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Ciências PROFESSOR ARINOS

Sabedoria multiplica as possibilidades

Sabedoria multiplica as possibilidades

09/11/2015 14h59
Por: Glaucia Melo Clark
Sabedoria multiplica as possibilidades

Professor sabarense desvenda o mundo microbiológico e ainda fala da arte de ser feliz

Arinos Romualdo Viana é sabarense, nascido no Pompéu, local onde viveu até os 22 anos, o que pode ter influenciado em sua escolha profissional.

Ele é graduado em Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC). Pela Universidade Federal (UFMG)fez mestrado e doutorado em Microbiologia e Imunologia. Atualmente é professor titular da Faculdade de Ciências Médicas do Estado, onde leciona há 40 anos.

Em sua longa trajetória o mestre fez muito pela sociedade, pesquisou, aprendeu, ensinou e descobriu que para ser feliz basta a simplicidade.

O início acadêmico

Como muitos sabarenses, Arinos passou pelos bancos escolares do Senai e trabalhou por seis anos na antiga Belgo Mineira, mas ao longo desse tempo percebeu que aquele não era seu caminho.

Decidiu então partir para uma nova “aventura”, como ele classifica. Como tinha experiência com o manuseio de plantas e animais se aventurou pela biologia. Formou em 1975 na primeira turma de ciências biológicas da Puc Minas.

Sua carreira como professor começou em Sabará, antes de formar, quando ainda estava na universidade, deu aula no Colégio Menino Jesus de Praga, da saudosa professora Elza Soares. Ali tomou gosto pela coisa e não parou mais.

Logo que iniciou o mestrado na UFMG começou a lecionar na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, no início dava apenas aulas práticas, acompanhado por outro sabarense, o farmacêutico Pojirá Peixoto Penna. Hoje, 40 anos depois, após ter ficado mais de 30 anos na medicina, leciona nos cursos de fisioterapia e enfermagem. Também já foi professor na PUC, Federal e Izabela Hendrix.

Um grande passo

Além de professor, Arinos sempre foi um pesquisador. Quando trabalhava na Universidade Federal fazia suas pesquisas nos laboratórios, mas tinha vontade de sair do “tubinho de ensaio”. “Eu sentia um pouco estressante por estar fazendo pesquisas de relevância, mas em tubos de ensaio, nos pequenos volumes. Eu queria ver isso mais próximo da comunidade, dar um retorno para o cidadão”, lembra.

Foi então que surgiu a oportunidade que o mestre sonhava. Por intermédio do professor Ronaldo Reis, Arinos foi convidado para integrar a equipe da Hertape Calier Saúde Animal S/A, uma indústria de produtos de usos veterinários. O professor foi convidado para desenvolver uma linha de produção de vacinas que pudesse utilizar células vivas em vitro ao invés de usar animais, como era a rotina. “Eu tive o privilégio de ser bem sucedido nessa empreitada”. O Professor conta que utilizando animais eram produzidas cerca de 1,4 milhão vacinas anti- rábicas por mês. Com o novo método a produção que era mensal, passou a ser semanal, sendo suficiente para abastecer todo o Brasil.

Ele explica que antigamente era utilizado bezerros neo-natos para a produção das vacinas. Atualmente além do método não ser tão produtivo, a utilização de animais para a fabricação desse tipo de produto se tornou proibida.

Na Hertape, o professor trabalhou na produção de diferentes vacinas no campo da medicina veterinária. Mas entre tantos trabalhos, um foi glorificante: a transferência de tecnologia da vacina Leish - tec –contra Leishmaniose.

A vacina foi desenvolvida pelo doutor Ricardo Gazzinelli, na Universidade Federal de Minas Gerais, e a indústria negociou a transferência de tecnologia para que ela fosse desenvolvida em larga escala. Isso foi um grande avanço e foi muito comentado em todo país. Com isso o professor e outros profissionais da Hertape rodaram todo o Brasil falando sobre o uso da engenharia genética no desenvolvimento de vacinas.

Depois de muitos anos se dedicando a indústria, o professor resolveu descansar. A rotina de faculdade e empresa já estava ficando muito pesada. Decidiu que precisava diminuir o ritmo e percebeu que a vida poderia ser mais simples.

A Química da

Felicidade

O professor Arinos passou a fazer certos questionamentos. “Com essa oportunidade fantástica que a Hertape me deu, você começa a avaliar melhor. O que seria a vida? O que todo esse conhecimento poderia estar dando de retorno para a vida? Dentro desse pensamento, eu comecei a fazer palestras sobre a química da felicidade”, conta.

Arinos diz que diante disso, montou uma palestra pontuando o que faz as pessoas felizes. “Eu peguei as coisas bem naturais. Porque ser feliz, tem que ser simples. A simplicidade é a condição essencial. Então pontuei as questões simples que fazem as pessoas felizes, que às vezes por arrogância e prepotência, achamos que o simples é bobo. Aí, passamos a ser infelizes”, diz.

As primeiras palestras sobre a Química da Felicidade foram dadas nos cursos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas. O objetivo era mostrar para aquelas pessoas a importância da simplicidade para ser feliz. O professor afirmou que com a palestra muitas pessoas mudaram a forma de levar e pensar a vida. “ Eu tive esse retorno. As pessoas chegaram para mim e disseram: ‘depois do que ouvi em sua palestra repensei minha vida’”, conta.

Atualmente, quase dez anos depois, professor Arinos leva a palestra para diferentes locais. Ele diz que sua palestra já está na quarta edição, afinal foi aprimorando cada dia mais, mas sempre mantendo o eixo. “Mantenho nas palestras o tema principal : ‘ a arte de ser feliz’ que é o que todo mundo tem como objetivo de vida”.

Ele conta que o fato de fazer parte da Sociedade São Vicente de Paulo há mais de 50 anos, pode ter contribuído para seu olhar sobre a felicidade. “Fazendo parte da Sociedade, a gente tem muito contato com famílias humildes e simples e, é onde nós mais aprendemos. Foi lá que me despertou para isso”.

Além de passar a química da felicidade para as pessoas, o professor também dá palestras sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e em Sabará coordena o curso técnico de análise clínica na Escola Estadual Padre Tirino, pelo Pronatec.

Diante dessa longa trajetória o professor que é casado há 36 anos, tem três filhos e quatro netos, se diz uma pessoa muito feliz e realizada, “ viver significa ter paciência, tolerância e sabedoria. E sabedoria é você ler, aprender e colocar em prática. É isso que tento fazer”, finaliza.

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