Claudinei Ploc colore as ruas mostrando que o spray pode produzir muita beleza
Após a Igreja São Francisco na Pampulha, em Belo Horizonte, ser pichada, muita coisa mudou em relação à venda de tinta spray na capital. A partir do dia 17 de junho, toda pessoa que for comprar o produto deverá ser cadastrado na loja, o objetivo é tentar coibir a prática dos pichadores.
Enquanto algumas pessoas utilizam a tinta para fazer vandalismo e sujar a cidade, como já mostramos na Folha, outros usam o produto para produzir arte e deixar as ruas mais belas e com mais vida. É o caso do sabarense Claudinei de Carvalho, mais conhecido como Ploc, que há cerca de 17 anos se enveredou pelo mundo do grafite.
O desenho chegou cedo na vida do grafiteiro, ele conta que os primeiros traços foram feitos ainda criança, quando estudava na Escola Estadual Paula Rocha. “A professora Eneida nos levava as Praças Melo Viana, Santa Rita, para fazermos desenhos de observação, podíamos desenhar como quiséssemos, a aula era sobre o patrimônio, então foi aí que comecei a desenhar as belezas de Sabará”, lembra.
Já o grafite veio de forma inusitada e a Folha de Sabará tem um papel fundamental nessa escolha. Ploc lembra que em 2000 a Folha fez um concurso em homenagem aos 500 anos do Brasil, os artistas plásticos iriam pintar a fachada do jornal que funcionava na Rua Mestra Ritinha com imagens que remetessem aos 500 anos do país, ele não se inscreveu, porque estava com um dedo quebrado, mas acabou participando. Seus amigos que já estavam acostumados com o spray, porque eram pichadores, pediu para Ploc fazer um desenho que eles viriam com o spray depois. Então ele fez os desenhos para os amigos só cobrirem com a tinta, mas como sobrou um espaço na parede, resolveu fazer o seu próprio grafite. E pela primeira vez manuseou o spray e viu que era bem mais fácil que imaginava, foi assim que resolveu entrar para o mundo dos grafiteiros. Em seguida, participou de uma oficina que teve aqui em Sabará, na Praça de Esporte com o grafiteiro Sérgio Luiz, vulgo Anjo, de lá pra cá não parou mais.
Hoje, Ploc vive de sua arte, podemos ver seus grafites em várias ruas de Belo Horizonte. Além disso, seu trabalho já passou por São Paulo, Rio de Janeiro e até por Belém.
Ele diz que agora sua intenção e trazer sua arte para Sabará, já que voltou a morar na cidade. O artista é autodidata, mas teve aulas com importantes nomes das artes plásticas, como Julia Portes e Léo Brizola, todos da Escola Guignard. O contato com os professores foi quando participou de um projeto com Julia Portes no Instituto Undió, onde disse que se reencontrou na arte do grafite. “Eu pintava coisas mais americanizadas, já que tinha muita influência, porque o grafite veio de lá. No instituto eles abriram a minha cabeça e me incentivou a pintar coisas que remetessem à minha origem, foi onde me guiou para fazer o que eu faço atualmente. Hoje tenho muita influência de Aleijadinho, cores barrocas e peguei todas as referências aqui de Sabará”, conta.
Além disso, ele também faz arte em tela, participou no mês de julho do Arte Favela, uma exposição com outros artistas de grandes painéis que foram colocados em becos de Belo Horizonte. Os painéis faziam uma releitura dos poemas de Carlos Drummond de Andrade. Essa mesma exposição está sendo apresentada no Festival de Inverno de Itabira, cidade natal do poeta.
Em Sabará, ele pensa em desenvolver algum projeto voltado para a arte de rua e também em passar seu conhecimento para frente. Disse que já o procuraram para realizar oficinas para crianças. O objetivo é auxiliar a meninada na pintura de estandartes que provavelmente serão expostos na Festa do Rosário.
Outro projeto que Ploc tem em mente é expor na cidade imagens de personagens sabarenses que também são patrimônios do município. Por enquanto, ele procura apoio para dar prosseguimento a esse projeto.
Esperamos, em breve, vermos nossos personagens que tanto marcaram nossa história nas ruas novamente, mas através da arte do grafite.
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