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O futuro está nas mãos dele

O futuro está nas mãos dele

03/01/2019 12h35
Por: Glaucia Melo Clark
O futuro está nas mãos dele

Sabarense desenvolve equipamento que pode ajudar a resolver um dos maiores problemas ambientais do mundo

Pneus e plásticos representam um grande problema para o Meio Ambiente, mesmo que existam algumas formas de recicla-los, chega um ponto em que boa parte acaba sendo descartado na natureza e demo séculos para se decompor. Foi pensando nisso, que o sabarense Ubiratan Rocha de Oliveira desenvolveu um equipamento que transforma o pneu e plástico em combustível, eles não só deixam de ser descartados no ambiente, como se transformam em algo totalmente útil e que ainda reduz em muito a poluição do ar.

Biotecnólogo e químico de polímeros, Ubiratan é o fundador da empresa Vallor Verde Biotecnologia e Energia Sustentáveis, que atua na área de desenvolvimento de inovações tecnológicas com objetivo de diminuir os danos ambientais causados pelos homens e por suas invenções.

Desde 2010 o químico vem estudando uma forma de extrair o petróleo do pneu e do plástico para a produção de biocombustível. Em 2017, o projeto foi finalizado. Ele conseguiu criar equipamentos que conseguem transformar o pneu e alguns tipos de plástico em gasolina. Uma verdadeira revolução!

A tecnologia desenvolvida por Ubiratan é totalmente inovadora. Segundo ele, equipamentos parecidos com o criado pela Vallor Verde, existe apenas na China, Estados Unidos e Alemanha, mas nesses países consegue-se a extração do petróleo bruto,sem nenhuma possibilidade em transformá-lo em combustível, isso torna sua criação única no mundo.

Além disso, a gasolina extraída dessa tecnologia possui um baixo índice de enxofre, reduzindo em muito, os gazes poluentes na atmosfera. Atualmente, a gasolina produzida no Brasil possui um teor de enxofre de 50ppm (parte por milhão), ou seja, 50 miligramas de enxofre por quilo. A gasolina produzida por Ubiratan, possui apenas 14ppm. Um grande avanço, com baixíssimo valor de emissão de gases. E tem outra vantagem, a gasolina oriunda dos pneus possui 94 octanas, enquanto a gasolina que é vendida em postos brasileiros possui 87 octanas. A octanagem mede a qualidade do combustível, quanto maior a octanagem da gasolina, maior sua qualidade, pois é melhor para o motor, conseguindo suportar altas pressões e temperaturas.

Ubiratan ressalta ainda que a matéria prima utilizada por ele para extrair a gasolina é ainda mais complicada do que as utilizadas pelas refinarias, pois o petróleo brasileiro possui 1,2% de enxofre, já o pneu possui 2,5% de enxofre, já que esse produto é utilizado para curar o pneu. Para alcançar tão bons resultados, o químico também desenvolveu uma nano-partícula que proporciona a redução do enxofre e a purificação do óleo oriundo do pneu e do plástico.

A gasolina produzida pela Vallor Verde já conquistou o laudo do Laboratório de Ensaios de Combustíveis (LEC) da UFMG, coordenado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O LEC monitora a qualidade dos combustíveis comercializados em Minas Gerais.

Ubiratan diz que a equipe da Vallor Verde é formada por ele, por engenheiros e doutores em Ciências da UFMG. O equipamento responsável pela produção de biocombustível já está sendo patenteado.

Em relação à comercialização do produto, deverá ser iniciada no próximo ano, mas a princípio será feita através da logística reversa, ou seja, o combustível só poderá ser vendido para empresas que destinarem corretamente para Vallor Verde pneus e plásticos que serão devolvido em forma de combustível.

A intenção é montar uma unidade em Betim que produzirá o biocombustível. Para a comercialização completa a Vallor Verde ainda aguarda a regulamentação da ANP.

Prêmios

O equipamento foi aprovado no edital de Inovação Tecnológica para Industria uma iniciativa do sistema Sebrae-Sesi-Senai e Fiemg. Através do prêmio foi possível conquistar investidores que apostassem na ideia, possibilitando o desenvolvimento e normatização do biocombustível.

Mais inovação

E não para por aí! A Vallor Verde teve mais dois projetos aprovados no Edital de Inovação para a Industria da ArcelorMittal.

Através da casca do eucalipto a Vallor Verde desenvolveu uma película antifuligem para o carvão. Essa película que é feita com um princípio ativo da casca do eucalipto impede o desprendimento da fuligem produzida pelo carvão.

O outro projeto diz a respeito a produção do biocarvão, também utilizando a casca do eucalipto com matéria prima.

Atuação

Além da Vallor Verde, Ubiratan atua como pesquisador voluntário de química na UFMG na equipe do professor Jadson Belchior, trabalho que foi fundamental na elaboração dos equipamentos.

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