Fábrica de Graffiti (fabricadegraffiti.com.br) para em Sabará (MG), onde está sendo pintado um muro de 2 mil m² próximo ao centro histórico da cidade, de 16 a 30 de novembro. Dos 18 artistas participantes, 11 são mulheres. Essa é a primeira vez que o projeto ultrapassa os 50% de vagas reservadas a artistas mulheres, dando mais espaço para a arte feminina no mercado de trabalho que é tão desigual entre os gêneros. Valorizando também a arte local, assim como a diversidade cultural, o grafiteiro de Sabará, Ploc, é um dos convidados do projeto, e os dois artistas selecionados por convocatória são Marieta, de Manaus (AM), e Guime, de Joinville (SC). Além disso, todos os artistas receberão o mesmo cachê proporcional ao tamanho do muro, independentemente da experiência e trajetória no graffiti.
São 18 artistas. Também participarão do projeto Mona (Amanda Soares Vilaça), GAL (Giselle Marie Silva Ramos), Tita (Tânia Marina do Nascimento Gomes), Tina Soul (Ana Cristina Assunção Leite), Siang (Estela Amaral de Almeida), Tefa (Stephanie Lorraine Ribeiro Ferreira de Paula), Flô (Lanna de Souza Batista), Fear (Vagner Luiz caldeira da Silva), Leds (Ledinir Marques do Nascimento), Ash (Marcos Rodrigues de Freitas), Clara Valente (Maria Clara Barbosa Valente), Comum (André Novais Machado), Mari Flô (Maria Flor Canuto), Thiago Alvim e Larissa Duque.
O projeto Fábrica de Graffiti em Sabará é patrocinado pela Fundação ArcelorMittal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, em comemoração aos 100 anos da ArcelorMittal Aços Longos na cidade. Estão sendo cumpridas todas as normas de saúde e segurança do trabalho e de controle da pandemia.
Proposta
A pintura do muro da siderúrgica da ArcelorMittal em Sabará, localizado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, unirá o tradicional e o contemporâneo – a estética de uma cidade histórica, com construções que remontam ao século XVII, e a arte urbana, surgida nos anos 1970. “A liberdade criativa é uma característica central da Fábrica de Graffiti. Não estabelecemos temas para os grafiteiros e trabalhamos exclusivamente com artes autorais. Essa também é uma forma de estimular o setor cultural e apoiar os artistas”, comenta a fundadora e produtora executiva da Fábrica de Graffiti, Paula Mesquita Lage. É previsto o uso de 1.300 latas de spray no projeto.
Descentralização da arte - Mais do que democratizar a arte de rua, dando acesso ao olhar de todos os moradores das cidades por onde passa e estimulando o mercado do graffiti, a Fábrica de Graffiti descentraliza o acesso ao escolher municípios áreas distantes dos centros culturais urbanos, os quais recebem a maioria dos projetos culturais do país.
Como a realização habitual do curso de graffiti presencial para a comunidade receptora foi prejudicada pela pandemia, nesta edição serão disponibilizados para a Secretaria de Cultura de Sabará o material didático e as videoaulas do curso.
Arte local
O grafiteiro Claudinei de Carvalho, mais conhecido como Ploc, é o artista local convidado pelo projeto Fábrica de Graffiti em Sabará. Nascido e criado na cidade, Ploc começou a desenhar ainda criança. Foi vendo um clipe do Afrika Bambaataa, um dos precursores do hip hop, que ele conheceu o graffiti. No vídeo, o rapper novaiorquino usava uma lata de spray para pintar. “Comecei a praticar em casa e, em 1999, fiz meu primeiro trabalho como grafiteiro, vencendo um concurso da Folha de Sabará com o tema Brasil 500 anos”, conta.
No projeto da Fábrica de Graffiti, Ploc vai trazer uma estética barroca que remete à história de sua cidade natal. “Quero pintar as memórias de Sabará, coisas que os antigos moradores comentam e não existem mais. E também motivos semeadores de sonhos e as questões sociais envolvidas nisso”, explica. “Sabará recebe poucos projetos que contemplam a arte de rua, a vinda da Fábrica de Graffiti tem uma importância ímpar para o movimento na cidade”.
Arte de norte a sul
Os dois artistas selecionados pela convocatória da Fábrica de Graffiti em Sabará vêm de lugares opostos do Brasil, Marieta é de Recife (PE), mas foi em Manaus (AM), onde vive desde 2010, que se tornou grafiteira, já Guime é de Joinville (SC) e começou a grafitar muito jovem, com 14 anos.
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