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Cultura ALEIJADINHO

Duzentos anos sem o mestre do Barroco

Duzentos anos sem o mestre do Barroco

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark
Duzentos anos sem o mestre do Barroco

Diversas ações fecham as celebrações do bi-centenário da morte de Aleijadinho

Desde março deste ano tem sido realizados em Sabará eventos em homenagem a Antônio Francisco Lisboa ? o Aleijadinho ? que morreu em 18 de novembro de 1814 deixando um riquíssimo acervo de arte barroca em várias cidades mineiras, entre elas, Sabará.

Para celebrar a data foi criado o projeto ?Aleijadinho de Sabará ? O Barroco em Evidência?. O lançamento aconteceu no dia 21 de março com uma serenata que percorreu diversas ruas da cidade. Acompanharam a serenata poetas e moradores, além dos grupos Sonho e Serenata e Arautos da Poesia. No decorrer do ano palestras e outros eventos movimentaram as celebrações ao mestre barroco.

No dia 13 de novembro uma palestra ministrada por Dr. Gilberto Madeira, integrante do Instituto Histórico e Geográfico do Ciclo do Ouro (IHGCO), abriu a semana especialmente dedicada a Aleijadinho. Durante a palestra o médico falou sobre a enfermidade que acometeu o mestre, tornando-o conhecido como Aleijadinho.

Entre os dias 14 e 16 uma mostra de arte foi realizada no Hotel Solar Corte Real com artes plásticas, pinturas e fotografias dedicadas ao artista. Além disso, teve missa e serenata.

No dia do Barroco Mineiro, 18 de novembro, data escolhida justamente por marcar a morte de Aleijadinho, as comemorações começaram ao meio-dia com o repique dos sinos das igrejas de Sabará tombadas pelo patrimônio. Toda cidade ouviu durante cinco minutos o soar do sino em homenagem ao mestre.

Durante a noite a Igreja do Carmo que já é privilegiada por acolher as obras de Aleijadinho foi totalmente invadida pelo espírito do escultor nas diversas homenagens feitas a ele. A celebração começou com a apresentação das imagens esculpidas em madeira por Aleijadinho: São João da Cruz e São Simão Stock. As escultura do século XVIII ficam suspensas nos altares laterais da igreja. Mas, foram levadas para perto dos fiéis e ficaram expostas até o domingo, dia 23.

Foi apresentado também em 2 banners o ? Códice de Lançamento de Termos de 1761?, manuscrito pertencente à Ordem Terceira do Carmo com citação inédita do apelido ? O Aleijadinho?. Houve ainda o lançamento do Livro de Ouro para a assinatura da população sugerindo às autoridades designar uma rua com o nome ?Travessa do Aleijadinho? em homenagem ao artista.

E para fechar com chave de ouro a Orquestra e Coral Santa Cecília emocionaram a todos presentes com uma apresentação especial ao mestre, onde apenas músicas barrocas foram executadas.

Na sexta-feira, 21, o seminário ?Aleijadinho e o Barroco? marcou as comemorações. Estudiosos sobre Aleijadinho dissertaram sobre sua obra. Myrian Ribeiro Andrade de Oliveira, professora e historiadora de arte brasileira, especializada no Barroco e Rococó brasileiros, e uma das mais importantes profissionais em atividade no Brasil nesta área falou sobre as revisões históricas que já ocorreram na obra e vida de Aleijadinho. Estudiosa do mestre há anos ela afirma que muito se sabe sobre o artista, mas muito ainda vai aparecer com as gerações futuras, ?passei tantos anos estudando Aleijadinho e a cada dia a gente acredita que já terminou o trabalho, mas continua aparecendo mais coisas, isso é próprio de todo artista genial?, afirmou. Em relação às obras que estão em Sabará Myrian diz que é de extrema importância, pois é a fase de maturidade de Aleijadinho, quando ele estava no apogeu. E destaca que as imagens São João da Cruz, São Simão Stock e Sant?Ana Mestra são as obras prima dele.

Olinto Rodrigues dos Santos, historiador e pesquisador, falou sobre o Padre Felix Antonio Lisboa, irmão do artista, também escultor e dos oficiais e seguidores do mestre. Ele destacou que Aleijadinho foi o artista mais importante do período colonial brasileiro e ressaltou que Sabará tem uma joia na Igreja do Carmo, que além das obras tem a documentação do pagamento ao Aleijadinho. E ainda, o registro dos oficiais que trabalharam com ele, o que mostra que ele não trabalhava sozinho.

Em sua palestra, Olinto enfatizou o trabalho de um santeiro que existiu em Sabará, que ainda não se sabe o nome, e possui imagens na Igreja São Francisco e na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Ele diz que o ?Mestre Sabará?, como foi intitulado, foi um excelente escultor que com certeza recebeu muita influência das obras de Aleijadinho.

Celio Macedo Alves, historiador, pesquisador e professor da Universidade Federal de Ouro Preto, falou da figura feminina na obra de Aleijadinho que aparece muito pouco. Destacou a imagem de Santa?ana Mestra que ele a considera uma das mais fantástica do Aleijadinho.

O fim de semana também foi recheado de atrações. As comemorações finalizaram na manhã de domingo com o lançamento de uma Placa Comemorativa dos 300 anos da Criação da Comarca em Sabará e também o marco dos 200 anos da morte de Aleijadinho. A placa foi colocada em frente à Igreja do Carmo.

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