Cultura e gastronomia sabarense bordadas em delicados tecidos. Esse foi o presente que a exposição “Floreando – Arte, Cultura e Gastronomia Sabarense” ofereceu aos visitantes nos dias 22 e 23 de junho na Avenida Getulio Vargas, 54, e ainda nos dias 28 e 29 de junho no Espaço Cultural Maria Clara Dias – Restaurante Bar Ôco.
A exposição foi organizada pela Associação das Bordadeiras Reunidas de Sabará (Bordares) e idealizada pelas bordadeiras Maria de Fátima de Costa Abreu, Ana Angélica Machado Lessa e Fátima Regina Costa.
Maria de Fátima, mais conhecida como Fafata, diz que a ideia surgiu conversando com as amigas do bordado sobre os antigos jardins e pomares que existiam nas casas sabarenses. Logo, quando foi proposto pela presidente da associação, Zilá Batista, que fosse feita uma coleção, aquele bate papo estava fresco. Então pensou: porque não explorar essa riqueza e resgatar essa memória?
A proposta foi feita para as bordadeiras e foi aceita. Fafata resolveu então começar uma longa pesquisa sobre a diversidade de flores e frutos que eram comuns nos quintais sabarenses, mas agora se tornou algo difícil de encontrar.
Além das belas peças produzidas em tecidos e bordadas à mão, através da pesquisa foi feito um catálogo com fotos das flores e frutos e ao lado as fotos dos bordados. E ainda curiosidades e detalhes sobre cada espécie. “Quando a gente apresenta uma coleção, temos que contar o porquê daquilo, um pouco da história”, explica a bordadeira.
Ana Angélica conta que a princípio as outras bordadeiras se assustaram com o ponto matiz, já que muitas não sabiam, mas ela se dispôs a ensinar essa forma de bordar que aprendeu ainda criança. O resultado não poderia ser melhor, os bordados ficaram lindos e registraram justamente o tema proposto, misturando a arte, cultura e gastronomia sabarense.
As bordadeiras de Sabará através de seus belos bordados mostraram que o nosso bordado é riquíssimo e pode ser levado qualquer lugar, realizando o sonho de uma das idealizadoras da exposição. “Meu sonho é tornar o bordado de Sabará conhecido em vários lugares”, disse Ana Angélica.
Bordares
A Bordares, além de promover eventos como esse e produzir arte e cultura tem ajudado muita gente a encontrar um sentido para a vida.
O projeto da Bordares foi uma iniciativa de Cláudia Cristina Andrade que preocupada com a situação de sua mãe, Maria Geralda, após a perda do marido, seu pai, ficou muito triste e deprimida. Ela criou um projeto, com o objetivo de recuperar os bordados antigos, para isso contratou uma professora para ensinar um grupo de mulheres a bordar. O projeto foi apresentado e aprovado na Chamada Pública da AngloGold, ganhando o apoio da empresa. A partir desse grupo criado há três anos nasceu a Bordares.
O projeto trouxe alegria não só para Maria Geralda, mas também para muitas mulheres, como conta Maria de Fátima. Há cerca de três anos, ela estava vivendo um período de depressão, após a perda dos pais e foi no bordado que encontrou uma razão para continuar. “Hoje eu não tomo mais remédios. Eu sinto alegria em bordar. Achei que não iria dar conta, mas o bordado mudou a minha vida. Foi uma reviravolta”, conta.
Atualmente, a Bordares tem na presidência Zilá Batista e 16 associadas. A associação não conta mais com o apoio da AngloGold, mas a presidente ressalta que sem incentivo seria muito difícil criar e manter a Bordares. “Nós tivemos uma assessoria e consultoria muito boa da AngloGold em parceria com a Yunus Negócios Sociais que nos proporcionaram muito conhecimento, para que tivessemos forças para caminharmos sozinhas, assim que desligássemos da empresa. Eles nos orientavam e incentivavam, valorizando o nosso trabalho”, ressaltou.
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