Muita coisa mudou na vida das mulheres desde o final do século 19 quando as operárias dos Estados Unidos e de vários países da Europa começaram a protestar por jornadas de trabalhos reduzidas e salários mais justos. As condições de trabalho certamente são melhores, os salários estão mais justos, embora as mulheres continuem ganhando menos que os homens em algumas circunstâncias. Além disso, a mulher ganhou o direito ao voto e o de candidatar a um cargo político, o maior exemplo é nossa presidenta, e várias outras conquistas foram alcançadas. Mas tem uma luta que ainda continua árdua para a mulher: a violência, principalmente dentro da sua própria casa.
Pesquisas apontam dados alarmantes de violência contra a mulher: a cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil. Destes casos de agressão, 70% deles ocorrem dentro de casa e são cometidos pelo próprio companheiro.
Na tentativa de combater esta violência, políticas públicas foram criadas especificamente para as mulheres. Em Sabará, integrada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social a Coordenadoria Municipal dos Direitos da Mulher que trabalha em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher tem o papel de prestar assistência às mulheres vitimas de diversos tipos de violência.
A coordenadora Carla Trevas afirma que atualmente o principal objetivo da coordenadoria é resgatar a dignidade da mulher. Ela apela pela conscientização das mulheres vítimas da violência em romper o silêncio e denunciar, para que dessa forma promova seus direitos perante toda a sociedade. A coordenadora diz que a denúncia é o primeiro passo para que a coordenadoria possa desenvolver um trabalho de acolhimento a essas.
Na coordenadoria possui uma equipe de psicólogas e assistentes sociais que fazem o trabalho de atendimento, orientações e visitas às vítimas de agressões, sejam elas físicas ou psicológicas.
Carla Trevas explica que é muito importante trabalhar não só a vítima, mas também o agressor e a família, ?tentamos mostrar para o casal que viver a dois é possível, basta haver um diálogo?, diz.
A psicóloga da coordenadoria Izabela Albuquerque afirma que as visitas às residências facilitam, pois muitas vezes a mulher se sente mais a vontade e segura em falar em seu próprio ambiente e acaba revelando mais detalhes. Além disso, através das visitas existe a possibilidade dos profissionais terem um diálogo com o agressor.
Além desse apoio psicológico, a coordenadoria procura uma forma de retirar a vítima de violência de seu ambiente, caso essa seja a vontade da mulher. Carla explica esse trabalho é muito difícil. Porque muitas vezes a mulher não deixa o lar por falta de condição financeira. Além disso, em Sabará não existe um lugar para abrigar a mulher com os filhos. E quando tem algum familiar, muitas vezes este não pode, não quer ajudar ou a própria vítima não quer voltar para casa dos pais ou ir para a casa de irmão, para não perder sua referência.
Carla salienta que a mulher não precisa procurar a coordenadoria apenas para fazer denúncias, mas também quando estiver insegura, precisando de orientação, ?aqui nós atendemos, acolhemos, orientamos e procuramos dá calor humano, porque muitas vezes é o que elas precisam?, diz.
Apesar da coordenadoria em sua maioria receber denúncias de violência doméstica, ela esta aberta para qualquer denúncia de agressão física, sexual ou psicológica sofrida pela mulher, seja em casa, no ambiente de trabalho ou até mesmo na rua. Para finalizar Carla afirma que a Coordenadoria é o local onde a mulher se sentirá acolhida em todos os aspectos. O telefone da Coordenadoria Municipal dos Direitos da Mulher é o 3671 4572. A mulher que quiser fazer qualquer denúncia de agressão também pode ligar para 180 que é uma Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24h por dia durante todos os dias da semana (as ligações são gratuitas).
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