Músico e compositor de Sabará lança livro que traz um equivoco da ideia de Deus para o homem
Aos poucos, Sabará vai se mostrando ser terra de artistas; não somente dos que aqui nasceram, mas também daqueles que escolheram a cidade para morar. Como o músico, compositor, professor e agora, escritor: Alexandre Piló.
Apesar de ser filho de mineiros, Alexandre nasceu no Rio de Janeiro; e foi lá que o violonista autodidata aprendeu os primeiras acordes ainda aos 8 anos de idade. Sua vocação veio da energia da família. Seu pai, o sr. Nelson Piló, mudou-se de Belo Horizonte para o Rio em busca de oportunidades de trabalho com a música. Lá, ele trabalhou por 21 anos na Radio Nacional. Desvendava acordes e criava arranjos e melodias; mais tarde, foi considerado um dos maiores violonistas mineiros.
De volta ao Estado, a família morou no tradicional bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde Alexandre se familiarizou ainda mais com a música e, pouco mais tarde, vieram para o bairro Nações Unidas, em Sabará, onde moram há 30 anos. Foi também aqui na cidade que Alexandre conheceu Maria da Piedade, a dona Dadá; casou e teve um filho.
Sua vida sempre foi regida pelas cordas de um violão; aos 51 anos de idade enfrentou o campo universitário e, em 2010, se formou no Curso de Licenciatura em Música (violão), na Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).
Ainda como músico, é autor de vários arranjos e transcrições, professor de violão e compositor, foi regente musical e já participou de diversos CDs.
Do violão ao livro
Quando criança e ainda na adolescência, Alexandre foi um menino inquieto, onde as respostas que lhe eram oferecidas pelas pessoas não o satisfaziam completamente; sempre teve a necessidade de buscar outras fontes. Foi nos livros que encontrou diversas respostas que afloraram, ao longo dos anos, seu conhecimento. E um dos principais desafios foi entender a existência, preceitos e criações de Deus.
“Quando jovem, através de uma conversa com meu pai, comecei a questionar quem era na verdade Deus e quais de fato eram seus ensinamentos. Eu era católico, mas as respostas dos padres não me convenciam, era pouco. Comecei a buscar novas perguntas e ter novas respostas. Mais tarde passei a frequentar centros espíritas e busquei nesta religião e ainda nos livros, outros ensinamentos. Entre as aulas de violão e os estudos, passei a pesquisar sobre espiritualismo, esotéricos, yoga, magnetismo pessoal, orientais, hermética, entre outros assuntos que pudessem clarear minha mente”, disse.
Foram 29 anos de pesquisa e apenas cinco meses para colocar tudo que estava guardado na sua mente e anotações, em 270 páginas do livro. “O Grande equívoco” foi lançado no final de 2015 e traz um apontamento de como surgiu e evoluiu a ideia de Deus no homem.
“O livro é fruto de um longo e exaustivo trabalho de pesquisa e foi concebido inicialmente como um breve ensaio de antropologia teológica. Uma vez que procura fixar o que é, como surgiu e evoluiu, e o que representa a ideia de Deus no homem. Ao escrevê-lo, porem, não tive a intenção de convencer ninguém da existência, da verdade ou da necessidade de Deus. Sendo meu único objetivo relatar os fatos sem nenhuma intenção catequética ou literária. A propósito, eu escrevi ‘O Grande Equivoco’ justamente porque me pareceu um desafio interessante - informar as pessoas sobre Deus, ao invés de doutriná-las”, explica Alexandre.
O projeto gráfico da obra foi realizado pela sobrinha de Alexandre, Camila Piló Machado de Oliveira. De acordo com Piló, o título do livro foi pensado ainda antes dele escrever suas primeiras páginas. Ele conta que a ideia de quem é “o criador do mundo” foi plantada a partir das religiões. Em seu livro, o leitor poderá perceber que Deus é muito mais que uma figura divina cultivada e idolatrada pelas igrejas.
“Ele não é o criador de Adão e Eva, é muito mais que isso; não é só a Terra ou fazer a mulher de uma costela do homem; Deus é ar, é a galáxia, é o infinito. O Grande Equivoco é que, mesmo chegando à crença na existência de um Deus único, eterno, infinito, absoluto, universal, as religiões continuaram a representá-lo antropomorficamente, ou seja, como um ser pessoal, conferindo-lhe não apenas a forma física, senão também as limitações ou imperfeições da natureza humana. Equivocaram-se, tomando o criador do universo por um de seus deuses pessoais”, ressalta.
Do livro a revelação
Entre as páginas de “O Grande Equivoco”, Alexandre faz três revelações que trazem um questionamento nos preceitos de algumas religiões; dentre elas ele aponta que “o chamado Mistério da Trindade da igreja católica não passou na verdade de um mal entendido da palavra latina Persona – que no tempo do Império Romano, não significava pessoa e sim máscara”. Outra revelação se trata do equivoco da figura de Jesus, o livro diz que “o Filho da Virgem não deve ser confundido com Cristo. O Cristo (chamado de pai por Jesus) é um Arcanjo e não Deus. Jesus era na verdade um Anjo, um ser iluminado extremamente evoluído, mas ainda sim inferior ao anjo maior, o Arcanjo”.
Segundo o músico e escritor, não se pode pensar em Deus como uma figura humana, nem do ponto de vista formal, nem do substancial. “Deus não é uma invenção, é uma descoberta. E descoberta que a humanidade não teve coragem ou ainda não está preparada para fazer”, finaliza.
O livro é produzido pelo Clube de Autores e pode ser encontrado apenas no site:
www.clubedeautores.com.br.
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