Se Mumuzinho vivesse na Idade Média, seria um dos ícones entre os artistas renascentistas – aqueles prodígios em mais de uma forma de arte e que realizam com maestria tudo em que colocam as mãos. Ele é ator, comediante, cantor, fez sucesso no cinema e na TV em variadas situações, mas no centro de sua arte está o samba. Paixão que ele resume bem neste CD e DVD que lança, “A Voz do Meu Samba”, gravado ao vivo no Rio de Janeiro.
São 20 canções, sendo 11 inéditas em sua voz e interpretação, e boa parte dos principais artistas do gênero mais brasileiro de todos a dividirem microfone com ele.
Nas variadas vertentes do samba de Mumuzinho, que vão do Partido Alto ao Romântico passando por Samba de Raiz e Pagode, há espaço para ícones como Alcione, representantes de geração mais recente, como o grupo Vou Pro Sereno, e estrelas maduras, como Xande de Pilares.
Alcione canta duas músicas com Mumuzinho, “Amor Falsificado”, cheia de energia, e o hit dela “A Loba”, quando ele anuncia que não pode deixá-la sair sem que cantem juntos essa pérola.
Com Vou Pro Sereno, do mesmo bairro do Realengo de Mumuzinho, interpretam “Como um Caso de Amor”, famosa na voz de um dos ídolos do artista, Arlindo Cruz. Já Xande de Pilares divide vocal em “Dono Desse Amor”, samba de astral elevado que é, alias, marca característica do registro.
A gravação abre com samba acelerado e o primeiro single, “Eu Mereço Ser Feliz”, quando a frase da letra: “Melhor que a vida não há” resume bem o espírito do que a noite promote.
Com final de tarde como cenário no Itanhangá, um palco 360º que o aproximava de todo o público como uma ilha numa piscina, ele emenda a romântica (e hit) “Não Quero Despedida”.
O romantismo de seu samba fica exposto na sequência com “Uma Noite 5 Estrelas”, “Homem Perfeito”, “Dois Adolescentes” e “Um Lindo Sentimento”, que fazem parte das inéditas do registro. Ensanduichada entre elas, a animação ganha carga extra com “Curto Circuito”.
“Dengo Nego” é outro hit cantado em uníssono e ele chama Dilsinho para cantarem juntos o pagode “Confiança”. “Não Sou de Ferro” tem a marca romântica de Mumuzinho enquanto em “Barreira que Anda” ele brinca com métrica hip hop.
Chama o “padrinho” Dudu Nobre para homenagearem Zumbi dos Palmares em “20 de Novembro” (data comemorativa da Consciência Negra) e arremata com dois sucessos, “Antiga Escritura” e “Fulminante”, que é dominada pelo público.
Mais um sucesso fecha a noite, “Estonteante”, e se despede.
Depois de ganhar o “Show dos Famosos” com homenagem a Dona Ivone Lara, pergunto seu próximo passo e o que o levou a esta gravação.
“Fazia cinco anos que não registrava um show, e estou em meu momento mais maduro. O show foi uma homenagem, uma exaltação ao samba. Desde pequeno gosto de arte, em todas as suas formas – gosto de cantar, atuar, fazer stand up, mas o samba sempre tem me conduzido”, diz.
Não há explicação melhor para o porquê de “A Voz do Meu Samba”.
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