Após passar por um longo período de atividades remotas devido a pandemia, a Sociedade Musical Santa Cecília de Sabará retomou todos os seus trabalhos de forma presencial. Obviamente, para que isso seja possível são seguidos vários protocolos sanitários, como rodízio de integrantes por ensaio e carga horária menor para cada grupo, além, é claro, do uso de máscaras.
A instituição retomou suas atividades presenciais em outubro do ano passado, porém apenas a Orquestra de Cordas reiniciou as atividades naquele período, pois era o grupo que poderia fazer os ensaios e aulas com os alunos usando máscaras. A orquestra fez até um Concerto de Natal em parceria com a Paróquia do Rosário no dia 22 de dezembro, no Cine bandeirantes.
Desde a segunda semana de fevereiro deste ano foi feito o retorno das atividades presenciais dos grupos restantes: Banda de Música, Coral adulto e Coro Infantojuvenil. “O trabalhou remoto teve um impacto significativo nas atividades da Santa Cecília. Chegamos a perder alguns alunos nesse período, porém foi possível manter o trabalho de ensino musical através das aulas on-line. Isso auxiliou os alunos a manter a animação e o contato com instrumento durante a pandemia e tecnicamente, pelo menos manteve o nível de estudo dos músicos, sendo que alguns alunos tiveram uma evolução até maior do que se fosse em um contexto normal”, explica Lucas Duarte Neves, maestro da Sociedade Musical Santa Cecília.
O maestro conta que até o ano passado os ensaios estavam sendo feitos de forma online, em plataformas de vídeo conferência como o Zoom e o Google Meet. Como não era possível sincronizar a execução de todos, ele usava guias de áudio para que os músicos pudessem manter o andamento e tocassem com uma referência melhor da música. Eles faziam isso com o áudio do aplicativo fechado para que não houvesse interferência no som que Lucas estava compartilhando.
“Quando era necessário uma análise melhor da execução e prática dos alunos, cada um tocava separadamente, sendo possível auxiliar nas correções de forma mais efetiva. Logicamente isso trouxe uma situação que os músicos não estavam acostumados, pois nos ensaios presenciais, normalmente os músicos mais novatos se guiam pelos mais experientes e conseguem tocar a partir da referência do outro. No ambiente online isso não era possível, sendo que o músico ficava muito mais exposto do que antes. Alguns lidaram bem com isso, outros nem tanto. Mas de uma forma geral o resultado foi bem positivo”, diz Lucas.
Agora, a preparação dos músicos nesse início de ano tem como objetivo os eventos da Semana Santa que acontecerá em abril. “Nossa perspectiva é de recomeço. Temos uma expectativa de retomar o ingresso de novos alunos, o que não aconteceu nesses dois anos de pandemia, e continuar com o nosso trabalho de ensino musical gratuito, oferecendo uma oportunidade de aprendizado e de crescimento humano a partir da prática musical”, afirma o maestro.
A Sociedade Musical Santa Cecília conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Sabará que destina uma verba que possibilita a contratação de alguns professores de música e assim manter o ensino musical oferecido pela entidade à comunidade. Além disso, eles contam com alguns colaboradores e voluntários que dispõe de seu tempo para auxiliar no trabalho de ensino, mas ainda é preciso muito apoio para poder realizar todo o potencial educacional que a entidade pode oferecer. O maestro diz que eles estão sempre buscando professores de qualidade e valorizando a prata da casa, uma vez que alguns dos professores iniciaram seus estudos musicais na própria entidade.
Nesse retorno das atividades presenciais, a entidade conta com cerca de 95 músicos. Esse grupos contemplam praticamente todas as faixas etárias, com alunos desde os sete anos até os mais de 80. A banda tem uma faixa etária mais diversificada com crianças, adultos e idosos. O Coro Infantojuvenil recebe os caçulinhas, já que o trabalho nesse grupo é direcionado para crianças e adolescentes. A orquestra possui mais jovens, com uma faixa etária variando entre 12 e 30 anos e o coral adulto, contempla, normalmente, os acima de trinta até idosos.
“Acreditamos que esse trabalho que realizamos com muito esforço é um diferencial na formação humana dos jovens que por aqui passam. Ver a entidade passar por esse contexto de pandemia e ainda sim continuar sua história é uma alegria, ao mesmo tempo temos a consciência de que necessitamos ainda de muito apoio e de políticas públicas para que esse trabalho permaneça alcançando o seu objetivo que é a formação de cidadãos conscientes do seu valor e que valorizam o estudo e a arte”, finaliza Lucas Duarte Neves.
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