Será lançada em Sabará a obra “Cartago deve ser destruída - Temas teológicos para o povo... de Deus”, do pesquisador teológico e ex-vigário da Igreja Nossa Senhora do Rosário entre 1965 e 1966, Romeu Teixeira Campos.
O escritor que por 13 anos exerceu a função de padre dentro do sistema clerical e nas últimas cinco décadas continuou dedicando-se a Igreja de forma diferente, através de muitos estudos, diz que o livro pretende apontar os equívocos da Igreja Católica e mostrar as saídas para que ela volte a ser autêntica. Ele afirma que a intenção é que a instituição funcione, de certa forma, como nos primeiros 300 anos D.C (Depois de Cristo), onde se seguia os ensinamentos de Jesus, aquilo que Cristo desejou para a Igreja. ”Com base no evangelho de Mateus, no capítulo 20, onde está escrita a recomendação de como os discípulos deveriam se comportar”, conta Romeu.
Ele explica que o livro é fruto de muito estudo e de 61 anos de ordenação como padre. O escritor diz que mesmo tendo trabalhado como pároco por 13 anos e se afastado por divergências de ideias, ele ainda é um sacerdote, pois nunca deixou de atuar na Igreja.
O título do livro é inspirado na cidade de Cartago, capital dos fenícios, que existia no norte da África, A.C(Antes de Cristo). A cidade se localizava em ponto estratégico para o Mar Mediterrâneo e foi palco de guerras com o Império Romano que disputavam o comércio do Mediterrâneo. Após sucessivas batalhas, Cartago acabou destruída pelos romanos que saíram vitoriosos.
Durante anos de guerra o incansável senador romano Catão, proferia no fim de todos seus discursos “Cartago deve ser destruída”, a frase simboliza o fim de vez da cidade e consequentemente da guerra.
O que o autor quer sugerir com o título, mesmo que pareça agressivo e provocador, é o fim dos entulhos que entraram na Igreja. “Cartago significa tudo que impede o Reino de Deus”, diz Romeu.
Ele afirma que hoje a Igreja vive um desvio que começou quando o imperador Constantino mudou a política do Império. “Antes de Constantino, nos primeiro 300 anos Depois de Cristo, os cristãos eram perseguidos. Com a chegada de Constantino a perseguição acabou e os cristãos passaram a receber privilégios e ter mais poder. A Igreja passou a copiar o Império e começou a se desviar da palavra de Deus”, explica o escritor.
Romeu diz ainda que foi encorajado a escrever esse livro pela atitudes dos papas João Paulo II e Bento XVI que escreveram documentos explicitando que a Igreja necessita de uma reforma estrutural e profunda, principalmente no que diz respeito ao poder do Papa, que é soberano na Igreja Católica. “O Papa detém os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, diz. Para ele, os antecessores do papa Francisco não tiveram força, fé e coragem para essa mudança. Já o papa atual tem mostrado sinais de mudanças, mas sofre com a pressão da oposição que está no poder e não quer sair.
Para concluir, padre Romeu, como ainda gosta de ser chamado, diz que é um entusiasmado com a Igreja e que com o livro pretende chamar a atenção daqueles que estão na religião, mas são leigos, e acham que não têm força para mudar. “Essas pessoas precisam de coragem. A minha vontade é ver a Igreja mais democrática e não uma monarquia absolutista”, finaliza.
O autor e
Sabará
Aos 86 anos de idade, Romeu está em seu segundo casamento que já dura pouco mais de 40 anos, tem três filhos e teve uma vida sacerdotal agitada.
O escritor conta que o que o levou a deixar o sistema clerical não foi o casamento, mas sim algumas divergências, mas nunca se desligou da Igreja e da religião católica. O casamento veio algum tempo depois, quando já não exercia sua função de padre.
Sua passagem em Sabará foi por pouco tempo, mas bem marcante. O então vigário sofreu grandes problemas com a população após vender dois móveis da paróquia para arrecadar fundos para a igreja. Na época as pessoas o condenaram pela ação e ele foi visto como se estivesse retirando o patrimônio do município. "Diante da confusão sai de Sabará, sem dizer nada, deixei só um bilhete na escrivaninha. Não aguentei tanta pressão”, lembra.
Ele diz que o lançamento do livro em Sabará é justamente para reconciliar com o povo sabarense, já que ele acredita que com o tempo tudo se acalma e algumas coisas se apagam.
O lançamento da obra ainda não tem data marcada, mas o autor pensa em lançá-lo na Segunda Festa Literária de Sabará ou durante as comemorações do aniversário da cidade.
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