Os técnicos europeus que chegaram em Sabará na década de 1920, se encantaram com os festejos carnavalescos que existiam na cidade. Eles entraram logo no clima e, fantasiados, munidos de confetes e lança-perfumes, desfilavam pelas ruas com as famílias, integrando os chamados “cordões”. O Clube Cravo Vermelho, ao qual se associavam, era responsável por reunir os foliões. A agremiação recebia apoio financeiro da “Siderúrgica”.
O Clube foi fundado em 31 de dezembro de 1921, pela senhora Isaura Orsini, ilustre sabarense. Ela reunia rapazes e moças de famílias tradicionais da cidade, para brincar o carnaval. Os bailes aconteciam nos salões da sua residência, o antigo “Sobrado do Barão”. De lá, um animado cordão saía pelas ruas da cidade. Exibiam fantasias de índios, czares, turcos, colombinas, pierrots, borboletas e outras, entoando hinos, ao som do “Jazz do Cravo”. Os foliões iam até a residência de Louis Ensch, no interior da Usina, onde lanchavam guaraná e biscoito champagne. Entre eles, era comum a presença de diretores da empresa, fantasiados.
O Sobrado do Barão ficou pequeno para comportar tantos foliões. O aumento do número de associados permitiu ao clube a construção de uma sede própria, concluída em 1932, quando era presidente o luxemburguês Leopold Bian. Ali, passaram a ser comemoradas outras datas, como Réveillon, Festa da Primavera e Festa Junina.
O nome “Cravo Vermelho” é uma homenagem da fundadora ao, então, Governador de Minas, Arthur Bernardes, que costumava usar a flor na lapela.
Cassino
A Belgo-Mineira levou para Sabará influências culturais europeias. Durante anos, os Cassinos (prédios construídos para hospedar funcionários estrangeiros e solteiros) tornaram-se referência para recepções, bailes e jantares sociais promovidos pela empresa. O Cassino em Sabará foi construído em 1938, destaca-se pela beleza e suntuosidade, com mobiliário requintado, pisos em mármore italiano e lareiras. No andar térreo funcionava a recepção, salão de eventos, restaurante, sala de jogos, instalações sanitárias e lavanderias, e no andar superior ficavam os quartos e salas de banho.
Atualmente, o antigo Cassino abriga o Centro Cultural da Fundação ArcelorMittal Brasil e o Centro de Memória da ArcelorMittal Aços Longos, além de um Centro de Promoção da Saúde da Abertta, antiga Abeb (Associação Beneficente dos Empregados da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira).
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