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Gatos e cachorros são criados em condições precárias

Gatos e cachorros são criados em condições precárias

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark
Gatos e cachorros são criados em condições precárias

Uma moradora do bairro Nova Vista tem mantido há cerca de quatro anos dezenas de cachorros e gatos em condições precárias em sua casa.

Segundo os vizinhos, Maria*vive sozinha com os animais, que em sua maioria foram recolhidos da rua e muitos já apresentavam algum problema. Eles contam que os bichos não são vacinados e só alimentam com ração ou alimentos que são levados pelos amigos.

Uma pessoa próxima, que não quis se identificar, conta que já tentou convencê-la de todas as maneiras a abrir mão dos animais, mas ela diz que prefere morrer a viver sem eles.

A precariedade não atinge apenas os animais, Maria também passa muitas necessidades. Os vizinhos contam que o alimento é divido entre ela e os animais.

A vizinha que mora ao lado conta que Maria tem ficado mais em sua residência do que na própria casa. Ela usa a casa da vizinha para dormir, tomar banho e também se alimentar, quando vai para casa acaba dormindo no chão junto com os animais.

Além de se importarem com a saúde de Maria e dos animais, os vizinhos se preocupam com todos que estão ao redor, pois a casa está constantemente suja e com muito mau cheiro. Eles cotam que já chegou ao ponto de filhotes de cachorro morrerem e outros com muita fome comerem os filhotinhos.

Além dos bichos, existe o acumulo de lixo no local, no quintal da casa podemos ver muita madeira e garrafas que podem atrair animais peçonhentos que causam vários tipos de doenças.

Os vizinhos estão apreensivos, pois temem também o desabamento da casa, já que o local já foi interditado pela Defesa Civil do município.

A presidente da Associação Sabarense de Proteção aos Animais, Vera, diz que já foi à casa de Maria para tentar convencê-la a ao menos castrar os animais e que depois de muita conversa e com muita relutância Maria permitiu que Vera realizasse a castração de quatro cachorros. A intenção de Vera era fazer o trabalho em todos os animais, mas Maria não permitiu. Apesar dos animais serem criados dessa forma, a presidente da ASPAN afirma que Maria tem muito carinho com os animais.

Pessoas que ajudam Maria colocaram recados nas redes sociais com o objetivo de ajudar à moradora e os animais. Elas pedem ração e até mesmo alguém que possa convencer Maria a cuidar melhor do ambiente, dos animais e de si mesma.

Aqueles que quiserem ajudá-la basta entrar em contato com Marlene pelo (31) 3487-3358 ou com a Lídia nos números (31) 3222-6529 / 8884-2767 (Oi) / 9373-1414 (Tim).

Através da Assessoria de Comunicação da Prefeitura entramos em contato com a Defesa Civil, a Secretaria de Desenvolvimento Social e a Zoonoses.

A Defesa Civil informou que não existia um laudo no órgão em relação à residência, então foi até o local e constatou que a rua onde a casa está localizada pertence a Belo Horizonte, logo o município não pode atuar. Apesar disso, os moradores do local dizem que a rua pertence à Sabará.

Já a Secretaria de Desenvolvimento Social e a Zoonoses não haviam nos respondido até o fechamento dessa edição.

Aguardamos, porém que órgãos públicos ajam nessa situação para que o problema seja solucionado, oferecendo um tratamento digno para Maria e um local apropriado para os animais.

Transtorno

de Noé

Esse é o nome dado às pessoas que acumulam animais por vários anos sem ter a mínima condição financeira, física e até higiênica. Mais do que um problema de saúde pública, este comportamento para psicologia é caracterizado como um transtorno de difícil tratamento.

De acordo com especialistas, o indivíduo com a Síndrome de Noé não é capaz de reconhecer que os animais que ele vai acumulando estão sofrendo, seja porque não se alimentam direito ou pela falta de acomodações higiênicas.

Ajuda e

tratamento

Este tipo de doença é mais comum do que muitos podem imaginar. Especialistas dizem que o correto é contatar a Sociedade Protetora dos Animais e pedir que retirem os animais de tal situação para serem tratados e doados. Cuidar de pessoas com Transtorno de Noé, entretanto, não é uma tarefa fácil e demanda a ajuda de vários profissionais, como um psicólogo, um assistente social e um agente de saúde pública, é necessário um trabalho de terapia para tratar da compulsão e para a pessoa se desapegar.

*Nome fictício

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