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CULTURA PALMAS BARROCAS

Palmas Barrocas: uma tradição secular

Herança portuguesa renasce nas mãos de uma artesã sabarense com trabalho reconhecido pela UNESCO

18/07/2021 14h57
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Por: Redação Fonte: Folha de Sabará
Palmas Barrocas: uma tradição secular

Das mãos da artesã Hercília Herculano, vão surgindo as tradicionais palmas barrocas confeccionadas com chapas metálicas banhadas a ouro. Hercília é a única artesã de Sabará com reconhecimento da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, na confecção dessa arte introduzida pela nobreza há séculos. 

Nascida em Sabará, Hercília Herculano é artesã e restauradora, é servidora do Museu do Ouro e faz parte da Artesol (artesanato solidário) – uma rede nacional que apoia os artesãos e atua como um centro de pesquisa, reflexão e formação para políticas públicas. A artesã participa também do projeto O Ponto de Cultura - 'A Cor da Cultura, do Centro Comunitário Nossa Senhora do Rosário, em Sabará, que tem o objetivo valorizar a arte e cultura afrodescendente.

“Me orgulho de ser a única negra de Sabará com reconhecimento da UNESCO na confecção de palmas barrocas, me dedico à essa arte há mais de 30 anos”, contou sorridente e com brilho nos olhos.  

Hercília repassa essa técnica em oficinas com o intuito de preservar e manter viva a tradição em Sabará. 

Herança do século XVIII 

Palma Barroca é como são conhecidos os arranjos florais confeccionados em diversos materiais, como papéis, tecidos e, o mais conhecido deles em Sabará, as chapas metálicas banhadas a ouro. 

A herança portuguesa chegou ao país no século XVIII, instalando-se na região mineira no mesmo período de formação de suas cidades barrocas. O conhecimento repassado ao longo dos séculos por mãos de habilidosos artesãos resistiu em Sabará e nos anos de 1980 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, por meio do Museu do Ouro, resgatou definitivamente essa tradição. 

Em 1998, uma parceria entre a Secretaria de Cultura do Estado, a Prefeitura Municipal de Sabará, a escola de arte Abapuru do artista plástico George Helt, com recursos do Fundo do Amparo ao Trabalhador – FAT, contribuiu para introduzir e desenvolver a nova técnica de palmas barrocas feitas em metal e banhadas a ouro. Uma inovação que acabou por se tornar a identidade do artesanato produzido no município.

Em 2012 o modo de fazer da palma barroca de Sabará foi registrado pela Prefeitura Municipal por sua importância cultural para a cidade.

O processo de fabricação da palma barroca consiste em aquecer a lâmina de cobre ou latão na chama do fogão para que fique mais maleável, cortar com auxílio de pequenas formas com laterais afiadas, refilar com a tesoura, frisar as folhas e bolear as folhas com auxílio de ferramentas específicas para o ofício. As flores mais comuns são a camélia, margarida e hortência. Com os cortes e relevos definidos, o material recebe um banho de ouro ou prata, cada folha e flor é finalizada para a montagem da palma. O formato triangular é reconhecido, pois a Palma tem o modelo de uma mão espalmada, mas cada artesã tem um estilo único de trabalhar, criando verdadeiras obras de arte.

Na metade da década de 1980, Sabará vivenciou o resgate da tradicional técnica de confecção da Palma Barroca e, mais tarde, passou por processos de criação e inovação. Desde então, mais de 50 artesãos, em sua maioria mulheres, dedicam-se à produção. Cada uma imprime identidade ao arranjo, tendo expressões únicas na composição e montagem. O jeito de produzir e o amor entregue ao ofício é o que fazem das palmas barrocas de Hercília serem tão especiais e únicas. Como ela mesma diz, as palmas barrocas expelem brilho, força e beleza. 

 

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