Ensina a filosofia dos malandros que devemos aceitar os elogios, mesmo os imerecidos, e refutar com firmeza as ofensas, ainda que justas.
Vamos aos elogios. Inspirada poetisa, Dona Zazinha compõe lindo anagrama natalino e o encaminha para um “grande poeta”, vejam só. Peço-lhes, esclarecidos leitores, o favor de não desiludir a gentil viúva do Sílvio Lourenço. Deixem-na imersa em seus equívocos. O que vale é este cronista das pessoas e coisas sabarenses estar consciente do seu bondoso engano.
Vamos à ofensa. Dizem que este pacato professor é culpado pelas pombas que voam por aí, frequentando telhados, espalhando piolho, prenunciando doenças, infernizando a vida. Donde saiu essa conversa?
Revolvendo a memória, recordo que, lá pelos anos 70, quando era presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, recebi do Prefeito a incumbência de resolver o problema dos belos, mas perigosos e chatos bichinhos que rugiam nos telhados da antiga Vila Real. Procurei os entendidos. Devíamos conseguir local onde concentrássemos as aves, como a Praça Santa Rita, construindo nichos e provendo-as de alimentação. Cairia gradativamente a presença dos bichinhos nos telhados. Depois, partir pra judaica solução final, no dizer do bondoso Adolf Hitler. Ah, pra quê... Ergueram-se, furiosos, os “ecochatos”. Virei um São Francisco às avessas. Então mandei tudo às favas. Que cada um cuidasse dos seus piolhos. Agora, após 50 anos, alguém me elege o cara das pombas... Ora, pombas!
Mas conversa fiada também é cultura. O Raimundo Correia, expoente de nossa literatura, é também conhecido como o “Poeta das Pombas”. Leiam o final de um de seus mais conhecidos e belos sonetos.
Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.
Estão vendo? Em tudo sou o oposto do grande Raimundo Correia. Não sou poeta coisa alguma e ando muito longe de ser um columbófilo.
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