Doutor Sílvio deixou-nos há um bom tempo. Foi prefeito de Sabará e, antes que grande político, era um dos mais humanos profissionais que conhecemos. Mesmo numa cidade de poucos médicos e muitos doentes, encontrava tempo para, caso não houvesse alternativa, atender o enfermo em sua casa. Mais ainda: era comum, ao encontrar-se com um ex-paciente, parar e perguntar-lhe sobre a saúde. Isso ocorreu com o saudoso Roberto de Assis, internado que fora sob os cuidados do médico.
Pouco depois de ter recebido alta, o Roberto, todo serelepe, entra no Banco da Lavoura. Foi quando topou com o Dr. Sílvio. O médico o cumprimenta e pergunta pela família etc. Tudo bem, obrigado. Em seguida, como de praxe, vem a pergunta:
- E a saúde, Roberto? Tem tomado direitinho os remédios e feito a dieta?
Roberto ficou deveras orgulhoso da atenção que recebia de tão importante figura. Fazendo uso de antiga amizade, deu-se o direito de intimizar a conversa.
- Nem te conto, Dr. Sílvio - cochichou ele. Meu desempenho está melhor que o de qualquer garotão de 18 anos. Saiba o senhor que, toda noite, o papai aqui se torna três vezes admirável! Se é que o senhor me entende...
Disse isso e dobrou-se em gargalhadas, certo de que o médico o acompanharia. Acontece que Dr. Sílvio, além de grande clínico, era um tremendo gozador. Não perdeu a oportunidade. Virou-se para o Roberto de Assis e emendou:
- Que ótimo, Roberto. Eu acredito plenamente no que você diz. Sua fama de garanhão anda longe. Ninguém duvida de sua macheza. Eu garanto que você deve mesmo fazer bonito três vezes por noite: com o dedo, com a língua e com o... rabo!
Roberto deu um pulo e, com aquela voz raspada, berrou indignado:
- Mais respeito, Dr. Sílvio! Mais respeito!
Desculpe, minha casta leitora, por nossa crônica ter trilhado caminhos menos virtuosos. Nem nós, nem o Dr. Sílvio, jamais desrespeitaríamos quem quer que seja. Esperamos que nossa recatada leitora tenha tirado as crianças da sala antes de ler nossos infelizes rabiscos. Perdoe-nos.
(Mas que foi engraçado, lá isso foi. Não foi, João Bomba?)
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