Os servidores municipais de Sabará iniciaram uma paralisação nesta terça-feira (26) após esgotarem as tentativas de negociação com a Prefeitura. Liderados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sabará (Sinsesa), os trabalhadores reivindicam direitos básicos e melhorias nas condições de trabalho, enquanto apontam falhas no cumprimento de legislações municipais.
Crise se agrava com falta de diálogo
No dia 20 de novembro, o Sinsesa entregou ao prefeito Wander Borges uma lista de demandas urgentes. Entre elas estavam o pagamento de horas extras, a entrega de cestas básicas e natalinas garantidas por lei, e a regularização de férias e mudanças de lotação. O prazo para resposta terminou no dia 25, mas uma reunião marcada para o mesmo dia não contou com a presença do prefeito. Em seu lugar, o secretário de Administração Pública compareceu, sem oferecer soluções concretas.
Frustrados, os servidores realizaram uma assembleia na Praça Melo Viana no dia 26 e decidiram pela paralisação até as 23h59. Durante o encontro, ficou decidido que, caso as demandas não sejam atendidas até o dia 3 de dezembro, será deflagrada uma greve geral no dia4.
Nádia de Oliveira Freitas, representante da Comissão de Auxiliares de Educação Básica, avaliou o movimento como legítimo e destacou que ele já deveria ter sido iniciado há mais tempo. "Como funcionária pública, vejo que estamos atrasados. Desde que o prefeito não venceu as eleições, os servidores têm sido prejudicados, e a educação básica foi a área mais afetada", afirmou.
Segundo Nádia, a falta de diálogo por parte do Executivo tem agravado a situação. "Não há negociação por parte da gestão municipal. Estamos caminhando inevitavelmente para uma paralisação geral", destacou, reforçando a urgência das reivindicações e a necessidade de unidade entre os servidores.
Mobilização e pressão popular
Após a assembleia, os servidores marcharam até o Centro Administrativo Hélio de Aquino, onde novamente não foram recebidos pelo prefeito. Representantes municipais reafirmaram a ausência de garantias para as reivindicações, consolidando o prazo final de negociação até o início de dezembro.
A mobilização representa um marco no funcionalismo público local, com impactos previstos em áreas essenciais como saúde e educação. "Estamos unidos com nossos dirigentes. É o seu direito que está em jogo", declarou a diretoria do Sinsesa em comunicado oficial, incentivando os trabalhadores a manterem a pressão.
Direitos em risco
Entre as principais demandas apresentadas pelos servidores estão:
1. Pagamentos atrasados: Apenas 72 horas extras de professores estão sendo quitadas.
2. Cestas básicas e natalinas: Benefícios garantidos pelas Leis Municipais 1638/2009 e 2874/2023.
3. Férias prejudicadas: Proibição de férias em janeiro e atraso no pagamento de férias-prêmio.
4. Mudanças de lotação negadas: Decisões administrativas não têm sido respeitadas.
5. Saúde: Falta de complementação salarial para profissionais da UPA.
Resposta da Prefeitura
A Prefeitura informou que a entrega das cestas básicas começou no dia 22 de novembro, mas afirmou que a viabilidade financeira da cesta natalina ainda está sob análise. Quanto às férias, justificou que a liberação segue planejamento interno.
A falta de avanços nas negociações aumenta a tensão entre as partes. Marco Antônio, presidente do Sinsesa, criticou a gestão: "O prefeito não cumpriu compromissos firmados, incluindo acordos judiciais e direitos básicos dos servidores. A ausência de diálogo é o maior obstáculo."
O Futuro do Movimento
A paralisação de hoje é um alerta para o Executivo Municipal, enquanto a greve geral marcada para o dia 4 de dezembro ameaça paralisar serviços essenciais da cidade. Com a mobilização crescente e o apoio dos servidores, o impasse pode se tornar um divisor de águas na história do funcionalismo público de Sabará.
Os próximos dias serão decisivos para definir o rumo das negociações e evitar uma paralisação de proporções inéditas no município.
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