Sábado, 27 de Junho de 2026
(31) 991298046
Dólar comercial R$ 5,17 +0,03%
Euro R$ 5,88 +0,00%
Bitcoin R$ 330.795,17 ++1,07%
Bovespa 173.295,14 pontos +0.76%
Ciências *Sérgio Pacheco

Bloco dos sujos

Bloco dos sujos

01/02/2016 09h06
Por: Glaucia Melo Clark
Bloco dos sujos

Em uma madrugada qualquer chegaríamos bem antes do carnaval; acomodaríamos em qualquer banco de praça, em qualquer coreto, ainda nesta cidade. Mendigaríamos comida, água, roupa, calçados; andaríamos às vezes juntos, às vezes em dupla, mas nunca sozinhos. Não aceitaríamos teto ou quaisquer proteção; evitaríamos permanecer por muito tempo num mesmo local; manteríamos sempre a nossa fala coloquial, portanto nada de política, nada de polêmicas, nada de fanatismo ou passional. Respeitaríamos as autoridades, jamais envolveríamos com os moradores de rua, suportaríamos ao máximo a mesma roupa imunda. Será mister alguns desmaios, alguns vômitos ou falar consigo mesmo coisa com coisa; essa atitude convencerá bastante os transeuntes, quanto a nossa demência, exceto o atentado ao pudor!

Quiçá estaríamos presentes em quase todas as manifestações públicas, como se tudo fosse uma festa, importunaríamos a todos com a nossa presença “embriagados” de água camuflada em garrafa de aguardente. Se for para cantar, cantaremos desafinados, atropelando as estrofes em falsetes ou coisa parecida, dançaríamos até a exaustão uma coreografia improvisada por nós, porém, descompassada e hilária. Nisso, cada qual observaria o outro vigiando a nós mesmos. Será uma maneira de proteger nossa integridade física.

Lembrem-se que, o relento será a nossa proteção além de Deus. O céu será o nosso telhado. Nossa sentinela nosso esteio. De vez em quando forjaremos uma contenda entre nós, porém, sem fraturas ou contusões. Não acumularíamos bugigangas, sem documentos, bastaríamos somente um radinho de pilha.

E quando o carnaval chegar cataríamos latinhas de alumínio pela avenida central, pediríamos um trocado, um cigarro, algo pra comer, infiltraríamos nos blocos dos sujos e certamente seríamos iguais na multidão, devido a nossa insignificância e a indiferença dos foliões, enquanto durar a festa momesca, sendo assim, estaríamos acima de qualquer suspeita, se quisermos atingir o nosso objetivo.

*Por Sérgio Pacheco Artista plástico e poeta

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Sabará, MG
Atualizado às 17h13
23°
Parcialmente nublado

Mín. 15° Máx. 26°

23° Sensação
2.8 km/h Vento
55% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (28/06)

Mín. 14° Máx. 25°

Tempo limpo
Segunda (29/06)

Mín. 13° Máx. 27°

Tempo limpo
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias