O Cravo Vermelho possui uma história de quase cem anos que não pode acabar. E para aqueles que amam este lugar, podem ficar tranquilos, o clube pretende permanecer na vida da cidade.
Desde que o Clube Farol foi vendido dando lugar às Casas Bahia, rumores têm sido espalhados pela cidade afirmando que o Cravo também será vendido. Algumas pessoas disseram que uma grande loja de eletrodoméstico compraria o espaço, outras que o lugar seria vendido para uma Igreja. O certo é que nada disso é verdade, é o que garante seus administradores.
De acordo com o presidente do Cravo Vermelho, Geraldo Ferreira, o Cravo nunca foi procurado por esta loja de eletrodoméstico e nem por nenhuma igreja.
O diretor administrativo, Renato Ramalho, afirma que a agenda de eventos está fechada até 2015. O Domingo Apresenta que acontecem todos os finais de semana está garantido com os já tradicionais shows de pagode e apresentação de DJ?s. O clube também está aberto para todas as entidades que já se acostumaram a realizar eventos no local, como o Saci, o Rotary, os blocos carnavalescos, a APAE e outros.
Renato salienta que hoje o grande objetivo do clube é atender a necessidade do município através dos eventos, principalmente dos jovens que não têm opções em Sabará. O vice-presidente, Rogério Alves, lembra que o Cravo promove ainda todo mês o baile da Terceira Idade, a chamada Noite Tropical, atraindo um público diferenciado. Além disso, o local está aberto para diversas festividades como casamento, aniversário e bailes diversos. Os interessados devem entrar em contato através dos telefones: 3671-1484 / 9794-8006 / 9612-1268 / 3671-6118.
Quase um século de história
O Cravo Vermelho foi fundado em 1921 pela família Orsini. Os tradicionais encontros aconteciam na casa da família, local onde está instalada atualmente a Copasa, na Praça Melo Viana. Lá os integrantes se reuniam para bater papo, fazer as famosas horas dançantes e, claro, para os bailes de carnaval. Após os bailes a rapaziada saía pelas ruas e assim surgiu o bloco carnavalesco do Cravo Vermelho.
De acordo com o presidente do clube, Geraldo Ferreira, o nome Cravo Vermelho foi uma homenagem ao ex-presidente da República Artur Bernardes que frequentava Sabará e usava um cravo branco na lapela. A cor vermelha foi usada para dar mais destaque. Na época da fundação Artur Bernardes era presidente de Minas Gerais e o clube foi fundado por um grupo político ligado a ele, membros do Partido Republicano Mineiro (PRM). Pouco tempo depois integrantes do Partido Liberal (PL), opositores ao PRM, fundaram o Crisantemo como resposta.
Em 1932 os associados compraram o terreno da Rua Borba Gato onde foi construída a sede atual. Durante a construção os associados contaram com a ajuda da Belgo Mineira que forneceu o material por um preço acessível e ainda disponibilizou um funcionário que ficou responsável por toda obra, além de depois administrar o Cravo por algum tempo.
O historiador Zezinho Bouzas explica que o clube surgiu no início do século XX junto com outras associações culturais e religiosas, num período que se pensava muito em modernidade no país. Em Sabará o surgimento se deu graças a chegada dos trabalhadores brasileiros e estrangeiros trazidos pela Belgo Mineira.
?Essas pessoas começaram a sentir uma necessidade muito grande de formar um grupo para momentos de lazer e descanso. Podemos dizer que eles eram a elite sabarense da época, assim como no Crisantemo. Os clubes sociais foram agrupamentos que substituíram as igrejas, local onde antes as pessoas confraternizavam e falavam sobre política, economia e saíam até casamentos. Os clubes não eram apenas para dançar, mas também para trocar ideias?, diz Zezinho.
O bloco do Cravo Vermelho era uma das referências do clube e chamava a atenção principalmente pela beleza das fantasias. No auge de sua trajetória, o bloco chegou a ser o grande destaque do carnaval de Belo Horizonte. Outra marca do clube é a qualidade da estrutura da sede. ?O ladrilho é raríssimo, o taco é o mesmo da época da fundação e as paredes são robustas. É realmente um clube clássico que fez muita história?, diz.
Além disso, durante muitos anos as pessoas saíam da capital mineira para dançar no Cravo. Acontecia muita briga porque os homens de Sabará morriam de ciúme dos belorizontinos. ?Vale lembrar também que Clara Nunes debutou como rainha do carnaval no clube antes de ser famosa e a televisão destacava a abertura da folia do Cravo, que era conhecida como ?Batalha de Confete??, relata o historiador.
Entretanto, uma característica não se perdeu no tempo. O Cravo foi e ainda é o ponto de encontro para namorar de muitos jovens. Diversos sabarenses têm alguma história amorosa neste tradicional clube. ?Muitos casamentos surgiram naquele local. Havia uma tradição por volta da década de 1970: as moças ficavam sentadas e nunca pediam os homens para dançar, isso seria um escândalo na época. Após os homens convidá-las, elas não podiam negar porque era considerado uma ofensa. Mas eram elas que ditavam quanto tempo seria a dança, sendo no mínimo uma música. Os bailes de carnaval do Cravo Vermelho eram maravilhosos. Este clube foi uma referência social da cidade e além de tudo possibilitava que as pessoas desenvolvessem seus potenciais para a dança e a música. As pessoas sonhavam com o Cravo Vermelho?, conclui Zezinho.
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