Domingo, 23 de Agosto de 2026
16°C 27°C
Sabará, MG
Publicidade

Aprendendo com Zé Maria Alves

Aprendendo com Zé Maria Alves

Por: Glaucia Melo Clark
19/03/2015 às 10h50

Luiz Alves

Somos aprendizes. Sempre. Basta pôr atenção em tudo que nos rodeia. Ver e ouvir as pessoas com humildade e sabedoria. Assim viramos gente.

Certa feita fui a uma pescaria. Na viagem de ida um dos companheiros bebera um pouco e tornara-se deveras inconveniente. Falava muito, permitia-se brincadeiras e comentários indevidos, exigia absoluta atenção para si. Senti pena do pobre colega que dividia o banco do ônibus com ele. Viagem longa. Como descansar ou apreciar a bela paisagem? Numa das paradas, não pude deixar de comentar com o companheiro que sentara ao lado do chato.

- Que barra o senhor está enfrentando, hein?

O tal companheiro se chamava José Maria Alves, uma das pessoas mais finas que conheci. Este sorriu e, educadamente, apenas comentou.

- Ele é um bom amigo.

Não precisava dizer mais nada. Corei de vergonha. Seu comentário me fez ver que a tolerância é virtude das maiores. Deduzi que não podemos preconceituar nada e, principalmente, ninguém. Assim que a minha cara vermelha recuperou a natural palidez, procurei me aproximar do ?chato?. Ao voltar da pescaria, além de umas piabinhas, trouxe comigo a certeza de que conseguira um novo e precioso amigo, como dissera o Zé Alves.

Um papo puxa outro. A Copa do Mundo está servindo para ensinar-nos a exercer a sadia convivência com pessoas diferentes. Mas às vezes a gente esquece isso e, como fiz na pescaria, permitimo-nos atitudes das quais devemos nos envergonhar. Assim aconteceu no jogo do Brasil com o Chile. No encontro entre as duas seleções, nossa torcida vaiou estrondosamente o hino chileno. Vilipendiou, pisou, cuspiu num dos símbolos mais sagrados que representam a nacionalidade de um povo: o seu hino. Desmoronei de vergonha, mesmo não estando no estádio. E comecei a suar frio quando teve início o hino brasileiro. E se os chilenos fossem milhares de Zé Alves vestidos de vermelho? Se o fossem, iriam ouvir nosso hino de pé, respeitosamente, e no fim o aplaudiriam. Felizmente, o povo andino agiu como a deseducada torcida brasileira presente e vaiou também o nosso hino. Nivelou-se por baixo.

Emocionamo-nos no Pará ao ouvir o povo continuar o ?Ouviram do Ipiranga?, mesmo após a execução ter sido interrompida na metade. Foi lindo. Em Minas, foi lamentável o espetáculo que demos ao vaiar o hino chileno. Foi ultrajante. Ah, como é curta a distância que separa o orgulho da vergonha...

Sejamos polidos. Caso os chilenos nos dessem o tapinha de luvas que o Zé Alves um dia me deu de modo tão educado, talvez aprendêssemos a ser mais civilizados. Vale ainda dizer que não é o povão que frequenta os jogos da Copa. A grosseria veio da classe que tem grana. E deveria ter berço.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
FLIS 2026 Há 3 dias

Sabará vira palco da literatura, da memória e da arte na 12ª Festa Literária de Sabará- FLIS

FLIS 2026 acontece nos dias 27 e 30 de agosto, ocupa espaços históricos da cidade e reúne lançamentos de livros, cordéis, oficinas, teatro, música e atividades para diferentes públicos.

ARTE GRATUITA Há 4 dias

Grupo Teatro Kabana abre inscrições para oficinas gratuitas de canto, teatro e percussão em Sabará

Projeto Batu Kaki oferece oficinas de Canto e Cena e Percussiva no CEU das Artes; atividades começam em 29 de agosto e seguem até 21 de novembro, com 25 vagas gratuitas por turma

Café com Jabuticaba Há 1 semana

Café com Jabuticaba leva tradição, gastronomia e memória de Sabará para cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte

Projeto “Café com Jabuticaba” leva a tradição, os sabores e as memórias de Sabará a cidades da Região Metropolitana, com cafés afetivos, oficinas de geleia, histórias, música e valorização do patrimônio cultural ligado à fruta símbolo do município.

POLPA E PELE Há 3 semanas

Lançamento do livro Polpa e Pele em Sabará terá sarau poético e entrada gratuita no Rancho da Cultura

Poeta Tamires Lunardelle estreia na literatura com evento aberto ao público no dia 9 de agosto, reunindo poesia, microfone aberto e valorização da cultura local

PRIMEIRO LIVRO Há 3 semanas

Gabriela Correia lança “Romance em Pequenos Versos” no Teatro Municipal de Sabará neste sábado (8)

Escritora sabarense apresenta sua primeira edição física após cinco anos de espera. O lançamento de Romance em Pequenos Versos celebra a literatura, a cultura de Sabará e a força da escrita como instrumento de esperança e transformação.

Lenium - Criar site de notícias