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Algumas perguntinhas...

Algumas perguntinhas...

Por: Glaucia Melo Clark
19/03/2015 às 10h50

Um dos momentos mais obscuros da ?inteligência? sabarense ocorreu quando da implantação dos serviços da COPASA na cidade. O prestígio do prefeito Marcelo Dias sofreu sério desgaste. Alguns vereadores, moradores da sede, eram contra a entrada da referida prestadora de serviços porque moravam em locais onde a água chegava com abundância e quase nada se pagava por isso. E os mais de 60% dos sabarenses vivendo de lata d?água na cabeça. E mesmo o líquido que chegava às torneiras era de condenável qualidade. Agora, os que eram contra a COPASA sabem muito bem que seria impossível à prefeitura tratar o precioso líquido e distribuí-lo satisfatoriamente. A população cresceu muito e a qualidade da água hoje exigida pela legislação causaria dolorosa sangria aos cofres públicos. Mas foi uma discussão que mostrou o quanto era atrasada a mentalidade de muitos sabarenses, como estavam com a cabeça na Idade Média. Marcelo Dias foi corretíssimo, mas politicamente pagou o pato.

Antes da COPASA, a nossa água vinha de três locais:

1º. da represa do Gaia;

2º. da pobre Chácara do Lessa, devastada pelo fogo por três vezes nos últimos anos, fatos jamais ocorridos em toda a sua história;

3º. das nascentes da mata do Cabeça-de-Boi, nosso maior manancial. Uma área lindíssima, onde o Dr. Sílvio de Paula, então prefeito, no início dos anos 50 mandou construir uma represa e, no Morro da Cruz, um depósito que armazenava a grande quantidade de água que de lá escoava e ainda escoa.

Pois bem, outro dia fui ao Cabeça-de-Boi e lá estava uma placa informando que a área era particular. Deixou de ser patrimônio do povo sabarense. Nossa maior e mais bela reserva florestal passou estranhamente para a mão de não sei quem. Pergunta-se:

1º. Quem ?doou? o Cabeça de Boi e como foi essa transação?

2º. Com a seca que nos aterroriza, e vai continuar aterrorizando, aquele manancial, e os outros dois, não seriam opções futuras para a COPASA, que tem a concessão de nossas águas? Um plano B?

Se a COPASA, a Municipalidade ou a Câmara de Vereadores não quiserem ou puderem responder a tais perguntas, que a bola seja passada ao Ministério Público, à Polícia Federal. Nós, povo sabarense, ainda somos aquele carneirinho manso que viu sendo derrubada a igreja de Santa Rita, seu hospital cair na decadência, o Farol escapar por entre os dedos, deixou que vários sobrados fossem destruídos, e que acabassem com bandas de música. Tudo isso acontecendo e nós, braços cruzados, a tudo assistindo de camarote.

Pobre Sabará. Êta cidade mal amada!

Luiz Alves

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