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Ciências Da teoria para a prá

Sala Temática facilita aprendizado de alunos do bairro Castanheiras

Sala Temática facilita aprendizado de alunos do bairro Castanheiras

09/11/2015 15h06
Por: Glaucia Melo Clark
Sala Temática facilita aprendizado de alunos do bairro Castanheiras

Ruas de terra e muitos morros, salas de aula cheias e poucas linhas de ônibus; são muitas as dificuldades que seriam ótimos pretextos para os professores e diretoria da Escola Estadual Presidente Juscelino Kubitscheck Oliveira “jogar a toalha”; mas ao invés disso, os profissionais têm desenvolvido projetos que visam melhorar e multiplicar o aprendizado dos alunos da instituição.

O Projeto Sala Temática tem incentivado o aprendizado dos alunos da escola. Situada no bairro Jardim Castanheiras, na divisa com Belo Horizonte, a Juscelino Kubitscheck tem em seu quadro de profissionais pessoas dedicadas que querem fazer além do que elaborar provas e aplicar exercícios. É o caso das professoras de geografia Josiane e Luciana. Josiane Patrícia Herculano Pereira é professora há sete anos, ela conta que a Sala Temática de Geografia surgiu com um desejo de fazer algo á mais por seus alunos. Para ela, é preciso mais que teoria para um bom aprendizado.

“A ideia da Sala Temática surgiu a partir de cursos de capacitação que o Estado estava fornecendo aos educadores, sobre formas de ensino diferenciado. Com o apoio da nossa diretora, pensei em trazer uma sala diferenciada para a escola e convidei a professora Luciana para aceitar esse trabalho comigo; e foi um desafio e tanto”, relata.

Josiane diz ainda que a sala diferenciada foi aceita com entusiasmo por todos os alunos; a execução deu algum trabalho, mas ela diz que a vontade de fazer algo inusitado que fortalecesse o aprendizado falou mais alto. “Sabia que a Sala Temática traria bons frutos; neste espaço saímos da teoria para a prática. Temos hoje essa visão de quanto mais prática à aula, mais fácil será o aprendizado, uma vez que o conteúdo é absorvido mais facilmente pelos alunos”.

Além de aceitar o desafio, as professoras colocaram a “mão na massa”. Tudo foi projetado por elas com a ajuda dos próprios alunos. Nas paredes, mapas de diversas regiões, caixotes de verdura viraram estantes para livros, bolas de isopor assemelham o sistema solar no teto, relógios diversos mostram os principais fusos horários do mundo.

“Todo professor, independente da matéria que leciona, idealiza uma sala temática que facilite seu trabalho. Esse espaço é um orgulho para nós, pois quando os estudantes chegam na sala eles absorvem bem mais o conteúdo. Os alunos se envolvem com cada objeto e isso é um ótimo retorno. Eles olham para os mapas e percebem o que falamos nas aulas teóricas. Foi um trabalho em conjunto entre professores, alunos e direção – o resultado não poderia ser melhor”, explica a professora Luciana da Silva Pereira.

Luciana e Josiane dão aula para estudantes do Ensino Fundamental ao Médio; são cerca de 350 alunos por ano – uma média de 30 por sala de aula. Por ser na divisa entre BH e Sabará, o bairro sofre com o esquecimento público. Na estrada que leva até a escola, entre a Via Marzagania (Borba Gato) e a Rua Prudente de Morais, há um cenário absurdo. A rua não é asfaltada, falta esgoto, iluminação e transporte público.

Já dentro da escola o ambiente é outro; tudo muito organizado. A instituição trabalha em conjunto com a comunidade, está sempre de braços abertos para receber novos alunos, como Henrique Junior Barrero Nunes, de 17 anos, que estuda na escola há três anos. Junior está no 9° ano, ele diz que o Projeto Sala Temática é fruto da perseverança das professoras que não desistem dos alunos. “É um ambiente ótimo para nosso aprendizado; a escola praticamente não tem apoio do governo, eles nos esquecem aqui no bairro. É uma sala diferente, facilita o conteúdo. Ajudei na parte elétrica, pois entendia algumas coisas sobre o assunto, cada aluno sabe fazer algo e isso foi usado na criação do espaço. As professoras sempre nos fala ‘um pingo move o mundo, basta se interessar’, nós interessamos e por isso deu certo”, disse.

Izabela Batista, de 15 anos, também está no 9° ano; ela acredita que a nova sala auxilia para que o conteúdo fique claro e fácil. “Aqui saímos da teoria para a prática, além de explicar as professoras mostram os mapas, apontam os horários. Se elas falam do sistema solar, por exemplo, olhamos para o teto e assimilamos o conteúdo, pois vemos demonstração com as bolas de isopor”, destaca a estudante.

Mais que diretora:

uma amiga

Assim é classificada a diretora da Escola Juscelino Kubitscheck. Helga Lima assumiu a direção da instituição estadual há 8 anos. Carioca, moradora de Sabará há 12 anos, ela conta que no início foi difícil seu trabalho no local, mas sempre fez de tudo para que o respeito fosse soberano entre professores e alunos. Ela diz que o projeto é um passo importante de muitos que a escola tem dado ao longo dos anos.

“É um projeto de extrema importância para a escola – tudo gera aprendizado, os alunos pensam junto com os professores cada detalhe das Salas Temáticas. Na verdade o valor disso é o estudante construir seu próprio conhecimento; o professor abre o caminho, mas o interesse maior tem que partir do aluno e isso aconteceu. São eles que estão construindo um espaço que são deles mesmos, nós estamos aqui só de passagem”, ressalta.

De acordo com Helga, os alunos se tornaram seus amigos e a comunidade preservadora do espaço escolar. Toda confiança foi construída com anos de dedicação. O local não tem carteiras quebradas ou paredes pichadas, mesmo sendo um espaço aberto para uso da comunidade nos dias de recesso. “Cada aluno zela pelo prédio, aqui nada é quebrado, não temos problemas com vandalismos. Eu dava aulas em uma escola do bairro Nações Unidas, onde moro atualmente; depois assumir essa escola. Foi um desafio na época, hoje tenho orgulho de dizer: estou conseguindo. Aqui não temos problemas com drogas, fazemos festas, feiras e eventos e nunca precisamos de policiamento. Nossa escola é aberta para a comunidade, os vizinhos usam a quadra durante o fim de semana para jogar futebol, bebedouros e banheiros, não quebram nada – zelam e ajudam a preservar o local”, disse.

Segundo a diretora, os próximos passos é trazer cursos técnicos para a escola para que alunos e comunidade consigam se profissionalizar para o mercado de trabalho. Além da Sala Temática de Geografia, que já está sendo utilizada pelos alunos; uma Sala Temática de História já está pronta para ser usada. A Sala Temática de Biologia e Ciências já está sendo construída por professores e alunos.

A Escola Estadual Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira é um bom exemplo para as demais instituições da Cidade, onde profissionais não deixam as dificuldades abalar o ensino e colocam o aprendizado em primeiro plano com projetos inovadores.

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