Um dia me contaram que o Esporão, ala masculina do Crisantemo (CrisanTEmo, a sílaba forte no TE, como os sabarenses falamos, e não criSÂNtemo, como ensinam os bobos dicionários) que o Esporão, quando trombava com o Cravo Vermelho, era briga na certa.
Houve um ano em que os blocos do Farol e do Mundo Velho se estranharam feio em uma de nossas ruas. Mas no outro carnaval o encontro se deu com abraços, troca de estandartes, visita às sedes. Tudo muito bonito e civilizado, como, aliás, sempre deve ser.
Agora, quando volta à baila a discussão sobre o nojento racismo, é com orgulho que revejo a foto já amarelecida de meu saudoso e mulato pai posando como presidente do Mundão. O clube abrigava negros, mulatos e os menos bafejados pela sorte, sem distinção de cor. Já o Cravo, construído com luxuoso requinte pela Belgo Mineira, era reduto da orgulhosa elite branca. Bom que isso tenha acabado.
Mas mudaram-se outras coisas também. O Cravo há séculos não põe o bloco na rua. O Crisantemo morreu e reencarnou-se como Casa do Caminho, local em que se leva a sério a doutrina de Kardec e onde a caridade corre solta. A sede do Farol agora é loja. Ali o consumismo é que corre solto. O Farol agora passa a engrossar o Bloco dos Sem Teto.
Mas o Mundo Velho continua na área. No carnaval, o seu verde e amarelo prossegue colorindo a cidade com a animação que perdura há mais de cem anos. Recorda-me até o poético comentário de um amigo. Certa feita, ao vermos o Mundão tingir com as cores nacionais o nosso carnaval, ele me cutucou, referindo-se à tradição do Clube.
- Quando o Mundo Velho passa, o sabarense deveria assistir ao desfile ajoelhado.
Na hora, o comentário me soou como puro exagero. Mas quando o bloco passou dançando, cantando e encantando, cogitei que não cometeríamos sacrilégio se batêssemos o joelho no chão, agradecendo àquela simples e linda gente a preservação de tão belos valores.
Veio-me forte a saudade do velho pai, ex-presidente do Mundão. O bloco dobrou a esquina e, com a alma verdeamarelada, agradecida e orgulhosa, fui para casa pisando nas nuvens. Subi o Morro da Intendência cantarolando ?Salve, salve o glorioso Mundo Velho?.
Luiz Alves
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