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Cultura PAPO DI BUTECO

DR. IVAN

DR. IVAN

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark

Quando estive na Prefeitura, todos os que trabalhavam comigo me enchiam de orgulho pela dedicação. E isso vale do mais humilde servidor braçal ao mais alto secretariado. A todos sou grato, mas vou pegar um para exemplo, homenageando assim os demais: o dr. Ivan Jansen. Foi um grande Secretário da Saúde, caros cidadãos sabarenses!

Nunca vi tanta alegria em trabalhar! Nunca vi tanto compromisso! Anos depois de eu ter saído do comando da Municipalidade, estava num ponto de ônibus, e certo amigo me ofereceu carona. Ele teria uma audiência com a Secretária Municipal de Saúde da época, simpática médica cujo nome já não lembro. Eu poderia esperar? Claro, ué!

Acomodamo-nos à porta do gabinete da Secretária. Logo me aparece sua atendente dizendo que ela queria falar comigo.

- Há algum engano. Não sou eu. É o amigo aqui que veio para uma audiência - e apontei o colega ao lado.

Mas a moça falou que, antes, a Secretária queria falar era comigo mesmo. Achei esquisito, pois nem nos co-amos pessoalmente. Entrei.

- Ah, prazer, seu Luiz. Quero lhe dizer que entendo de saúde pública. Chefiava o Centro Metropolitano e de lá acompanhei o desempenho da política de saúde no seu mandato. Foi a melhor de toda a região na época e ainda continua sendo. Quem dera o resto do país fizesse o mesmo. Parabéns!

- Doutora, tudo foi fruto da competência de meu Secretário, o médico Ivan Jansen. Tudo saiu de sua cabeça e foi implantado por força de seu compromisso com nossa cidade. Eu apenas o apoiava. Depois todos colhíamos os resultados e só batíamos palmas, como a senhora o faz agora.

Saí pisando nas nuvens. O Ivan hoje fica no seu cantinho, mas é um dos poucos que exerceram o poder neste país e que podem pôr a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos que cumpriram honestamente com o dever.

E, além de competente, o homem sabia ser engraçado. Lembro-me de caminhada que fazíamos em certa praia e uma amiga, desconhecendo que há hora e lugar para tudo, importunava o nosso médico, dizendo que sofria disso e daquilo, que lhe doía aqui e acolá, que estava tomando tais e tais remédios, os diabos. E o doutor Ivan, mãozinhas nas costas, só escutando. Foi quando a hipocondríaca, nome que damos aos que possuem todas as mazelas, e em seu estágio mais crítico, fez a fatídica pergunta:

- Então, doutor? Que medicamento o senhor acha que devo usar?

Ainda com as mãos cruzadas nas costas, com a habitual paciência e educação que lhe caracterizam, o Ivan continua caminhando pelas claras areias, ao som das ondas quebrando nos rochedos. Mansamente responde:

-Bebe cachaça, uai...

Não sei se nossa amiga seguiu-lhe o receituário. Mas eu, que nem gosto tanto assim da timbuca, parei a caminhada e tomei umazinha, elevando um brinde ao caro Ivan por sua douta prescrição. Santa receita!

Luiz Alves

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