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Um mar de lama

Um mar de lama

05/02/2020 10h48
Por: Glaucia Melo Clark
Um mar de lama

Apesar das chuvas intensas, população questiona de onde veio tanta água e lama. Cemig e Vale se pronunciam sobre o assunto

Após a tragédia, a população começou a questionar o motivo de tanta água e o aspecto da lama que tomou conta de Sabará. Embora tenha chovido muito, aconteceram cenas nunca antes vistas na cidade, como a correnteza que tomou conta da rua das Laranjeiras, por exemplo.

Em pouco tempo a informação de que as comportas da barragem Rio de Pedras da Cemig, localizada em Itabirito, haviam sido abertas invadiu as redes sociais. O povo alega que isso teria agravado os alagamentos no município. Nossa reportagem procurou a Cemig para esclarecer esse assunto e a concessionária se pronunciou por meio de sua assessoria.

De acordo com a Cemig, a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Rio de Pedras, situada no Rio das Velhas, encontra-se com máquinas paradas desde maio de 2019 para fins de manutenção no sistema de geração. A concessionária explica ainda que o reservatório permaneceu na condição de nível abaixo do mínimo operativo até a manhã da sexta-feira, dia 24, quando foi tomada a decisão de fechar as comportas parcialmente com o objetivo de diminuir a defluência (saída) da usina e contribuir para a minimização dos impactos das cheias que já se configuravam nas cidades do Rio das Velhas.

“Essa operação implementada pela Cemig fez com que o reservatório retivesse em média 130 m³/s de água e liberando apenas 35 m³/s. Porém, por reter parte significativa de água, o reservatório elevou substancialmente seu nível, limitando sua capacidade de armazenar o excedente de vazão afluente, sendo necessário repassar parte da vazão que chega. Esta alteração foi feita gradativamente visando não provocar elevação súbita do nível do rio à jusante. Cabe informar também que as barragens hidrelétricas não têm condições de controlar plenamente todas as cheias”, afirma a Cemig.

A concessionária diz também que precisa garantir a segurança física da barragem e com o reservatório completamente cheio, toda a água que chega precisa sair. Para isso, na barragem, é construído o vertedouro da usina, abertura por onde sai o excesso de água do reservatório em tempos de chuva, para evitar uma ruptura.

“Na sexta-feira, dia 24, por volta das 17h20 o reservatório atingiu seu máximo e a Cemig, em acordo com a Defesa Civil, foi obrigada a repassar a quantidade de água que estava recebendo por meio da abertura das comportas. Vale ressaltar ainda que a abertura das usinas hidrelétricas não é responsável pelas inundações”, comunica a assessoria da Cemig.

Questionada se tinha alguma responsabilidade sobre os prejuízos causados pela enchente, a concessionária alegou que não compete à Cemig indenização em caso de inundação em cidades a jusante de suas Pequenas Centrais Hidrelétricas.

“A gestão da Cemig na Barragem da PCH Rio de Pedras minimizou significativamente os impactos decorrentes das fortes chuvas na região nos últimos dias, sempre em comum acordo com a Defesa Civil, impedindo que a cheia impactasse a população da região por um período maior de tempo. Por várias horas, as comportas da barragem reduziram a vazão do rio e a Cemig só as abriu, gradativamente, quando, por decorrência do grande volume de chuva, o nível de água na barragem chegou próximo do limite, o que poderia colocar em risco a estrutura. Vale lembrar, ainda, que, nos períodos de estiagem, a PCH Rio de Pedras, é de suma importância para perenizar o Rio das Velhas por meio do manejo das comportas. A inundação, portanto, não foi consequência da ação ou da omissão da distribuidora, mas do grande volume de chuvas. A PCH de Rio de Pedras é um equipamento de apoio e proteção da comunidade”, conclui a Cemig. Nesse momento a barragem continua com as comportas abertas, uma vez que ela está passando por manutenção desde maio do ano passado.

Mas outro fato chamou a atenção dos moradores: o aspecto da lama que invadiu as ruas da cidade. Muitas pessoas acreditam que se trata de rejeitos oriundos da mineração. Dessa forma, nossa reportagem entrou em contato com a Vale para esclarecer essa situação. A empresa se manifestou por meio da seguinte nota:

“A Vale reforça que não há alteração no nível de alerta de nenhuma de suas barragens diante das chuvas intensas que voltaram a ocorrer nessa terça-feira (28/1) em Minas Gerais. Importante reforçar que as estruturas são monitoradas permanentemente por diversos instrumentos, como piezômetros manuais e automatizados, radares e estações robóticas, câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico. Cabe esclarecer, ainda, que barragens de rejeitos não possuem comportas, como é o caso da B3/B4, no distrito de Macacos, em Nova Lima”, afirma a empresa.

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