A estrutura montada no Largo do Barão agradou muita gente. Sabará conseguiu fazer um Carnaval com elementos de uma cidade histórica e com uma estrutura moderna dos grandes carnavais brasileiros. O camarote foi uma grande novidade que a princípio muitos reclamaram pelo valor, mas atraiu muito gente e quem estava lá gostou. Foi o que disse o casal Giovanna Castro e Giovanni Júnior, eles elogiaram muito o carnaval e ressaltaram a qualidade do camarote, principalmente a questão da segurança e a variedade de opções, o que agradou um maior número de pessoas.
A maior novidade foi sem dúvida os grandes shows que passaram pela Passarela do Samba, principalmente, o do baiano Alexandre Peixe, que atraiu 20 mil pessoas para a cidade na segunda-feira de carnaval, fazendo muita gente dançar ao som de famosos axés. A dupla Alan e Alex e as bandas Séculos e Papa na Língua animaram os foliões nos outros dias de festa.
Nem tudo foi diversão
Apesar de muitos elogios, muitas coisas deixaram a desejar. Esta foi a reclamação de vários foliões durante os dias de festas e de tantos outros após o evento.
O mais tradicional do carnaval sabarense é, e sempre foi o desfile dos Blocos Caricatos e parece que este foi deixado de lado, não pelo povo e muito menos pelos coordenadores dos blocos que fizeram bonito, mesmo tendo recebido a verba na sexta-feira de carnaval, mas pelo poder público. Pena que o Centro Histórico não recebeu estrutura suficiente para a festa. Não tinha os tradicionais cordeiros acompanhando os blocos e nem os seguranças de apoio durante o desfile.
Outro grave problema de estrutura foi apontado pelos foliões: a falta de banheiros químicos. Havia poucos, que não foram suficientes para os milhares de foliões que estavam na cidade. A consequência, não poderia ser outra, o forte mau cheiro de urina que ficou espalhado pelas ruas.
O público que foi para prestigiar o desfile das Escolas de Samba também foi lesado. Além do atraso de horas, as pessoas que tiveram que ficar em pé, já que o número de arquibancada não foi suficiente para abrigar tanta gente.
Além de todos esses problemas, teve algo que deixou a população realmente indignada: o cadastro que os sabarenses tiveram que fazer para entrar na Passarela do Samba. Os moradores enfrentaram filas, muitas vezes embaixo do sol, para realizar um cadastro que não foi exigido na entrada. A população se sentiu lesada e desrespeitada. Foi o que disse a estudante Mariana Cruz, 21, que afirmou que gostou da estrutura e da organização, mas reclamou que ao entrar no circuito do samba não precisou apresentar nada, o que ela achou um abuso já que ficou muito tempo em uma fila para fazer o cadastro.
Uma escola a menos na avenida
Este ano o primeiro dia de desfile das escolas de samba não contou com a participação da Colibri do Campo. De acordo com o tesoureiro da escola, Cássio Batista, não foi possível desfilar devido às condições da pista e o fato de um carro alegórico ter ficado ?preso? no bairro Adelmolândia por causa da chuva.
A Prefeitura de Sabará não acatou a justificativa apresentada pela escola e puniu a agremiação cancelando o desfile da Colibri na segunda-feira de carnaval. O documento enviado para a escola pela Secretaria de Cultura dizia que a Colibri não cumpriu com o regulamento e ainda desrespeitou o público presente, pois a justificativa apresentada não impediu que as outras escolas desfilassem.
A punição prevê ainda a devolução aos cofres públicos da subvenção de R$ 21.150,00 ( vinte e um mil e cento cinquenta reais).
Mesmo proibida de desfilar, a Colibri do Campo foi às ruas na noite de segunda-feira, mas não teve direito a filmagem e nem equipamento de som.
Segurança
Alguns foliões reclamaram que não havia policiamento suficiente durante o evento, principalmente à noite no Centro Histórico.
De acordo com a Polícia Militar, 120 policiais trabalharam por dia nas ruas de Sabará. Eles foram distribuídos de forma estratégica em todos os pontos que aconteceram a festa. Tanto na região central da cidade, como nas regionais, onde ocorreram eventos.
Ainda segundo a Polícia Militar, em relação ao carnaval do ano passado houve um pequeno aumento no número de ocorrências. De acordo com o setor de Planejamento da 15ª Companhia de Policia Militar, o número de crimes violentos passou de seis para oito, sendo que apenas dois crimes estão relacionados diretamente ao carnaval, sendo um roubo no Centro Histórico e um homicídio no CarnaCoqueiros, bairro Alvorada. Em relação aos furtos a PM ainda não tem o número exato, mas também teve elevação. Já a apreensão de drogas, passou de três, em 2013, para cinco este ano.
Para a PM o aumento nas ocorrências pode ser explicado pela ampliação no número de eventos, já que em 2013, o Carnaval se concentrou mais no centro, enquanto este ano teve em todas as regionais e até mesmo na área central, aconteceram shows e apresentações em vários pontos. Além disso, teve uma elevação considerável no número de pessoas que curtiram o Carnaval em Sabará. De sexta a terça-feira foram mais de 70 mil foliões que pularam nas ruas da cidade, enquanto em 2013, pouco mais de 50 mil pessoas passaram por Sabará.
Apesar do aumento de ocorrências, a Polícia Militar considera que o Carnaval foi tranquilo, diante de tantas mudanças em relação à 2013.
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