A Folha de Sabará recebeu uma denúncia sobre um paciente transferido da UPA Padre Lázaro para o Hospital João XXIII devido a complicações do quadro clínico. Wellington Fernandes de Souza, 45 anos, faleceu no Hospital João XXIII e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) sem identificação.
Entenda o caso
De acordo com Fernanda de Souza Ferreira, moradora de Sabará e irmã de Wellington, após uma crise convulsiva sofrida na rua, o irmão recebeu os atendimentos de urgência na UPA Padre Lázaro. Wellington deu entrada na Unidade acompanhado por sua mãe, Maria Maia Fernandes, portanto os documentos de identidade do filho, e por outras pessoas que auxiliaram no socorro.
Em nota, a coordenação da UPA Sabará confirmou a informação. “O paciente deu entrada no dia 15 de setembro de 2021, às 17h03, acompanhado de familiares e devidamente identificado. Ainda na recepção foi feita a abertura de ficha como procedimento padrão. O sr. Wellington Fernandes de Souza foi avaliado e encaminhado à Sala de Urgência, onde recebeu toda a assistência, medicamentos e seguiu com a realização de exames laboratoriais”, informou.
Fernanda disse que o irmão ficou em atendimento na UPA e a sua mãe o acompanhou por um período. Antes de retornar para a sua residência, Maria Maia informou os telefones de contato da família para a UPA para, em caso de urgência, a família ser acionada.
De acordo com as informações da UPA, “às 20h, após nova avaliação médica, foi solicitado ao Hospital João XXIII permissão para transferência do sr. Wellington devido à não melhora do quadro. Às 22h, com a autorização do referido hospital comprovada no laudo de Autorização de Internação Hospitalar - AIH N° 420922945, o relatório de transferência foi emitido e o paciente, devidamente identificado no sistema “SUS Fácil” do próprio Estado, com todos os dados completos, foi transferido rapidamente, de forma urgente, acompanhado da equipe de plantão, com total respeito à gravidade do caso”.
Segundo Fernanda, seu irmão foi transferido para Belo Horizonte e, ao saberem do ocorrido, os familiares se encaminharam para o Hospital João XXIII, administrado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). No entanto, na recepção do hospital, não conseguiram informações sobre o estado de saúde de Wellington. Posteriormente, veio a triste notícia de que o irmão havia falecimento e que ele foi encaminhado ao IML como indigente, pois, de acordo com o próprio João XXIII, Wellington deu entrada no hospital sem identificação.
JOÃO XXIII
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas (Fhemig) informou em nota que “seguiu os protocolos que preveem que, quando há insuficiência de documentos de identificação, o paciente não verbaliza e não há acompanhante, o acolhimento é feito pela equipe do Registro e o caso é encaminhado ao Serviço Social para posterior identificação. Em função da gravidade do caso e da falta de informações encaminhadas pela unidade de origem para uma identificação completa, foram seguidos os protocolos e não houve tempo hábil para a reversão dos documentos encaminhados ao Instituto Médico Legal. Em tempo, o número informado não confere com a solicitação de Autorização de Internação Hospitalar (AIH) e o documento apresentado no hospital está quase em branco”, declararam. Diante da informação, a Folha de Sabará solicitou à Fhemig o número da AIH do paciente, mas não teve acesso, sendo informada que, “cumprindo as premissas éticas e legais seguidas pela Fundação, todas as informações possíveis foram respondidas”. Vale ressaltar que o número da AIH (Autorização de Internação Hospitalar) solicitada ao Hospital João XXIII não é sigiloso por não ser um dado ou informação clínica do paciente.
“Queremos justiça e que os culpados sejam punidos. Estamos desolados com tamanha falta de respeito com o meu irmão”, concluiu Fernanda.
A nota da UPA Sabará ressalta que “o atendimento da UPA Sabará é referência para inúmeras cidades mineiras e do Brasil, que visitam para conhecer o processo de gestão e protocolos de saúde exemplares. O atendimento é realizado respeitando a gravidade dos casos de urgência e emergência, sendo os pacientes assistidos dentro dos mais rigorosos padrões”, encerrou.
A Fhemig, por fim, diz “que toda a assistência possível foi prestada ao paciente e o fato de estar temporariamente sem identificação em nada interferiu no atendimento, que foi prestado de forma profissional e qualificada pela equipe do João XXIII”.
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