Apaixonado por literatura, história e acima de tudo por Roça Grande, esse é Valdemar Arcanjo, nosso entrevistado especial da série “Cantinho dos Escritores Sabarenses”.
Nascido em 29 de setembro de 1957, em Roça Grande, Valdemar Arcanjo é um descendente da família Hilário/ Alcântara que chegou ao bairro após a libertação dos escravos, em 1888. A casa onde vive hoje com a sua família tem mais de cem anos e foi a base de escravos vindos de Nova Lima.
O historiador que escreve desde 12 anos tem como sua principal obra, o livro “A Roça Conta um Conto”, onde reúne todas as suas paixões. O livro conta a história de Roça Grande e sua importância no contexto nacional e estadual. Para quem não sabe o local onde nasceu Sabará já chegou a ser, politicamente, o local mais importante do Brasil, por alguns meses. “Entre março de 1703 e junho de 1703 o governador da Capitania de São Paulo, a mais importante da época, esteve em Roça Grande onde de lá, despachava para a Coroa Portuguesa”. Essa é uma das curiosidades que está nas páginas do seu livro recheado de histórias muito interessantes contadas por antigos moradores.
Valdemar diz que se baseou nas famílias tradicionais da época que contribuíram para a construção do bairro. “Vieram os Alcântaras, os Benficas e os Araújos. Os Alcântaras vieram após a abolição, são negros que foram escravizados em Nova Lima, meus ascendentes. Os Benficas vieram da Itália e os Araújos de Portugal”. Além disso, falam de personagens importantes da história de Roça Grande, como Chico Plácido, que foi um dos responsáveis pela organização das festas dedicadas ao santo no início do século XX e Castro Barbosa, cantor que ficou conhecido com a gravação da música “O teu cabelo não nega” de Lamartine Babo.
A ideia de escrever um livro sobre Roça Grande veio após uma promessa feita por Valdemar a São Miguel Arcanjo, seu protetor. “Em 1982, eu trabalhava na linha de trem em Araçatuba, em São Paulo. Um dia eu estava trabalhando e começou um tiroteio entre policiais e traficantes. Encontrei um buraco próximo à linha e entrei, lá fiquei quieto e me salvei. Prometi a São Miguel que faria 20 promoções à Roça Grande em agradecimento. Este livro é a 19ª promoção”, conta.
As promoções, como ele diz, foram realizadas por Valdemar durante todo esse tempo, através de várias ruas de lazer e diversas corridas, tudo voltado para a comunidade. Agora, a sua 20ª ação será mais uma obra literária, também sobre Roça Grande: “O Folclore na Terra de Santo Antônio”. O livro já está pronto, mas Valdemar precisa de patrocínio para editá-lo.
Ele conta que patrocínio sempre é muito difícil. Para editar o “A Roça Conta um Conto”, lançado em 2004, Valdemar procurou o apoio de Sérgio Alexandre, Serjão, que foi um grande incentivador; ele indicou Robergom para Valdemar. “Robergom foi um anjo para mim, me recebeu de braços abertos, me animou a continuar a pesquisa e fez toda a revisão do livro sem cobrar nada e ainda me ajudou no lançamento do livro”, conta.
Utopia, um livro de poemas, foi sua primeira obra lançada. Além do livro, Valdemar tem mais de 500 poesias escritas. O escritor ainda trabalha com edição de vídeos e tem um enorme acervo de fotos e vídeos sobre Roça Grande, entre essas imagens tem um documento valiosíssimo sobre o Hospital Cristiano Machado.
Valdemar continua fazendo pesquisas sobre Roça Grande e está sempre preocupado em divulgar a terra onde nasceu e foi criado. “Roça Grande é um lugar pequeno, mas maravilhoso de viver. Eu sei que é utopia, mas pretendo transformar esse lugar em um portal turístico de Minas Gerais e vou continuar meu trabalho, pois a minha missão aqui na Terra é divulgar Roça Grande”, conclui.
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