O que parecia definido para muitos acabou não acontecendo: Luiz Alves não é o vice na chapa de Wander Borges. O que aconteceu? Na entrevista que ele deu à Folha, leia a explicação sobre o que deve ter ocorrido nos bastidores da escolha de outro vice, frustrando, assim, a expectativa de muita gente.
Folha de Sabará: Quando acabou o seu mandato de vereador, você não se recandidatou e disse que não pleitearia outro mandato. O que aconteceu para que, de repente, o seu partido, o Partido Verde, colocasse o seu nome à disposição para se candidatar a vice-prefeito na chapa de Wander Borges?
Luiz Alves: Estou aposentado como professor, depois de 40 anos de magistério. Então, decidi terminar a missão de educador prestando serviço à minha cidade, onde iniciei o trabalho nas salas de aula. Então, elaborei um grande projeto baseado em experiências positivas que obtive quando lecionei em escolas de Sabará e pretendia aqui implantá-lo. O projeto, do qual muito me orgulho, foi apreciado, enriquecido e aprovado por outros especialistas da área.
FS: Em que se baseia tal projeto?
LA: O de educar usando a Arte. E a expressão artística que mais se presta à educação de crianças e adolescentes é o Teatro. O teatro desinibe, disciplina, ensina a ler, escrever, a interpretar o texto, a acender a sensibilidade. Fazia isso nas escolas em que atuei e o sucesso foi enorme. Tenho imenso número de ex-alunos a comprovar o que afirmo. Afinal, de quem faz ou admira a Arte não vem mal ao mundo.
FS: Dizem que você procurou o Fantini e mostrou o seu projeto. Mas vocês não são de partidos políticos opostos?
LA: A Educação está muito acima de qualquer interesse político. A educação é o que mais importa. O educador tem missão muito mais nobre do que o político. E foi nesse nível que conversamos, deixando a política de fora.
FS: Qual a diferença primordial entre o político e o educador?
LA: O político vive pensando na próxima eleição. O Educador pensa na próxima geração.
FS: Houve receptividade ao seu projeto por parte do atual prefeito?
LA: Total. Ele se entusiasmou com o projeto e encaminhou-me aos seus secretários de Educação e de Cultura. O Saulo Laranjeira tomou conhecimento e disse que estava arrepiado. Comprometeu-se a apoiar o nosso projeto até em outras regiões do estado. A bola então foi passada para o Jessé, secretário de Educação. Para que o projeto fosse levado a efeito com a qualidade que merecia, solicitamos certas condições que esbarraram em entraves burocráticos. Os meses foram passando e não houve mais tempo hábil para concretizar o nosso “Teatro na Escola”. Foi muito triste. A moçada saiu perdendo.
FS: Você desistiu do projeto?
LA: Nunca. Foi quando procurei a minha agremiação, o Partido Verde. O presidente, Willian Borges, recebeu-me de braços abertos, como todos os demais participantes do PV. Então meu nome foi colocado à disposição do partido para concorrer como vice na chapa majoritária. Procurei o deputado Wander Borges, que não demonstrou entusiasmo com a idéia. Pareceu-me que tinha alternativa melhor.
FS: Ele rejeitou sua candidatura logo de início?
LA: Ele nunca faz isso. Apenas disse que o seu partido estava fazendo coligações e deveríamos esperar um pouco. Mas a notícia ganhou as ruas. Um mundo de gente afirmava que eu seria o melhor nome para conseguir votos na sede. Nas duas eleições anteriores, o Fantini havia massacrado. Na primeira eleição do William, o Fantini saiu com quase 70% dos votos na sede. A virada ocorreu com os votos de fora. O mesmo ocorreu quando o William se recandidatou. Novamente o Fantini deu uma lavada na sede. Ele, com muita prudência e sabedoria, se fortaleceu nas outras regiões e escolheu como vice o Ricardinho, o vereador de maior votação na cidade. Deu certo. Foi então que os partidos coligados com os Borges entenderam que os votos da sede não poderiam ser ignorados, pois pesariam muito na balança.
FS: Mas se de fato entenderam isso, por que sua candidatura como segundo nome na chapa não vingou? Afinal, seu prestígio é muito alto aqui. Os funcionários municipais, principalmente, ainda se recordam de sua gestão como prefeito com muito carinho.
LA: Fico agradecido a eles. Mas, são coisas da política. O Wander entendeu que outro nome seria melhor que o meu. Direito dele. Só me restou aceitar a sua decisão.
FS: Fala-se que o nome de Lucas Silva surgiu como manobra para que o Argemiro Ramos, seu sogro, viabilizasse sua volta como vereador. Ficaria complicado sogro e genro se candidatarem à vereança. Será que o seu projeto de educação voltado para crianças e jovens perdeu para um arranjo familiar?
LA: Não quero entrar nesse mérito. O Argemiro e o Lucas são pessoas com uma folha de serviços prestados ao município e por eles tenho sincero apreço. Jamais falarei mal dos dois. Preocupa-me outro problema.
FS: Qual seria essa preocupação?
LA: O Lucas é uma agradável promessa política. Foi um bom vereador e teria muito a somar naquela casa legislativa. Tenho medo de, caso não seja eleito, sua trajetória sofra lamentável interrupção. Sendo o escolhido, cairá em seus ombros a responsabilidade de enfrentar o Fantini aqui na sede. Se não conseguir isso, e o Wander for derrotado, podem creditar a derrota ao Lucas. É um fardo pesadíssimo que ele vai carregar.
FS: Restou alguma mágoa em todo esse frustrante processo?
LA: Nenhuma. Continuo devendo algumas gentilezas ao Wander, mesmo ele não tendo levado em conta meu nome e meu projeto para a educação. Os colegas do PV foram formidáveis comigo. Ampliei muito meu círculo de amizades. Abraço a todos, principalmente o William Borges, nosso presidente, e sua esposa. Brigaram muito, mas a decisão já estava pronta. Ao Willian e amigos do PV desejo todo sucesso no pleito que se aproxima.
FS: E você, vai acompanhar o seu partido e votar na coligação da qual ele faz parte?
LA: O Wander já mostrou que meu apoio não lhe faz falta. Ao eleitor cabe o julgamento final. Acho que vou ficar no meu cantinho.
FS: E quanto ao futuro político do Luiz Alves?
LA: Não ligo a mínima. Não se esqueça de que sou, principalmente, educador. A Política é apenas suporte para a missão que tenho de formar cidadãos. Repito: Não penso na próxima eleição. Meu compromisso é com a próxima geração.
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