De espaço para educação a criatório de pombos, mato, reservatório de lixo e poluição; assim estava o prédio histórico da centenária Escola Estadual Paula Rocha. O tempo nada perdoa e o abandono fez com que a instituição caísse ainda mais as margens da depredação.
Após várias tentativas frustradas de entrar na escola para a realização de matérias, na terça-feira, dia 29, aproveitando a visita de funcionários da Prefeitura que faziam a limpeza no local, finalmente conseguimos entrar no prédio.
O cenário que se via era absurdo; mostrando que o prédio não recebia manutenção e limpeza há meses. Salas de aula que receberam alunos sorridentes passaram a ser moradias para pombos; havia sujeira para todo lado. Nos quadros negros que um dia recebeu o ABC da didática, agora, só recebem urina e fezes daqueles que habitam os forros dos tetos da escola.
A tristeza podia ser vista nas páginas dos livros que tanto semearam conhecimento; eram dezenas de títulos espalhados pelo chão, muitos deles cobertos por poeira e fezes de pombos, novos habitantes do local. A cena estampava o descaso do Estado com a educação.
De acordo com a diretora da escola, Fátima Regina de Souza, os livros vieram da Escola Estadual Juscelino Kubitschek como doação ao Paula Rocha. Ainda segundo a diretora, quando o prédio foi interditado, no final de 2012, não foi possível levar as obras para a Escola Estadual Zoroastro Vianna Passos, uma vez que o espaço que seria ocupado não comportaria todo o material.
“Quando mudamos de prédio eu tentei doar os livros, mas não conseguimos uma instituição para levá-los. Ainda tinha o problema com o transporte deste material até uma nova escola, pois não tínhamos recurso para isso. Na época e por muitas outras vezes, tentamos também doá-los para os próprios alunos, alguns até foram levados, mas muitos ficaram. Guardamos todos em caixas nas salas trancadas, porém os andarilhos que ficam nas ruas da cidade, assim como depredaram o prédio, também jogaram os livros no chão. O problema maior é com os pombos que, além de estragar toda a estrutura do forro do telhado, também urinam e deixam suas fezes nos livros, o que atrapalha o uso do material”, explica a diretora.
Eram livros didáticos, além de diversos clássicos da literatura mundial, como Eça de Queiroz e Dostoiéviski. Mapas, cartazes e até jogos pedagógicos também estavam espalhados pelo chão.
Limpeza
Ainda na terça-feira, 29, a Secretaria de Meio Ambiente e a Vigilância Sanitária estiveram no local. Funcionários do Meio Ambiente trabalharam durante dois dias inteiros e retiraram dez caminhões com muito mato. Além de dezenas de sacos de lixo com garrafas pets, latas, embalagens diversas e até roupas e cobertores. Além da área externa, as salas de aula também foram limpas. A Vigilância Sanitária jogou larvicidas em locais que podem servir como criadouros do Aedes aegypti.
Poucos dias depois alguns livros foram levados para a Escola Zoroastro, os exemplares mais deteriorados, segundo a diretora, permanecem no prédio.
Reforma
Na manhã da segunda-feira, dia 11, o prefeito Diógenes Fantini, o diretor geral do Departamento Estadual de Obra Pública de Minas (DEOP), Flávio Menicucci, o secretário municipal de obras, Alex Rodrigues, o secretário municipal de educação, Jessé Batista e a equipe da Prefeitura e do Estado envolvidas no caso da Escola Paula Rocha visitaram as estruturas do prédio a ser reformado. Na ocasião, Flávio Menicucci deu detalhes sobre o andamento do projeto.
“A Paula Rocha será reformada, isso é uma determinação do governo do Estado. O recurso está consignado pela nossa Secretaria de Estado de Educação. Então só falta realmente conseguir licitar. Isso só foi possível a partir desse mês (abril) com o fechamento do projeto pelo IPHAN. Nos próximos dias o aviso de edital já sai no diário oficial e começa o processo de concorrência”, esclareceu Menicucci.
HOT DOG DO FUTURO Cientistas da USP produzem salsicha feita de inseto. Você comeria?
Mosquinha.... "Mosquito de banheiro": de onde saem e por que aparecem?
Aedes Aegypti 92% dos brasileiros que moram com filhos abaixo dos 18 anos estão preocupados com doenças transmitidas por mosquitos
PRIORIDADE VACINA Trabalhadores da saúde que não estão na linha de frente podem receber a vacina
COVID-19 Nível de coronavírus nos esgotos de BH é quase o dobro do que apurado em julho de 2020, período considerado crítico da pandemia Mín. 15° Máx. 26°
Mín. 14° Máx. 25°
Tempo limpoMín. 13° Máx. 27°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA Ser ou não ser?
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
