Após aproximadamente 60 dias de paralisação, os professores de universidades e institutos federais chegaram a um acordo com o governo federal, encerrando a greve que teve início no início de abril. O acordo foi finalizado neste domingo (23) e está previsto para ser assinado na próxima quarta-feira (26).
De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o processo de encerramento da greve começa oficialmente nesta segunda-feira (24) e deverá estar completamente concluído até o dia 3 de julho. “Reunido em Brasília neste fim de semana, o Comando Nacional de Greve informa que, após a sistematização dos resultados das assembleias estaduais realizadas entre os dias 17 e 21 de junho, a categoria docente decidiu pela assinatura do acordo com o governo e pelo fim unificado da greve a partir desta data, até o dia 3 de julho”, declarou o Andes em nota oficial.
O sindicato destacou que, embora as propostas do governo não tenham atendido integralmente às suas demandas, os resultados obtidos foram considerados significativos. “Os avanços obtidos refletem a força do movimento grevista. Apesar das limitações nas negociações com o governo, reconhecemos que a greve chegou ao seu limite e que é hora de continuar a luta em outras frentes”, afirmou a entidade em comunicado.
A proposta aceita pelo Comando Nacional de Greve inclui um reajuste salarial zero para 2024 devido a restrições orçamentárias, mas prevê um aumento linear escalonado até 2026, com um reajuste de 9% em janeiro de 2025 e mais 3,5% em maio de 2026, totalizando 12,8%.
A greve dos professores e servidores do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Sabará teve um impacto significativo em cerca de mil alunos, que ficaram sem aulas e sem acesso a projetos educacionais importantes. A paralisação, iniciada em 9 de abril e que se estendeu por todo o país, afetou profundamente a vida acadêmica e profissional dos estudantes.
Muitos alunos expressaram suas frustrações e preocupações, destacando os prejuízos acadêmicos e pessoais causados pela greve. “Estamos há 79 dias sem aulas, impedidos de realizar estágios, concluir nossos cursos e obter declarações de matrícula. Embora entendamos a validade da greve, os maiores prejudicados somos nós, alunos”, desabafou um estudante ao jornal Folha de Sabará.
Os alunos do IFMG Sabará, em especial, enfrentam sérias dificuldades devido à paralisação. A impossibilidade de firmar novos contratos de estágio é uma das principais preocupações. “Estamos sem poder receber a bolsa de estágio de R$800,00 porque a funcionária responsável pela assinatura dos contratos está em greve. Enquanto os servidores continuam a receber seus salários integrais, nós, alunos, não temos como sustentar nossas necessidades”, lamentou outro estudante.
Além disso, os calouros deste ano ainda não possuem número de registro, o que os impede de solicitar auxílios estudantis. A situação tem levado muitos a perderem oportunidades valiosas de estágio em empresas renomadas como ArcelorMittal e AngloGold. “Estamos sem direção e sem saber como proceder diante dessa incerteza”, concluiu um aluno.
A expectativa agora é que, com o fim da greve, os estudantes possam retomar suas atividades acadêmicas e profissionais, restabelecendo a normalidade nos campi afetados pela paralisação.
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