqueles que precisam.

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Paulo Roberto Há 5 anos atrásBelo Horizonte. Verdadeiro exemplo de vida espiritualizada e espiritualista. Todos aqueles que cuidam de crianças na realidade cooperam em alto nível com a espiritualidade.
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