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Casa de Aleijadinho está em situação lastimável

Casa de Aleijadinho está em situação lastimável

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark
Casa de Aleijadinho está em situação lastimável

No bicentenário de Aleijadinho visitamos a casa onde o artista teria vivido no período em que esteve em Sabará. Segundo o historiador Zezinho Bouzas, o mestre da arte barroca passou pela cidade em 1770, quando fez a portada e as peças em pedra sabão da fachada da Igreja do Carmo e também no fim do século XVIII, quando produziu as peças internas da mesma Igreja do Carmo. Acredita-se que o período total de trabalho dele em Sabará tenha durado cerca de 14 anos, entre idas e vindas, durante este período ele teria ocupado a casa localizada na Rua do Carmo, 153, que existe até hoje.

?Aleijadinho era uma espécie de empreiteiro da época e tinha obras em outros locais. Ele chegou a Sabará com cerca de 40 anos de idade e estava numa fase muito boa de produção?, afirma Zezinho. O historiador explica que o escultor refez o risco da Igreja do Carmo, ou seja, elaborou um novo projeto porque o que existia era um pouco ultrapassado.

Parte da casa foi feita de pau a pique e em alguns cômodos foi usado adobe para as paredes. Na sala pode-se ver o pau a pique, já que o reboco e a pintura foram retirados justamente para mostrar a forma de construção.

Atualmente, mais de 200 anos depois da passagem do artista pela casa, o imóvel se encontra em uma situação lastimável. Em agosto de 2008 foi realizada uma restauração no imóvel, de propriedade particular, que recebeu as obras através da Lei 1374 de 17/01/2006, de autoria da administração municipal 2005/2008. Por essa lei, foi instituído o Programa de Revitalização do Patrimônio Cultural do Município, visando contemplar e garantir a preservação de imóveis tombados, inventariados ou de interesse cultural para a história da cidade.

Apenas seis anos após a reforma os moradores da casa dizem que tem passado por grandes dificuldades. Dona Maria das Dores Alves Borges da Silva, 75, mora no local há 54 anos e conta que está praticamente impossível circular pela casa já que muitas madeiras que foram colocadas no piso durante a reforma estão bambas, rachadas e quebradas. Segundo ela, a madeira original era mais grossa e muito mais resistente, a usada na reforma é de uma qualidade muito inferior, tanto que em apenas seis anos já está apresentando problemas. A aposentada conta que já fez cirurgia nas duas pernas, por isso tem dificuldades para andar e com as madeiras bambas dentro de casa as quedas são constantes.

A nora de Maria das Dores, a dona de casa Rute Preciosa Gomes diz que o telhado foi todo trocado, mas foram usadas telhas menores que as originais, logo, a casa ficou repleta de goteiras.

Além dos problemas, no piso e no telhado, as paredes da casa estão todas mofadas o que causa muito transtorno, pois o local fica com um cheiro muito forte. Davidson Borges da Silva, 24, filho de Rute, diz que já teve vários problemas respiratórios por ter que viver nesse ambiente. As janelas e portas também não foram trocadas de forma correta. Algumas são menores e quando fechadas não cobre todo o espaço aberto, deixando sempre uma brecha.

Pelo fato do imóvel ser tombado ele não pode passar por grandes reformas, a família também não tem condição financeira de realizar qualquer obra. Além disso, há quase 40 anos Dona Maria das Dores luta pela casa na justiça, pois o imóvel pertencia aos seus sogros, quando eles morreram, ela continuou a morar no local com o seu marido e depois da morte de seu companheiro os herdeiros passaram a brigar pelo imóvel. Foram várias as ações, até o momento a aposentada continua com o direito de continuar no local.

Diante de todos esses problemas os moradores procuram uma solução.

De acordo com a Secretaria de Cultura de Sabará, o município não é responsável pela reforma ou restauração de imóveis de propriedade particular tombados. O tombamento existe para a preservação dos imóveis e para que não haja uma descaracterização da arquitetura original. Além disso, o município não possui aparato legal para realizar tal obra, já que a verba pública estaria beneficiando os proprietários. Órgãos como IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional) e IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico) legalmente também não podem realizar a restauração.

Neste caso os donos da casa seriam os únicos responsáveis pelas reformas e preservação do imóvel.

Um pouco de história ...

Apesar de a casa ser atribuída à moradia de Aleijadinho, não existe nenhum documento que comprove que o Mestre do Barroco ficou no local durante sua estada na cidade, mas também não há nada que conteste. Essa história foi passada de geração para geração por isso acredita-se que seja verdadeira.

O historiador José Arcanjo Bouzas conta que o imóvel data do século XVIII, provavelmente foi erguida entre os anos de 1761 e 1770, época em que começou a construção da Igreja do Carmo. Antes da construção da Igreja não existia a rua do Carmo, ela foi pela Ordem Terceira do Carmo justamente para a construção, até 1761 havia apenas um caminho estreito chamado de Morro da Cruz das Almas.

A última vinda de Aleijadinho à Sabará foi em 1806, 22 anos após a sua visita à cidade, a casa ainda pertencia à Terceira Ordem do Carmo.

Hoje perguntamos,porque tiraram o material que ali existia e colocaram um material inferior? Quem vai pagar a conta?

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